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“Lula faz maldade com Dilma”, diz Aécio em entrevista ao Correio

20150718194348893813eO tucano falou, entre outros tópicos, sobre a derrota em Minas, a crise política e econômica do governo Dilma Rousseff e a Operação Lava-Jato.

Depois de mais de oito meses das eleições presidenciais de 2014, o tucano Aécio Neves esboça um sorriso ao ser questionado sobre o que faltou naquela campanha para sair vitorioso: “Faltou voto, né?”. Em seguida, ele emendou: “Vou responder com franqueza. Foi uma luta absolutamente desigual. Não perdi para um partido político. Perdi para uma organização criminosa que se apoderou do Estado”, afirmou, no fim da manhã da quinta-feira passada, no gabinete do 11º andar do Senado.

Ao longo de quase uma hora de entrevista, Aécio falou sobre a derrota em Minas, a crise política e econômica do governo Dilma Rousseff, a Operação Lava-Jato e os reflexos da investigação no Executivo e, agora, cada vez mais fortes, no Legislativo. Mostrou certo desconforto ao ser questionado sobre o fato de petistas o chamarem de golpista e, por último, mirou no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva: “(Sugerir que Dilma viaje) é uma grande maldade que Lula está fazendo. O Brasil tem uma presidente sitiada. E isso, na verdade, parece uma certa vingança dele. Ela vai para onde? Vai para ser vaiada?”.

A entrevista com o senador Aécio Neves ocorreu horas antes das denúncias do executivo Júlio Camargo, da Toyo Setal, de que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), recebeu US$ 5 milhões em propinas relativas à compra de dois navios-sondas da Petrobras. O episódio motivou o anúncio de Cunha de que rompeu com o governo e, agora, é oposição. Ontem, o senador mineiro divulgou nota sobre o caso.

O recesso do Congresso a partir desta semana vai acalmar o clima político de Brasília?
Do ponto de vista de agenda parlamentar, sim. Mas a Lava-Jato não para, não é? A crise não para. Ela apenas se agrava, o Brasil parou. Esse talvez seja o componente não visível, a gente fica vendo denúncia disso, denúncia daquilo… Amanhã vai prender não sei quem. Mas tem uma questão que, a meu ver, fragiliza ainda mais a presidente, que é a economia. A expectativa de receita do governo está muito abaixo do que se previa. Tem uma crise que permeia todas as outras, estou falando do desemprego, da inflação, dos juros altos. É isso que vai emoldurar tudo aí, que é a crise de confiança hoje no Brasil. Ninguém está investindo. Esse programa de concessões que tem sido pouco explorado… Tudo parado, todo mundo com pé atrás. Essa é a crise potencializadora das outras. Sem confiança, você não retoma o crescimento, não administra a base no Congresso. Ninguém respeita mais o governo.

E qual é a solução?
Eu tenho de ter cautela, como presidente do PSDB. Nós não somos protagonistas do desfecho. O desfecho, qualquer que seja, será sempre de responsabilidade do atual governo. Seja para se manter — se reunir as condições de governabilidade, que não estão fáceis —, seja para um outro desfecho que, se tiver de ocorrer, será de responsabilidade do governo. Seja na questão das regras de responsabilidade fiscal, seja pela questão da propina de campanha, seja pela capacidade de se sustentar mesmo, de tocar o país. Eu tenho conversado com muita gente do setor privado. Até dois meses atrás, as conversas eram sobre quando o Brasil retomaria o crescimento. As pessoas falavam: “Será que isso melhora antes da eleição municipal, ou na eleição ainda estará muito grave?”. De dois meses para cá, a conversa não é mais essa. É até quando ela (Dilma) aguenta.

E qual é a expectativa do senhor?

Como presidente do PSDB, tenho de garantir que as instituições funcionem. Toda hora que eu perceber que há uma tentativa de pressão, de manipulação — como tentam fazer volta e meia setores do PT, seja na Polícia Federal, seja no Ministério Público, seja nos tribunais —, temos que denunciar e fazer a contrapressão. Eu vou dizer: vai ter impeachment? Hoje, eu não acho que tenha condições para isso. Não há ainda, o que não impede que venha a ocorrer. O Brasil tem uma legislação para ser cumprida. Eu vejo o advogado-geral da União confessando os crimes das chamadas pedaladas e já querendo estabelecer as penas: “O crime houve, mas sempre houve. Ninguém afastou presidente por causa disso”. Então, para ele (Luís Inácio Adams), houve o crime. Tem uma legislação que pune esse crime e o processo tem de correr, senão os tribunais não são mais necessários. Tem crime, tem de ser punido. Se não teve crime, tem de ser absolvido. E é isso que a presidente não entendeu. Cabe a ela, em vez de focar na oposição, gastar energia, se concentrar em responder e apresentar a versão aos tribunais.

O que acha da sugestão do ex-presidente Lula de pedir para Dilma viajar o país?
Isso é uma grande maldade que o presidente Lula está fazendo. O Brasil tem uma presidente sitiada. E isso, na verdade, parece uma certa vingança dele. Ela vai para onde? Vai para ser vaiada? Hoje, os custos das viagens presidenciais foram para a estratosfera. Antes, tinha o escalão precursor para definir local, palanque. Agora tem de ir um exército antes, para limpar a área. E mesmo assim não consegue. A presidente está sitiada. Além das questões econômicas, há as morais. Ela mentiu aos brasileiros, os brasileiros sabem disso. A cada dia que passa vai ficando mais claro. A mentira foi deliberada, tinha um objetivo, que era vencer as eleições. Não sou eu que estou dizendo, está na cabeça das pessoas. Olha, nós vamos ter, entre agosto e setembro, uma pororoca no Brasil, um encontro das águas turvas.

O fenômeno da pororoca acabou, senador…

Então teremos a reinvenção da pororoca. Nós vamos ter, entre agosto e setembro, votações dessas questões gravíssimas nos dois tribunais (TCU e TSE). Não somos nós, da oposição, que estamos criando esses fatos. Houve crime de responsabilidade, segundo relatório do ministro do TCU e agora já admitido pelo advogado-geral da União, que é extremamente grave. A votação tem de ser técnica, deve ser pela condenação, mas isso, evidentemente, cabe ao tribunal. Temos uma questão no TSE que não somos nós que estamos dizendo. É um dos delatores. Agora, os delatores dizem que houve dinheiro da propina. Por que o Ricardo Pessoa disse que foi extorquido? Ele fala do responsável pela campanha da Presidência da República, o tesoureiro do PT. “Ah, mas o tesoureiro não atuava na campanha.” Engano, o tesoureiro arrecada sim, e o dinheiro que ele arrecadou foi para a campanha. Tem mais de R$ 30 milhões arrecadados no estilo Vaccari, que foram para a campanha, foram transferidos para o diretório e para a campanha. Não sou eu que estou dizendo, é a polícia. Nós vamos ter o início das denúncias em relação aos envolvidos na Lava-Jato. Isso se prevê para o começo de agosto, quando começarem as denúncias.

Inclusive contra os parlamentares…
Principalmente os parlamentares. Estou dizendo: é o quadro da nova pororoca. Isso vai criar uma instabilidade enorme. Há várias delações de que ainda não se tem conhecimento. E vai ter o início das denúncias do STF, que podem atingir muita gente. Além disso, novas operações Lava-Jato podem chegar ainda mais próximo do governo. E, com tudo isso, dois componentes que, a meu ver, são nitroglicerina pura: economia degringolando e desemprego aumentando de forma muito vigorosa. Eu conversei com o Robson (Andrade) da CNI na semana passada e ele disse que, pela primeira vez na história, todos os setores da indústria, sem exceção, estão demitindo.

Quanto tempo o país sobrevive nessa situação?
Eu não tenho bola de cristal. Se ela (Dilma) não reassumir o comando do país, eu acho que, naturalmente, as dificuldades dela serão muito maiores. As pessoas falam sobre o negócio do impeachment. Eu não estou esperando a queda da presidente, eu estou esperando que ela assuma o segundo mandato. Não assumiu até hoje, não tem governo. Agora, se ela não assumir, no vácuo o país não pode ficar. O país não pode navegar três anos no vácuo. Ou ela assume o governo e encontra forças, resgata um pouco a confiança, ou não vai a lugar nenhum. E o que falta? Falta humildade. A presidente precisa ter humildade não para dizer que as coisas estão difíceis, mas para reconhecer que as coisas estão muito difíceis por causa dela, por causa do governo dela, do despreparo da incompetência, da corrupção. Ela deveria ter tido essa coragem na campanha eleitoral, para dizer onde o país estava mergulhado. E não ter mentido, porque a mentira é a arma daqueles a quem falta coragem. Enquanto ela não reconhecer, ela não inspira confiança.

Existe uma ansiedade no Congresso com a Operação Lava-Jato.
Há uma aposta de setores do governo de que é possível se transferir essa crise para o Congresso. Mas isso, mais uma vez, é um autoengano. Acho que o Congresso terá problemas se as coisas avançarem. Obviamente que o Congresso vai ter de dar respostas para a sociedade, não apenas para a oposição. Mas é absolutamente impossível que essa crise se descole do seu fator motivador, que é o Poder Executivo. Dividir isso vai ser sempre uma tentativa. Mas eu reconheço que, aqui no Congresso, vamos ter problemas, e isso nem começou ainda.

A crise, de qualquer forma, envolve dois Poderes…
É muito preocupante, porque o Congresso deveria ser o poder do equilíbrio, moderador. Eu não sei a dimensão do que está por vir, mas teremos de conviver com isso. Nosso papel vai ser sempre lutar para preservar o Congresso. Os problemas devem ser individualizados, não podem ser institucionalizados. Se tiver problemas mais graves envolvendo parlamentares, temos de deixar claro que eles terão de se explicar. Agora, não permitiremos que essa tentativa de manobra do governo tenha resultado, de o governo se livrar da responsabilidade, porque as pessoas não acreditam. Isso foi uma tentativa envolvendo alguns setores para tentar criar um cenário em que as empresas se organizaram para lesar o Estado. Em conluio com alguns diretores da Petrobras, caracterizaram a empresa e o governo como grandes vítimas disso. Isso é um absurdo, caiu no primeiro momento que o dinheiro desse esquema montado irrigava as campanhas do PT e dos aliados. Com essas denúncias sucessivas, fica claro que se montou uma estrutura criminosa na Petrobras, e sabe-se lá onde mais.

Numa perspectiva histórica, se for considerada a queda de Dilma, teremos dois dos quatro presidentes eleitos pelo voto da população fora do poder. O país não se iguala a republiquetas?
Pelo contrário. Eu acho que é bom para o país que presidentes que cometeram crimes sejam punidos, não por um movimento político, mas porque cometeram crimes. Se a gente for dimensionar o crime do (Fernando) Collor, algumas pessoas dizem que talvez ele fosse julgado no tribunal de pequenas causas. O que foi importante naquele processo do Collor? As instituições se mostraram muito fortes. O Brasil passou por um governo de transição, que foi o governo Itamar (Franco). Acabou sendo o governo da estabilidade da moeda, talvez um dos maiores avanços estruturais. Mas muita gente tinha preocupação, nós tínhamos uma democracia de seis, sete anos. O que transformará o país numa republiqueta é se as nossas instituições se curvarem ao peso do governo, à pressão do governo.

O PSDB estaria preparado para um eventual governo de coalizão com o PMDB?
Essa nunca foi uma questão discutida internamente. Acho que o país, para iniciar um processo de retomada do crescimento com as medidas necessárias, precisará ter um presidente legitimado.

O PSDB não teme que um governo Michel Temer, se vier, construa uma alternativa por dentro que possa tirar a posição do PSDB hoje?
Não posso especular. Se houver um governo Temer, vamos ter que nos reunir e discutir. O PSDB tem uma responsabilidade. Nós, desde o fim da eleição, nos reconectamos com setores da sociedade dos quais estávamos divorciados, que há décadas não davam bola para o PSDB, nem o PSDB se preocupava com eles. A forma como essa eleição se polarizou no final despertou um pedaço do Brasil, que de alguma forma se identificou com o PSDB. E o nosso papel é manter isso vivo. Digo permanentemente: nosso foco não pode ser apenas a disputa congressual. Aqui, somos minoria. Nosso discurso é para fora. O PSDB é hoje o partido sintonizado com grande parte das pessoas que estão indignadas com tudo o que está aí. E o que nós temos que fazer? Temos que nos mostrar preparados para iniciar um novo ciclo no Brasil, seja agora, seja no fim deste mandato.
O que faltou em 2014 para o PSDB vencer a eleição?

Voto, né? (risos). Mas vou responder com muita franqueza: foi uma luta absolutamente desigual. Não tenho receio de repetir: não perdi para um partido político. Perdi para uma organização criminosa que se apoderou do Estado, que se financiou e financiou seus aliados, inclusive para ampliar a sua coligação, para garantir tempo de tevê. Utilizou empresas públicas, como Correios e outras de forma absolutamente condenável. Mentiu aos brasileiros. Nunca se manipulou tanto o Estado por um projeto de poder. E o terrorismo eleitoral? Houve cidades no interior do Maranhão em que tive, no segundo turno, 7%. Isso porque as pessoas não tiveram a opção de votar em outra candidatura. Era votar (no PT) ou perder o Bolsa Família. Carros de som andavam nas regiões remotas, era a mesma gravação, temos isso no processo, “Se votar no 45, seu título de eleitor está cadastrado e você automaticamente desligado do Bolsa Família, do Minha Casa Minha Vida”. Não foi uma eleição com um grupo político, onde a gente pudesse ter debatido ideias e projetos para o país. Tivemos uma presidente que mascarou a verdade, iludiu, adiou medidas, que é o mais grave. Além da mentira, medidas que poderiam ter sido tomadas um ano antes da eleição, ou no próprio ano da eleição, para minimizar o custo hoje para os brasileiros, não foram tomadas.

O senhor fala em reajuste de energia?

Sim, a desconcentração dos reajustes de energia, de combustíveis, a requalificação dos programas. O Pronatec saltou de R$ 5 bilhões para R$ 7 bilhões no ano da eleição. Agora, vai cair para menos de R$ 5 bilhões este ano. O Fies saltou de R$ 7 bilhões para R$ 13 bilhões, ou seja, quase dobrou em um ano. Que fiscalização que tinha? Nenhuma. Era dar, distribuir. Aquele seguro defeso, de 2013, era de R$ 500 milhões, passou para R$ 2 bilhões, agora vai cair para R$ 300 mihões. O que fizeram? Usaram o que não tinham, distribuíram como se fosse aquela velha e antiga compra de votos. Sabiam que era preciso contingenciar recursos. Transferiram a responsabilidade para a Caixa, o Banco do Brasil, o BNDES, para pagar contas do Tesouro, pegaram dinheiro do Tesouro para ampliar esses programas. Anunciaram isso como a oitava maravilha do mundo, sabendo que, no ano seguinte, não teriam condições de mantê-los. Eu perdi para essa estrutura. O que fizemos foi quase que milagroso. Por isso, a dimensão da indignação das pessoas hoje. Isso funciona quase como uma gangorra. Como nós polarizamos no final, essa derrocada do PT valoriza o PSDB.

Como assim?
Nós temos pesquisa, com algo que antes era inimaginável para nós. Na faixa de 16 a 24 anos, temos — o PSDB, não sou eu — muito mais aprovação do que o PT numa faixa que sempre foi deles e era dificílimo para nós do PSDB. Não duvido que numa próxima pesquisa venhamos na frente no geral.

A pesquisa da CNI mostrou que o senhor está à frente de Lula e que Geraldo Alckmin também está no páreo. Como está isso dentro do PSDB? O senhor tem a primazia por ter resgatado a história do partido na sua campanha. Isso é suficiente?

Eu me orgulho muito de ter ajudado a resgatar o legado do PSDB. O PSDB, até a nossa candidatura, estava no divã, vivia uma crise de consciência, não sabia se defendia ou não defendia (as privatizações), atemorizado com as críticas. (A campanha do resgate) foi algo que não foi improvisado. Desde o início falei que nosso caminho era resgatar. Se nós, que falamos em nome do partido, não temos firmeza para mostrar que confiamos no que fizemos, imagine os eleitores que são mais distantes da gente? Então, esse foi um ponto de inflexão do PSDB. Nós nos reconciliamos com a nossa história e começamos a brigar por ela. Esse é um grande ativo que reconstruímos. Mas não podemos cair na armadilha de antecipar o cenário eleitoral. É muito positivo o PSDB ter um nome como o do Geraldo, o Serra é sempre um nome que estará se movimentando. O que temos que ter é responsabilidade para, no momento da decisão, o candidato ser aquele que tem melhores chances de vencer, e aí é pelo Brasil e não é nem por nós. Se amanhã tiver um candidato em melhores condições do que eu, isso vai ficar claro. Se não, ficará claro para os outros também. O meu papel agora, reeleito presidente do PSDB pelos próximos dois anos — e aí a campanha me ensinou muito — é ir a lugares onde a gente inexiste. Um partido como o PSDB, opção real de poder, tem nove estados sem um deputado. Um! Tem sete, oito, em que temos um.

Então, a missão é crescer…

A missão é reorganizar o partido. Estou lançando uma grande campanha de filiação, com foco nas universidades. Vamos para a periferia, enfrentá-los nesse discurso também, resgatar o nosso papel — o que ainda não consegui fazer como gostaria, de início, dos programas de transferência de renda. Isso começou com o PSDB. E o governo do PT está tirando isso agora. O PT ampliou, mas está tirando com a inflação. Começo em Alagoas, em 14 de agosto, uma ampla campanha conectado em videoconferência com o Brasil inteiro. Estamos preparando nossa militância jovem, que já está ganhando DCEs e DAs, o que não acontecia.

Na última convenção se viu um PSDB mais jovem e diverso. É isso?
Estamos apostando nisso. Meu papel é esse. O PSDB está sem medo. Perdeu o medo de ir para os debates. Nossa garotada, minha filha estuda na PUC, é tímida, não entra, mas outro dia me dizia: há dois anos, era PT com PCdoB, aí vinha o cara do PSol, do PSTU, e se restringia a essas disputas. Agora, não. Tem uma chamada onda azul nas universidades baseada no PSDB, num pensamento mais liberal, em que estão indo e estão ganhando. Então, houve esse despertar. Isso é a coisa mais bacana que está acontecendo.

Minas está resolvido, em relação à derrota?
Não escondo que foi uma frustração. Tenho que ter humildade para reconhecer os nossos erros ali, talvez um distanciamento maior meu. Nossa campanha, não obstante a qualidade do candidato (Pimenta da Veiga), não engrenou. Mas hoje as pesquisas mostram que eu teria mais de 70% de intenções de voto.

O senhor ficou muito confiante e acabou deixando de lado?
Houve uma certa delegação para a estrutura que tínhamos lá. Talvez eu não tenha percebido que havia certa fadiga também, que não existia no fim do meu mandato. Tem gente que acha que fui governador de Minas até a eleição (presidencial). As pessoas não lembram direito que eu não era governador e estava aqui há quatro anos. Talvez eu não tenha calibrado bem isso, mas é do jogo político. A política tem isso mesmo, fadiga de material.

Essa caravana a partir deAlagoas tem como ideia dar uma dimensão nacional do PSDB?
Temos uma programação intensa. A cada 15 dias estaremos visitando dois estados. Estamos batizando de caravana da gratidão. Vamos fazer algo sem preocupação eleitoral, reunindo esses setores do partido: juventude, mulheres, negros, a área sindical. É um grande momento para o PSDB. Vamos para Alagoas, para o Rio Grande do Sul; estive em Manaus e foi extraordinário.

Nesses locais onde vocês não são conhecidos, o trabalho será mais forte?
Temos que ter algumas prioridades. Encontrar o discurso para o Nordeste é um grande desafio, sempre foi para nós. Mas isso nunca esteve tão fértil quanto agora. Como agora não é processo eleitoral, as coisas podem ser feitas mais devagar. A nossa ideia é mostrar que quem tirou as conquistas que o Nordeste teve foi este governo.

Como o senhor vê os movimentos do Lula em relação a Dilma? O Lula sempre teve uma boa relação com o senhor, não teve?
Eu sempre tive com o Lula uma relação republicana. Eu o conheci aqui em Brasília (na época da Constituinte). Eu não sei se ele tem rancor comigo, porque ele me deixava no banco no time do Congresso. Mas no fim da campanha ele começou a, não sei se pelo receio do que podia vir, se apequenar no discurso, com ataques absolutamente sem sentido para um ex-presidente da República. Acho que o Lula hoje é um líder cercado por todos os lados e quase à beira de um ataque de pânico. Ele vê que o grande legado dele está indo embora. Mas a responsabilidade que ele quer transferir para a presidente, ele não pode fazer, porque é dele. Ele é responsável por este governo.

Dentro desse discurso, tem a afirmação do golpismo. Como o senhor lida com isso?
Isso é uma tática do PT absolutamente conhecida e absolutamente clara. Se você fala que o Tribunal de Contas vai investigar, o PT diz que é golpe. Se disser que o TSE tem averiguar sobre irregularidades nas contas, é golpe. Se o povo vai para a rua, é o golpe da direita. Se vocês publicam que o Vaccari (João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT) foi preso e que o delator disse que foi dinheiro para a campanha, é imprensa golpista. Nessa estamos todos juntos, somos todos golpistas, menos o PT.

O PSDB perdeu o medo do Lula?
Perdeu. Hoje, é o Lula quem tem medo do PSDB.

Até as 19h de 26 de outubro, a eleição estava na sua mão. Mas tudo mudou. Como estaria a vida de Aécio Neves em caso de vitória?
A minha vida pessoal talvez não estivesse tão tranquila como está hoje. Agora consigo estar com meus filhos de manhã cedo, na hora do almoço, consigo chegar para estar com eles antes de dormir. Para o Brasil, se nós tivéssemos ganhado as eleições, a perspectiva seria outra. Não pelo meu mérito pessoal. Talvez meu mérito seria montar uma equipe extremamente qualificada e não ia passar pelo drama da presidente da queda da confiança. Porque eu iria fazer coisas nas quais eu acredito. A presidente está fazendo coisas nas quais ela não acredita. Ela terceirizou a economia para alguém que defende as teses que ela combateu a vida inteira, a política para quem ela desprezou durante os quatro primeiros anos de seu mandato.

O senhor teria convidado o Levy?
Para ser ministro? Não, não teria convidado o Levy.

Qual seria o ajuste econômico do PSDB?
O ajuste que o PT faz é absolutamente rudimentar. Ele tem dois pilares e não conseguiu sair deles: aumento de carga tributária e supressão de direitos. O ajuste que nós faríamos geraria expectativas de longo prazo, o que o PT não consegue. Teria o fortalecimento das agências reguladoras e mais previsibilidade. Sabia que íamos passar por tempos difíceis e não escondi isso durante a campanha. Quem escondeu foi a presidente. Ela ficava nos acusando de que faríamos ajuste e não me permitiu sequer esse debate, que seria saudável para o Brasil. Que tipo de ajuste, onde poderiam ser feitos cortes? Ela não admitia. Como fazer o processo de enfrentamento da inflação galopante? “Não tinha inflação”. Como trazer de volta os investimentos? “Investimentos estão vindo para o Brasil, o Brasil vai voltar a crescer”. Em um dos debates, eu disse que o Brasil iria crescer 0,3%. “O Brasil vai crescer mais de 3%, que números são esses, vocês são uns pessimistas”. Cresceu 0,1%. Não é possível que ela não soubesse disso.

A contração econômica seria inevitável, independentemente de quem ganhasse as eleições?

Haveria contração, mas ela se agrava porque o governo não inspira confiança. Como você supera retração? Com investimentos públicos e privados. Os privados não vieram e os públicos foram reduzidos 35% neste primeiro semestre. Essa equação para a qual estamos indo é altamente recessiva. Com juros na estratosfera para enfrentar uma inflação que não é de demanda, é de preços controlados. Não temos um projeto de retomada de indústria, de modernização, de competitividade, investimento em produtividade. Os investimentos em infraestrutura ficaram no meio do caminho. Qual é a realidade perversa do Brasil hoje? Nós voltamos a ser o que éramos há 60 anos, exportadores de commodities.

Como o senhor está encarando a questão do governador Fernando Pimentel?

É preciso que se investigue. Não tenho informações que permitam antecipar qualquer cenário. Mas todos nós, homens públicos, temos que responder a quaisquer questões que surgem. Tenho e sempre tive uma relação muito positiva com o Pimentel. Agora, as denúncias que estão vindo pela Polícia Federal têm de ter uma explicação. Eu não torço para que Minas se desorganize, para que o governador de Minas seja expulso. O que falta em Minas hoje é respeito às conquistas que são dos mineiros. É preciso que ele pare de governar olhando para o retrovisor, talvez para mascarar a baixa qualidade do seu governo e a impossibilidade de ele cumprir as promessas que fez para a população. Está na hora de ele também assumir o governo.

Quando o senhor fala em olhar para trás, fala de Eduardo Azeredo, que, para vocês, também é uma coisa cara?
Azeredo está respondendo a processo. Tem que ter o direito de se defender e, assim como qualquer outro, se for responsabilizado, não será, como outros, tratado como herói nacional. Eu me refiro a uma tentativa de desconstrução de avanços que fizeram de Minas referência nacional e internacional.

Como o senhor, que está morando agora em Brasília, avalia o governo de Rollemberg?

Tenho uma ótima relação com o Rodrigo. Ele pegou uma herança complicada e está tentando enfrentar as dificuldades. Não dá para fazer uma avaliação de resultados, mas o vejo muito empenhado. Governante tem que saber que governar é enfrentar dificuldades e é preciso que se enfrente com coragem e falando a verdade. E não mascarando a realidade e tentando responsabilizar os outros por falhas e incapacidades que são as suas próprias.

Será mantida a aliança com o PSB nas eleições municipais?
Podemos até manter a aliança. Essas eleições municipais vão pegar o PSDB em um ótimo momento e o PT nas cordas. Se hoje a máscara já caiu para alguns, no ano que vem vai cair para todos. No ano que vem vamos ver, infelizmente, o agravamento da situação econômica, fruto da obra do governo do PT. Estamos fazendo um levantamento no partido das 300 maiores cidades do Brasil, sempre abertos para alianças. Já há um deslocamento de aliados tradicionais do PT que não querem disputar eleições próximos ao PT.

A qualidade de vida em Brasília é tudo
Estou adorando ficar mais tempo aqui em Brasília. Minha vida ficou mais racional. Passo um fim de semana aqui, outro em Minas. Agora consigo estar com meus filhos de manhã cedo, na hora do almoço, consigo chegar para estar com eles antes de dormir. Estou com filho

pequeno, né? (o casal de gêmeos). Brasília permite uma qualidade de vida que não há em outra cidade grande.

O lugar que mais me atrai aqui é o Jardim Botânico. Estou correndo lá direto porque fica perto de casa. É lindo. Tem uma pistinha que dá quase cinco quilômetros. Já levei as crianças lá. É o lugar a que tenho ido. Para mim, foi a novidade, porque o resto eu já conhecia.

Fonte: Correio Braziliense

Período de recesso no Congresso não deve ser tranquilo para parlamentares

20150719203115340297oPolíticos aguardam novas investidas da Operação Lava-Jato contra parlamentares acusados de se beneficiarem de desvios da Petrobras, como o presidente da Câmara.

O anúncio do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), na última sexta-feira, de que cortou relações com o Planalto após ser acusado de ter recebido US$ 5 milhões em propinas comprova que o recesso parlamentar de julho será tenso. Nada de férias, nada de folga na crise. Afinal, a Operação Lava-Jato promete ter novas investidas nos próximos dias, a inflação e os juros continuam em alta e o nível de desemprego acelera. À crise política, econômica e ética, soma-se uma institucional. Ao menos por ora, não existe possibilidade de paz nos corredores do poder.

“Teremos um mero recesso congressual. A crise continuará aí, viva, latente, em todos os cantos deste país”, acredita o presidente nacional do DEM, senador José Agripino Maia (RN). “Do ponto de vista prático, esse recesso não mudará nada no quadro que estamos vivendo”, acredita o parlamentar.

Nos próximos dias, o Tribunal de Contas da União (TCU) deve analisar as chamadas pedaladas fiscais da presidente Dilma Rousseff — o atraso nos repasses do Tesouro aos bancos públicos que custeiam programas sociais para garantir a obtenção da meta de superavit primário. Além disso, novos desdobramentos da Operação Lava-Jato devem culminar com a denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar os políticos envolvidos na Lava-Jato.

O recrudescimento da etapa política da Operação Lava-Jato mudou um pouco o cenário da crise, ampliando os problemas. Se antes apenas o Executivo ficaria ardendo durante a folga branca de deputados e senadores, agora muitos parlamentares estão na mesma fogueira.

Fonte: Correio Braziliense

Entrevistado 17/7: Erika Kokay, Deputada Federal

A Deputada Federal Erika Kokay, será a  entrevistada de hoje no programa Conectado ao Poder, na rádio OK FM. Sintonize 104,1 FM e ouça das 20h às 21h.

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Conheça o ranking das regiões administrativas com mais sujões no DF

20150716223232487776oNo WhatsApp do Correio, leitores apontam o Plano Piloto como a região com mais lixo nas ruas, seguido de Sobradinho e Ceilândia. Segundo o SLU, o Guará é a que demanda limpeza mais frequente.

O brasiliense reclama insistentemente do asseio da capital federal. Com razão. Ruas e praças se tornam alvo constante do descarte incorreto do lixo. Nas últimas semanas, o Correio recebeu centenas de flagrantes pelo WhatsApp (9256-3846).

Nenhuma das 31 regiões administrativas ficou fora do mapa da sujeira. Porém, 37% das reclamações dos leitores são referentes às asas Norte e Sul e aos lagos Norte e Sul. Na sequência, aparecem Sobradinho, com 13%, Ceilândia e Guará, com 8% cada. De acordo com o Serviço de Limpeza Urbana (SLU), a RA mais suja é o Guará, seguida de Ceilândia, São Sebastião, Planaltina e Recanto das Emas. Por dia, os garis recolhem 2,7 mil toneladas de lixo no Distrito Federal.

O problema revela a falta de consciência ambiental. Qualquer item que não sirva mais é colocado indiscriminadamente na rua. Hoje, segundo informações da Agência de Fiscalização, são 897 locais críticos — nos quais o GDF faz a limpeza, mas voltam a ser pontos irregulares de descarte. Desafio que enfatiza a falta de políticas públicas e a atitude do brasiliense. A zona central da cidade, onde estão os principais monumentos turísticos, é apontada como o maior obstáculo da higiene. “Passo por aqui todos os dias e sempre está sujo. Esse é o reflexo da educação das pessoas, que não se incomodam em jogar o copo de suco, o guardanapo do pastel ou o espeto do churrasquinho no chão. Até parece que não interfere na vida de todos nós”, reclama a secretária Ivone Cristina Fernandes, 36 anos.

“A limpeza é precária, quase não existe. O serviço do governo já não é bom, e os moradores não colaboram. Meus vizinhos, por exemplo, não respeitam o horário da coleta”, conta Regiane Maria Martins, 45, servidora pública. Moradora da 707 Sul há seis anos, ela diz que o asseio do local piorou nesse período. “Antes, víamos mais garis limpando as ruas; agora, não mais. E isso incentiva algumas pessoas que não têm tanta consciência”, afirma.

Fonte: Correio Braziliense

Condenado por atear fogo em índio no DF tem posse na Polícia Civil barrada

galdinoAprovado em concurso, ele foi reprovado na ‘sindicância de vida pregressa’. Recurso foi negado porque exigência constava em edital do certame, diz TJ.

O Tribunal de Justiça do Distrito Federal negou recurso do candidato aprovado em concurso da Polícia Civil, mas que foi desqualificado do certame por ser reprovado na etapa de sindicância de vida pregressa. Ele foi condenado em 2001 por participação no assassinato do índio Galdino Jesus dos Santos.

O crime aconteceu em 20 de abril de 1997, quando o candidato tinha 16 anos. Ele e outros quatro jovens de classe média de Brasília atearam fogo no índio, que dormia em uma parada de ônibus da W3 Sul.

Na época, o então adolescente foi encaminhado para um centro de reabilitação juvenil, condenado a cumprir um ano de medidas socioeducativas, mas passou apenas três meses internado.

Ele foi aprovado em todas as etapas de um concurso da Polícia Civil aberto em outubro de 2013. O rapaz havia superado as provas objetiva, física, médica, psicológica e toxicológica. O salário para o cargo de agente de polícia era de R$ 7,5 mil.

Depois de ser impedido de assumir a vaga, o candidato entrou com um mandado de segurança na 5ª Vara da Fazenda Pública do DF, que foi negado pelo juiz. A decisão mais recente se refere ao recurso impetrado na 4ª Turma Cível do TJ. A partir de agora ele só pode recorrer no Superior Tribunal de Justiça (STJ) ou no Supremo Tribunal Federal (STF).

Galdino, índio morto queimado no DF (Foto: TV Globo/Reprodução)Galdino, índio morto queimado no DF
(Foto: TV Globo/Reprodução)

Segundo o edital do concurso, realizado pelo Centro de Seleção e de Promoção de Eventos da Universidade de Brasília  (Cespe/UnB), a sindicância da vida pregressa e investigação social avalia a idoneidade moral do candidato no âmbito social, administrativo, civil e criminal.

O requisito consta no edital como “indispensável para aprovação” no concurso e é avaliado por uma comissão formada pela direção da Polícia Civil.

Negado
No recurso, o candidato alegou que já pagou pela infração praticada e que por isso não seria lícito continuar punido “ad eternum” o que na prática iria significar pena perpétua, vedada pela Constituição. A defesa também disse que, após mais de 17 anos desde o fato e de 15 anos de cumprimento da medida de liberdade assistida, a exclusão do concurso seria inconstitucional e ilegal.

Na decisão, o relator da 4ª Turma Cível afirmou que o candidato aceitou as condições que constavam no edital do concurso, entre elas a possibilidade de sindicância da vida pregressa. Segundo o relator, o rapaz concordou com o item que contemplava a possibilidade de que o crime praticado contra o índio Galdino se tratava “de fato desabonador de sua conduta, incompatibilizando-o com o cargo de agente de polícia da carreira de Polícia Civil do Distrito Federal”.

Na sentença consta que não se trata de punição perpétua, pois a decisão apenas dá prestígio à “moralidade pública, levando em consideração fato trazido à tona em fase regular do concurso público, para cuja avaliação a autoridade pública está devidamente autorizada, não só por lei, mas também pelo princípio da moralidade constitucional, cabendo destacar, ainda, que o ato de não-recomendação, em si, se contém dentro dos limites da proporcionalidade e da razoabilidade, princípios que, igualmente, têm assento na Constituição da República”.

Crime
O candidato aprovado no concurso e outros quatro jovens foram condenados em 2001 por queimar vivo o índio Galdino, que dormia em uma parada de ônibus da Asa Sul. O crime foi cometido em 20 de abril de 1997. O índio tinha 44 anos. Os envolvidos fugiram após o crime.

Um homem que passava pelo local anotou o numero da placa do carro dos jovens e entregou à polícia. Horas depois, Galdino morreu. Ele teve 95% do corpo queimado – o fogo só não atingiu a parte de trás da cabeça e a sola dos pés.

Quatro anos após o crime, Max Rogério Alves, Eron Chaves de Oliveira, Tomás Oliveira de Almeida e Antônio Novély Cardoso de Vilanova foram condenados pelo júri popular a 14 anos de prisão, em regime integralmente fechado, pelo crime de homicídio triplamente qualificado – por motivo torpe, meio cruel e uso de recurso que impossibilitou defesa à vítima. Por ser menor, o jovem que passou no concurso da Polícia Civil foi condenado a um ano de medidas socioeducativas.

Galdino havia chegado a Brasília um dia antes de ser morto – 19 de abril, Dia do Índio. Ele participou de várias manifestações pelos direitos dos indígenas.

Condenados por crime hediondo, Max, Antônio, Tomás e Eron não teriam, à época, direito à progressão de pena ou outros benefícios. A lei prevê a liberdade condicional após o cumprimento de dois terços da pena. Em 2002, a 1ª Turma Criminal fez uma interpretação diferente. Como não há veto a benefícios específicos na lei, os desembargadores concederam autorização para que os quatro exercessem funções administrativas em órgãos públicos.

A medida permitia estritamente que os quatro saíssem do presídio da Papuda para trabalhar e retornassem ao final do expediente. A turma de juízes chegou a permitir que os quatro também estudassem. Como há proibição específica na Lei de Execuções Penais, o Ministério Público recorreu e conseguiu revogar a permissão de estudo para Eron Oliveira e Tomás Oliveira. Mesmo assim, eles continuaram matriculados e frequentando aulas em universidades locais, contrariando a decisão.

Em outubro do mesmo ano, três dos cinco rapazes condenados foram filmados bebendo cerveja em um bar, namorando e dirigindo os próprios carros até o presídio, sem passar por qualquer tipo de revista na volta. Após a denúncia, os envolvidos perderam, temporariamente, o direito ao regime semiaberto, que era o que permitia o trabalho e o estudo externos.

Em agosto de 2004, os quatro rapazes ganharam o direito ao livramento condicional, mas eles precisam seguir algumas regras de comportamento impostas pelo juiz no processo para manter a liberdade, como não sair do DF sem autorização da Justiça e comunicar periodicamente ao juiz sua atividade profissional.

Fonte: G1

Empresa reduz 63 linhas de ônibus no DF durante férias; veja afetadas

onibus-terminalSão 38 no Plano Piloto, 13 em Sobradinho e 12 em Planaltina. Demanda na região cai 26% no período, diz DFTrans.

Com a redução da demanda durante as férias escolares, o DFTrans autorizou que a Piracicabana reduzisse 63 linhas durante os dias 18 e 31 de julho. A empresa roda na região norte do DF e no Plano Piloto. A estimativa é que o recesso cause queda de 26% na procura pelo serviço.

Das que rodam no Plano Piloto, Cruzeiro, Guará I e II, a redução foi de 38 linhas. As afetadas são: 0.168, 0.107, 0.114, 0.115, 0.140, 0.151, 0.166, 105.2, 106.2, 107.1, 110.2, 136.6, 136.7, 140.1, 151.1, 0.006, 0.007, 0.023, 0.025, 0.031, 0,032, 0.035, 0.104, 0.116, 0.122, 0.169, 103.2, 104,1, 115.1, 115.2, 136.1, 136.5, 136.9, 151.2, 152.2, 0.116, 116.1 e 0.150.

Em Sobradinho I e II e na Fercal, 13. As linhas atingidas são 0.509, 501.1, 501.3, 501.4., 0.504, 0.513, 0.517, 0.521, 0522, 504.1, 512.1, 517.2 e 531.1. Em Planaltina, mais 12: 0.600, 0.601, 0.605, 0.617, 600.2, 602.1, 605.1, 616.3, 642.1. 0.640, 0.641, 0.643.

Fonte: G1

Cunha cita bando de aloprados no Planalto e diz: ‘Agora sou oposição’

alx_cunha_originalCitado por delator, presidente da Câmara afirmou que é vítima de perseguição política. E que não será arrastado pelo PT para a ‘lama’ do petrolão.

Depois de declarar guerra ao Palácio do Planalto, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), fez nesta sexta-feira seu mais duro ataque ao governo e ao Partido dos Trabalhadores. Arrastado para o centro do escândalo do petrolão – o lobista Julio Camargo, da Toyo Setal, contou à Justiça que o peemedebista pediu 5 milhões de dólares do propinoduto da Petrobras para agilizar contratos na estatal -, Cunha formalizou oficialmente seu rompimento com o Planalto. E afirmou que que é vítima de uma perseguição política orquestrada pelo governo. “Tem um bando de aloprados no Planalto que vive desse tipo de circunstância, de criar constrangimentos. Esse bando de aloprados é que precisa ser investigado”, disparou. Instado a citar a quais aloprados se referia, Cunha não citou nomes. A expressão é a mesma utilizada pelo ex-presidente Lula em referência aos responsáveis por forjar um dossiê com falsas denúncias contra o então candidato José Serra (PSDB) nas eleições de 2006 – na ocasião, o coordenador da campanha de Aloizio Mercadante, hoje ministro da Casa Civil, ao governo de São Paulo, Hamilton Lacerda, foi filmado entrando com uma mala no hotel onde seriam presos dois dos envolvidos no escândalo.

“O presidente da Câmara agora é oposição ao governo. Eu, formalmente, estou rompido com o governo. Politicamente estou rompido”, afirmou. Cunha disse ainda que pregará, no congresso do PMDB, que o partido rompa oficialmente com o governo. “Não há como aceitar que meu partido faça parte de um governo que quer me arrastar para a lama dele”. O presidente da Câmara disse que, ao contrário do PT, o PMDB não está envolvido no esquema que sangrou os cofres da estatal – e não tem tesoureiros presos, em referência a João Vaccari Neto. “O governo sempre me viu como uma pedra no sapato, sempre tentou me enfrentar na eleição. Não sei se é medo de mim. É porque o governo não me queria, não me quer na presidência da Câmara. O governo não me engole, tem um ódio pessoal contra mim”, disparou.

O peemedebista afirmou que seu rompimento é pessoal, e que não altera sua posição institucional. “Nada deixará de ser pautado ou impedido. Teremos a seriedade que o cargo ocupa. Porém, o presidente da Câmara é oposição ao governo”, afirmou o peemedebista. O anúncio de Cunha pode acarretar consequências graves ao governo da presidente Dilma Rousseff e, politicamente, indica um afastamento inédito e sintomático do PMDB dos cabides do poder no momento em que a crise política beira a temperatura máxima.

A artilharia de Cunha não poupou o juiz federal Sergio Moro, responsável por conduzir os processos da Operação Lava Jato em primeira instância, e a Procuradoria-Geral da República, capitaneada por Rodrigo Janot. “É uma orquestração que tem efetivamente a participação do governo. Desde a abertura de inquérito até essa ação do procurador. Janot, de certa forma, negociou sua prerrogativa e sua consciência visando a recondução ao cargo. Quem pode fazer sua condução é o governo, e como ele está a serviço do governo, é obvio que tem essa interação”, afirmou o peemedebista. “Há um ânimo persecutório do procurador da República”. Sobre Moro, Cunha disparou: “Moro acha que o Supremo Tribunal Federal e o Supremo Tribunal de Justiça se mudaram para Curitiba e que ele é o dono de todos. É um erro que ele comete, e que pode acabar tornando nulas muitas das ações que fez. Ele está invadindo uma competência que não é dele”. Cunha, no entanto, defendeu a prisão dos envolvidos no esquema investigado pela Lava Jato e afirmou que falta gente na carceragem de Curitiba.

O parlamentar ainda chamou o delator Júlio Camargo de “pilantra”. “Você acha que eu vou acreditar em um pilantra que fala quatro vezes uma coisa e cinco vezes outra? Ninguém confirma o que ele falou. Você acha que eu vou pautar a minha vida política com base no que disse um bandido, réu confesso, lobista ou outro doleiro preso? Eles é que provem. Até porque a lei da delação é muita clara: a palavra do delator não é prova para nada, eles têm que configurar provas”, afirmou.

O presidente da Câmara ainda disse estranhar o fato de que os nomes de Dilma e Lula tenham sido citados pelo delator Alberto Youssef e nenhuma investigação tenha sido aberta a respeito – ao contrário do que houve com ele. “É preciso saber que, seletivamente, estão pegando as coisas do Youssef e colocando onde querem”, afirmou Cunha. O peemedebista afirma que Janot forçou o delator Julio Camargo a alterar seu depoimento e que o governo deu início, em 23 de junho, a uma devassa fiscal contra ele. “Não dá para aceitar que o governo use a máquina para buscar a perseguição política contra aqueles que se insurgem contra ele ou que, eventualmente, se posicionem contra ele”, disse. “Por que após a delação do Ricardo Pessoa o procurador não determinou a abertura de inquérito contra o ministro Mercadante ou contra o ministro Edinho Silva? Ou outros ministros? Ali houve uma acusação frontal de recebimento de dinheiro de caixa dois. A atuação do MP tem sido seletiva. É só olhar bem: as casas dos senadores [alvo de busca e apreensão na terça-feira] não eram nenhuma de alguém do PT”, prosseguiu. “Os próceres do PT estão incólumes”.

As retaliações ao governo devem ter início ao fim do recesso parlamentar. Cunha deve instalar as Comissões Parlamentares de Inquérito para investigar o Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) e os Fundos de Pensões. Além disso, ministros próximos a Dilma devem ser convocados a falar no Congresso. Ao seu lado, Eduardo Cunha tem o presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), tão líder dentro do PMDB como ele, mas não tão influente na capilaridade do Legislativo. Renan aprovou a ideia. É hora de emparedar o Executivo sobre os rumos da Operação Lava Jato.

Fonte: veja.abril.com.br

Rollemberg vai ao Planalto mostrar a Dilma que situação financeira do DF é grave

20150717102450“Saímos daqui muito satisfeitos, esperançosos e convictos de que teremos ajuda do Governo Federal para superarmos, juntos, as dificuldades que estamos enfrentando neste momento”, destacou o governado.

Demorou duas horas a reunião entre o governador Rodrigo Rollemberg e a presidente Dilma Rousseff,  na tarde de ontem. O assunto predominante foi a  crise financeira do DF, com  um pedido de socorro ao Governo Federal. O governador saiu do Palácio do Planalto animado com a sinalização positiva da petista para os problemas do caixa do Distrito Federal. E com a promessa de criação de um grupo de trabalho, formado por membros dos governos Federal e do DF.

Rollemberg classificou a reunião como “extremamente positiva”, já que a presidente petista foi receptiva e colocou a equipe palaciana à disposição para encontrar saídas criativas para a crise financeira do DF. “Saímos daqui muito satisfeitos, esperançosos e convictos de que teremos ajuda do Governo Federal para superarmos, juntos, as dificuldades que estamos enfrentando neste momento”, destacou.

O governador levou  algumas propostas à chefe do executivo: entre elas, o pagamento das diferenças dos valores devidos ao DF, entre as previsões orçamentárias  e as arrecadações, no que se refere ao Fundo Constitucional. Pelas contas do atual governo, o valor passa de R$ 1 bilhão.

Rollemberg  sugeriu também que o DF estabeleça  parcerias com a União, por meio da Terracap, e que o Banco Regional de Brasília (BRB) seja o  agente financeiro de alguns programas, em parceria com bancos públicos oficiais.

“Aproveitamos também para reivindicar à presidente da República que os empréstimos que estamos solicitando junto ao Ministério da Fazenda, para novos investimentos em Brasília, também possam ser apreciados com carinho”, disse o governador.

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Intermediado pelo deputado federal Rogério Rosso (PSD-DF), o encontro também reuniu os ministros Aloísio Mercadante (Casa Civil)  e Nelson  Barbosa (Planejamento) e o secretário da Casa Civil do DF, Sérgio Sampaio.

Rosso destacou a criação do  grupo de trabalho sugerida pela  presidente como ação concreta da reunião. Ele próprio, a pedido de Dilma, participará da comissão.

Presidente se surpreendeu com números
 
Dilma desconhecia a realidade das contas do DF, segundo Rogério Rosso. “Fizemos um alinhamento de informações”, resumiu. Rollemberg, pessoalmente, mostrou as contas e o problema do fluxo de caixa. “A presidente mostrou claramente preocupação”, disse Rosso.
Dilma foi muito direta, segundo o ex-governador. E demonstrou vontade em ajudar.
Precatórios
Outro assunto tratado no encontro foi a sanção do projeto de lei  que permite a utilização dos depósitos judiciais e administrativos para pagamento de precatórios. Rollemberg disse que Dilma pediu a opinião dele sobre o assunto, que se mostrou favorável à sanção.
“A presidente disse que está montando uma comissão para analisar o assunto com muito carinho”, disse o governador.
 Fonte: Jornal de Brasília

Governo federal suspende verbas do ‘Minha Casa’ das famílias mais pobres

1437095467112No primeiro semestre, o governo contratou 202.064 mil unidades do programa. Apenas 3,66% dessas casas foram destinadas às famílias dessa faixa de renda.

O governo federal suspendeu novas contratações da faixa 1 do programa habitacional Minha Casa Minha Vida, a que contempla as famílias mais pobres, que ganham até R$ 1,6 mil por mês. Quase 4 milhões de famílias precisam de moradia no Brasil. No primeiro semestre deste ano, o governo contratou 202.064 mil unidades do programa de habitação popular, uma das principais vitrines da presidente Dilma Rousseff. Apenas 3,66% dessas casas foram destinadas às famílias da faixa 1. As contratações para esse público só ocorreram no início do ano e estavam relacionadas a contratos acertados em 2014, mas que ficaram para 2015. Na prática, o programa de habitação popular deixou de contratar moradias para o público que mais precisa dele.

A orientação dada pelo governo é não fechar mais contratos para essa faixa inicial do Minha Casa, enquanto não colocar em dia os pagamentos atrasados das obras. A grande maioria das moradias que foram contratadas no primeiro semestre deste ano será construída para abrigar famílias que ganham acima de R$ 1,6 mil, até o teto de R$ 5 mil por mês. Elas participam das faixas 2 e 3 do programa.

Promessa descumprida
Os dados mostram que o governo descumpriu a promessa de construir 350 mil novas casas no primeiro semestre deste ano. O anúncio oficial da prorrogação da segunda etapa foi um agrado para o setor da construção civil, que tinha medo do que realmente viria a acontecer: uma paralisia do segmento. A promessa de criação da fase 3 do Minha Casa foi usada durante a campanha eleitoral, mas o lançamento do programa foi adiado várias vezes, principalmente por causa da frustração da arrecadação de impostos. Neste ano, o orçamento do Minha Casa caiu de quase R$ 20 bilhões para R$ 13 bilhões.

A participação do déficit habitacional das famílias com renda de até três salários mínimos (R$ 2.364) aumentou de 70,7% para 73 6% entre 2007 e 2012, segundo dados do IBGE de 2012, reunidos pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O Ipea estima que, para resolver o problema da falta de habitação digna no Brasil – incluindo a necessidade de moradia de famílias que ganham mais de três salários mínimos e da população da zona rural -, seria preciso construir 5,24 milhões de residências.

Em tempos de vacas magras, não há mais recursos para o governo bancar até 95% do valor dos imóveis. Nos dois primeiros anos do Minha Casa Minha Vida, no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o subsídio do faixa 1 alcançou R$ 18 bilhões, enquanto o das duas outras faixas ficou em R$ 2 bilhões. Na segunda etapa – de 2011 a 2014 -, a faixa 1 teve R$ 62,5 bilhões em subsídios e as duas outras faixas, por volta de R$ 5 bilhões. Nas duas etapas, ao longo de cinco anos, o governo contratou 1,7 milhão de casas para as famílias que ganham até R$ 1,6 mil. Dessas, foram entregues 761 mil casas.

Nova faixa
Para resolver o problema, o governo estuda criar uma nova faixa para o programa, com renda entre R$ 1,2 mil e R$ 2,4 mil, para ser subsidiada também com os recursos do FGTS. As famílias poderão comprometer até 27,5% da renda familiar com o financiamento da casa própria. Nessa nova modalidade, o subsídio será menor, porque haverá uma contrapartida do próprio interessado, do governo estadual ou da prefeitura. A solução encontrada pelo governo foi diminuir a participação das verbas federais no subsídio dado a essa nova faixa. As famílias com orçamento menor do que os R$ 1,2 mil continuarão desamparadas.

Fonte: Correio Braziliense

Entrevistado 16/7: Marcos Dantas, Secretário de Relações Institucionais

O Secretário de Relações Institucionais Marcos Dantas, será o entrevistados de hoje no programa Conectado ao Poder, na rádio OK FM. Sintonize 104,1 FM e ouça das 20h às 21h.

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