Da redação
A diplomacia dos Estados Unidos passa por uma mudança significativa. Segundo dados da Associação Americana do Serviço Exterior (AFSA), 90% das 102 indicações de embaixadores feitas por Donald Trump em seu segundo mandato são de aliados políticos, enquanto apenas 10% são diplomatas de carreira.
De acordo com o levantamento da AFSA, essa configuração representa uma ruptura inédita em relação ao padrão histórico, no qual cerca de 70% dos embaixadores eram oriundos do Serviço Exterior e 30% eram indicações presidenciais externas. A pesquisa reúne informações atualizadas até 3 de agosto e evidencia que até governos recentes como o de Joe Biden mantiveram aproximadamente 60% de diplomatas de carreira nesses postos.
O perfil dos indicados por Trump privilegia doadores, amigos e pessoas próximas ao círculo presidencial. No Reino Unido, o empresário e doador republicano Warren Stephens foi nomeado embaixador. Na França, o escolhido foi Charles Kushner, pai de Jared Kushner. Para Israel, o indicado foi o ex-governador do Arkansas Mike Huckabee. Segundo o Washington Post, em postos como Egito, Filipinas e Peru, nomes sem experiência diplomática formal, como o advogado Nick Oberheiden, o empresário Lee Lipton e o executivo Bernie Navarro, receberam nomeações, todos com histórico de doações à campanha republicana.
Atualmente, a maior parte das missões diplomáticas dos Estados Unidos está sem embaixador titular, conforme a AFSA. A reformulação está sob responsabilidade de Marco Rubio, secretário de Estado. Recentemente, o Departamento de Estado anunciou a revogação do visto da embaixadora do Brasil, Maria Luiza Ribeiro Viotti, devido à demora brasileira em conceder agrément a Daniel Perez, indicado por Trump, aprovado pelo Senado nesta sexta-feira (7).





