Da redação
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) divulgou, nesta semana, o relatório “Boletim 20: Oportunidades Desiguais: Infância e Desigualdade Econômica”, que avalia o impacto da desigualdade econômica no bem-estar de crianças em 44 países de alta renda da OCDE. O trabalho destaca como a desigualdade persiste em ambientes ricos.
O documento aponta que, ainda que vivendo em países ricos, crianças não experimentam automaticamente níveis equivalentes de felicidade, saúde ou desenvolvimento acadêmico e social. Foi constatado que a desigualdade econômica provoca condições físicas e resultados acadêmicos mais desfavoráveis entre as crianças desses países.
Segundo o relatório, a diferença de renda entre famílias permanece significativa: os 20% mais ricos recebem, em média, mais de cinco vezes a renda dos 20% mais pobres. Isso faz com que quase uma em cada cinco crianças viva em situação de pobreza monetária, colocando em risco a garantia de necessidades básicas.
Portugal figura na 25ª posição entre os países analisados quanto à desigualdade de rendimentos e ocupa a 18ª posição em relação à taxa de pobreza infantil. Essa disparidade, conforme apontado pelo Unicef, demonstra que a origem nacional não impede a persistência de desigualdades estruturais no acesso a direitos fundamentais das crianças.
O diretor do Instituto Innocenti, Bo Viktor Nylund, afirma que “a desigualdade de rendimentos tem um impacto profundo na aprendizagem escolar, na alimentação e na saúde mental de milhões de crianças”. Crianças em países mais desiguais têm 1,7 vez mais chance de apresentar excesso de peso, além de 65% delas deixarem a escola sem domínio de leitura e matemática.
O relatório recomenda que governos invistam no fortalecimento das redes de proteção social, no apoio à habitação subsidiada em áreas desfavorecidas e na redução da desigualdade e da segregação socioeconômica escolar. Atualmente, apenas 58% das crianças das famílias mais pobres classificam sua saúde como muito boa, frente a 73% entre as crianças dos lares com maior renda.







