Início Eleições Os bastidores turbulentos do cenário político no Peru

Os bastidores turbulentos do cenário político no Peru


Da redação

A eleição presidencial no Peru, realizada no último domingo (12), foi marcada por caos logístico e elevada fragmentação política. Mais de 50 mil eleitores não conseguiram votar devido à ausência de material eleitoral em 13 pontos de votação, obrigando a retomada do pleito no dia seguinte. Um funcionário do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) foi preso após assumir a responsabilidade pelo ocorrido.

Com mais de 70% das urnas apuradas nesta terça-feira (14), Keiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori (1990-2000), liderava com 16,8% dos votos válidos. O segundo colocado era Rafael López Aliaga, que soma 12,6% e se apresenta como um Donald Trump latino-americano. Jorge Nieto (centro) registrava 11,7%, próximo a López Aliaga, enquanto Roberto Sánchez, ex-ministro de Pedro Castillo, estava em quarto lugar, com 10,5%.

A disputa pelo segundo turno, previsto para 7 de julho, é inevitável diante da alta divisão de votos — resultado de um recorde de 35 candidatos. Fenômeno similar ocorreu em 2021, quando Pedro Castillo e Keiko Fujimori disputaram o segundo turno com percentuais baixos.

Além do presidente, os peruanos elegeram deputados e, pela primeira vez em 30 anos, senadores, após a recriação da Casa em 2024. O poder, contudo, está concentrado no Legislativo, cuja maioria simples pode afastar o presidente por “incapacidade moral”, segundo a Constituição.

Crises políticas sucessivas, protestos intensos em 2025 e a escalada da violência agravam o cenário. Sem reformas e maior equilíbrio institucional, a estabilidade política do país e a implementação de políticas públicas continuam incertas.