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Unops apoia construção de 62 escolas sustentáveis para indígenas e quilombolas


Da redação

Em regiões indígenas e quilombolas no Brasil, jovens têm aulas improvisadas sob árvores ou em casas de moradores, pois falta infraestrutura escolar adequada. Segundo o Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos, Unops, a situação leva famílias a enviar filhos para cidades distantes, ameaçando a transmissão de conhecimentos tradicionais. Para enfrentar o problema, a agência apoia a construção de 62 colégios nessas comunidades nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

De acordo com o Unops, o objetivo é que a escola sirva para fortalecer as identidades culturais. Zahy Tembé, estudante da aldeia Frasqueira, no Pará, afirma que a permanência no território incentiva os jovens a lutar pelos direitos civis e territoriais. A educadora indígena Zytyk de Souza Reis Tembé destaca o desejo de aliar o ensino científico ao respeito aos costumes dos povos originários.

Diogo Cavallari, especialista em gestão de obras do Unops, diz que o projeto foi construído em diálogo com lideranças indígenas e quilombolas, professores, diretores e autoridades locais. O Ministério da Educação e o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação apoiam a iniciativa. O processo participativo permitiu identificar materiais sustentáveis e soluções arquitetônicas como iluminação e ventilação naturais, painéis solares e sistemas de captação de água da chuva.

Segundo o Unops, treze das novas escolas estão em fase final de construção no Pará. No contexto de um país que possui cerca de 300 línguas indígenas ameaçadas de extinção, a educação ofertada no território é vista como medida essencial para preservar culturas e estimular o surgimento de novas lideranças em defesa dos povos originários.