Da redação
O ministro Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), suspendeu a divulgação de uma pesquisa AtlasIntel/Bloomberg a pedido do PL. A decisão foi tomada após a apresentação de um áudio envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. O caso começou a ser julgado pelo plenário do TSE na terça-feira, 9 de julho.
Membros do TSE avaliam que a liminar tende a ser confirmada, pois a própria AtlasIntel admitiu a existência do áudio, que embasou o pedido do PL acatado por Nunes Marques. O entendimento na corte é que a exibição do áudio pode ter influenciado a percepção dos entrevistados durante o levantamento eleitoral.
O episódio gerou discussões sobre a necessidade de estabelecer critérios claros para o uso de materiais como áudios e vídeos em pesquisas eleitorais. Segundo ministros do tribunal, cabe ao TSE definir as diretrizes e metodologias que devem ser seguidas pelos institutos de pesquisa em situações semelhantes.
Após a decisão, Nunes Marques demonstrou disposição em adotar procedimentos para fixar esses critérios, ouvindo especialistas e coordenadores de institutos de pesquisa para debater como será a condução dos levantamentos eleitorais no futuro. “Pode mostrar áudio, pode mostrar vídeo, como isso pode ser apresentado?”, questionou um ministro do TSE sob reserva.
A análise do caso foi suspensa após pedido de vista da ministra Estela Aranha, responsável por coordenar temas relacionados à propaganda eleitoral. O julgamento só terá continuidade na próxima quinta-feira, 10 de julho, às 10h, caso a ministra devolva o processo a tempo da sessão.
Segundo membros do tribunal, o desconforto inicial entre os ministros ocorreu mais devido ao formato centralizado da decisão de Nunes Marques do que ao seu conteúdo. Observadores apontaram uma possível mudança de estilo na gestão do TSE, saindo de um perfil mais discreto para outro considerado mais midiático.





