Da redação
Entidades humanitárias globais manifestaram preocupação nesta sexta-feira, destacando o impacto físico e psicológico da violência no Oriente Médio, que tende a marcar gerações. O alerta ocorre após novos episódios de confrontos principalmente nos territórios de Gaza e no sul do Líbano, onde milhares de civis enfrentam riscos desde outubro de 2025.
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) reporta que, apesar do anúncio de uma pausa nos combates, a violência prossegue em Gaza. James Elder, porta-voz do Unicef, afirmou: “as palavras da diplomacia parecem desconectadas da realidade prática”, chamando o cessar-fogo de “ilusão cruel e mortal” para os civis, especialmente crianças.
Segundo Elder, 265 crianças palestinas foram mortas em oito meses, uma média de uma por dia, enquanto outras 400 ficaram feridas, muitas com sequelas permanentes. Ele questiona se “o debate não deve ser mais sobre a qualidade do cessar-fogo, mas sobre a credibilidade de chamá-lo por esse nome”.
O Unicef alerta que a ameaça não está restrita às zonas de conflito direto, pois crianças têm sido atingidas em casas, escolas, abrigos e durante atividades comuns. O trauma, indica a agência, tornou-se parte constante da infância desses jovens, com impactos sobre o sono, alimentação e interação social.
Após os ataques de 7 de outubro de 2023, cerca de 1,9 milhão de pessoas foram deslocadas em Gaza, a maioria mais de uma vez. Quase 1,2 milhão de famílias perderam suas casas e praticamente não há hospitais em pleno funcionamento, conforme avaliação da Organização Mundial da Saúde.
No mesmo contexto, o Unicef estima que 1,1 milhão de crianças em Gaza estão em risco de doenças devido à dificuldade de acesso à água potável. No Líbano, aproximadamente 770 mil crianças sofrem estresse psicológico severo resultante da escalada da violência e dos contínuos deslocamentos forçados.





