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Justiça torna réus acusados de campanha de ódio contra Maria da Penha

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Da redação

A Justiça do Ceará aceitou, nesta segunda-feira (9), denúncia do Ministério Público estadual e tornou réus quatro suspeitos de participação em uma campanha de ódio contra Maria da Penha, farmacêutica símbolo da luta contra a violência doméstica. Os acusados são o ex-marido da ativista, Marco Antônio Heredia Viveiros; o influenciador Alexandre Gonçalves de Paiva; o produtor do documentário “A Investigação Paralela: o Caso Maria da Penha”, Marcus Vinícius Mantovanelli; e o editor e apresentador Henrique Barros Lesina Zingano.

Segundo a denúncia, o grupo atuou de forma organizada para atacar a honra de Maria da Penha e descredibilizar a lei que leva seu nome, utilizando perseguições virtuais, cyberbullying, divulgação de conteúdos misóginos, deturpação de informações e ataques em redes sociais. Alexandre Paiva chegou a ir até a antiga residência da ativista, em Fortaleza, para gravar vídeos posteriormente publicados.

O ex-marido Marco Heredia foi denunciado por falsificação de documento público; Alexandre Paiva, por stalking e cyberstalking; Zingano e Mantovanelli, por uso de documento falso. Parte das ações envolveu a utilização, em um documentário da Brasil Paralelo S/A, de um laudo adulterado sobre o exame de corpo de delito, alegando suposta fraude processual no caso Maria da Penha. A perícia identificou montagens e informações falsas no documento usado para tentar inocentar Marco Heredia.

A investigação foi conduzida pelo Núcleo de Investigação Criminal (Nuinc) e resultou na operação “Echo Chamber”, em duas fases entre 2024 e 2025, com buscas no Espírito Santo, Rio de Janeiro e Natal. Foram apreendidos documentos e eletrônicos, suspensa a veiculação do documentário e determinado o afastamento dos réus de Maria da Penha, que foi incluída no Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos.

O caso será julgado pela 9ª Vara Criminal de Fortaleza, sem previsão de data. A Agência Brasil não obteve contato com a defesa de Marco Antonio; o espaço permanece aberto para manifestação.