Da redação
Setores da direita veem como “vazia” a escolha do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ) de lançar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu filho, como pré-candidato à Presidência. Segundo aliados ouvidos pelo PlatôBR sob reserva, após o anúncio, o PL não buscou articulações para sustentar a candidatura. Um integrante do partido afirmou que a “inércia é proposital” e que a legenda sequer abriu conversas ou buscou lideranças de partidos aliados, pois a candidatura ainda não é vista como definitiva.
O lançamento do nome de Flávio é comparado, por aliados, ao “primeiro movimento de peão em uma partida de xadrez”: o partido espera para ver o que outros candidatos, partidos e lideranças vão fazer antes de avançar. “Temos que ver agora o que os outros peões, os bispos, as torres e os cavalos farão. O que a rainha fará?”, resume um dirigente do PL.
No entanto, a candidatura de Flávio enfrenta resistência até mesmo entre aliados. Apesar de ter subido nas pesquisas nas primeiras semanas, integrantes do PL apontam falta de credibilidade, sobretudo em relação à articulação com o centro político. A recente viagem de Flávio aos Estados Unidos, em que buscava encontro com o secretário de Estado Marco Rubio e foi ignorado, é citada como um erro.
Um aliado do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirma que Flávio encontra dificuldades para atrair partidos e avalia: “Não acho que ele vai desistir, mas vão desistir por ele. E eu estou falando do próprio ex-presidente (Jair Bolsonaro)”.
Entre aliados de Tarcísio, há quem veja a candidatura de Flávio como meramente estratégica. Eles citam o lançamento “às pressas” em 5 de dezembro e a movimentação de Carlos Bolsonaro para disputar o Senado por Santa Catarina, questionando a real intenção da família. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, considerada próxima de Tarcísio, reforçou as dúvidas ao divulgar em suas redes sociais vídeo em apoio ao governador paulista, sinalizando discordância sobre Flávio como candidato.







