Da redação
O secretário de Esporte de São Caetano do Sul, Mauro Roberto Chekin, é alvo de questionamentos após afirmar durante audiência na Câmara Municipal que “não consegue” lidar com pessoas com deficiência. O episódio ocorreu em 30 de abril e levou a deputada estadual Andréa Werner (PSB) a enviar ofício à prefeitura, nesta quarta-feira, cobrando esclarecimentos.
Segundo a parlamentar, que é mãe de um adolescente autista e também diagnosticada com autismo, o secretário utilizou termos considerados pejorativos e patologizantes ao se referir a pessoas com deficiência. Ela destacou que tais expressões contrariam a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (LBI), que orienta a abordagem de inclusão no setor público.
Durante a audiência, Chekin também afirmou não poder “obrigar” servidores a cumprir o dever de inclusão, o que, de acordo com Andréa Werner, caracteriza omissão administrativa. A deputada ainda questionou quais providências serão tomadas diante do caso e solicitou informações sobre o orçamento previsto para o paradesporto na Secretaria de Esporte, Lazer e Juventude (SELJ) para 2026.
Na ocasião, o secretário relatou ter recusado convite do Comitê Paralímpico Brasileiro para os Jogos Paralímpicos, justificando: “Eu falei: não vou, eu não consigo. Eles, inclusive, se tratam de maneiras muito afetivas e tudo, mas eu não consigo”. Ele também disse: “Inclusão é um dever distante. É um dever do Estado, mas não é um dever meu, pessoa física”.
Chekin questionou como incluir crianças com deficiência em atividades esportivas, citando uma aluna que usa fralda para a natação. A vereadora Bruna Biondi (PSol) rebateu, afirmando que inclusão precisa ser garantida. O secretário ainda referiu-se a pessoas não deficientes como “normais” e alegou não ser possível obrigar profissionais a atuar com pessoas com deficiência.
O capacitismo, ou seja, discriminação contra pessoas com deficiência, é punido pela Lei Brasileira de Inclusão, com penas variando de 1 a 5 anos de prisão, conforme o meio utilizado. A prefeitura, em nota, afirmou continuar investindo em inclusão e reconheceu que a pauta exige evolução contínua na administração pública.







