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Marina vai influenciar eleição no DF

marina-silvaA Rede Sustentável, liderada pela ex-senadora Marina Silva, terá dificuldades para atrair formalmente políticos com mandatos ou nomes expressivos que desejem concorrer a cargos majoritários em 2014 no Distrito Federal. Repetindo: formalmente.

Marina, no entanto, tem tudo para influenciar as eleições do Distrito Federal, apoiando um candidato, mesmo que este concorra por outro partido.

A ex-ministra do Meio Ambiente foi um fenômeno de votos na capital do país. Conquistou 42% do eleitorado e tem um discurso apto a agradar o eleitorado: ética, passado limpo, defesa do meio ambiente e uma nova forma de fazer política.

Alguns políticos mantêm interlocução com a ex-ministra do Meio Ambiente, principalmente o deputado José Antônio Reguffe (PDT), outro campeão de votos no DF, e o distrital Joe Valle (PSB).

Pelo menos por ora eles não deverão deixar os partidos que integram.Mesmo assim, poderão subir no palanque da a ex-ministra que quer ser candidata novamente à Presidência da República.

Marina Silva pode desagradar o pragmatismo político pela falta de estrutura (tempo de televisão e recursos do Fundo Partidário), mas já mostrou que no DF é uma grife.

Fonte: Blog da Ana Maria Campos

Cristovam critica partido de Marina

cristovam buarqueNo Twitter, o senador Cristovam Buarque (PDT) criticou a iniciativa da ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva de fundar um novo partido, o Rede Sustentável.

Veja o que o pedetista disse:

“Eu esperava Marina liderando um Movimento, acima dos partidos tradicionais, não criando mais um”

“Às vezes perde-se na política para ganhar na história. Marina corre risco de perder na história para ganhar na política”.

Fonte: Blog da Ana Maria Campos

No Brasil, 28% acham que política é coisa de homem

politicosAinda assim, no ranking das Américas, país é o 2º menos machista na política. Maioria dos brasileiros também aprova gays, negros e deficientes nas eleições. Universidade dos EUA pesquisou 26 países americanos.

Para 28% dos brasileiros, política é coisa de homem. Esse é o percentual dos que concordaram, em uma pesquisa internacional, com a afirmação de que os homens são melhores líderes políticos do que as mulheres.

Ainda assim, o Brasil é mais favorável à participação das mulheres na política do que a maioria de seus vizinhos.

Recém divulgado pela Universidade de Vanderbilt, nos EUA, o estudo “Barômetro das Américas” mostra que o Brasil é, na região, o 2º país que menos concorda com a superioridade dos homens na política.

De acordo com a pesquisa, o Uruguai é o país que menos concorda com a afirmação (26,6% dos entrevistados concordaram), mas quase empatado numericamente com o Brasil (28%), que vem em seguida. Depois aparecem os EUA (30,1%). Na outra ponta, os países que mais concordam com a afirmação de que os homens são melhores líderes do que as mulheres são Guiana (53,3%), República Dominicana (47,9%) e Haiti (42,1%).

No quadro geral da pesquisa, 48,6% dos entrevistados em 26 países discordam da ideia de que os homens são os melhores líderes. Outros 25,7% discordam fortemente dessa ideia. Os que concordam são 18,6%. E os que concordam fortemente, 7,1%.

Mulheres e corrupção
No Brasil, segundo o estudo, as mulheres também são menos associadas à corrupção na política do que os homens. Para 68,1% dos entrevistados brasileiros, o homem é mais corrupto do que a mulher na política.

Minorias
O Brasil também aparece na pesquisa entre os países mais favoráveis à participação de negros, gays e deficientes na política. A afirmação de que pessoas de pele escura não se saem bem como líderes políticos teve a 3ª menor aprovação entre brasileiros (19,3%). No Uruguai 15,4% concordaram; e em Trinidade e Tobago, 17%.

Sobre o direito de gays disputarem cargos públicos, o Brasil foi o 4º país que mais aprovou a ideia (64,4% de aprovação). Ficou atrás de Canadá (77,8% de aprovação), Uruguai (77,6%) e EUA (73,9%).

O país também foi o 4º que mais aprovou a participação de deficientes nas eleições (83,1% de aprovação). Os mais favoráveis à ideia são EUA e Uruguai (88,8% de concordância em cada um) e Canadá (87%).

Metodologia
A pesquisa “Barômetro das Américas”, do Projeto de Opinião Pública Latino-Americana da Universidade de Vanderbilt, ouviu 41.632 pessoas de 26 países americanos, incluindo Américas do Norte, do Sul e Central. No Brasil foram entrevistadas 1.500 pessoas de 1º.mar.2012 a 18.abr.2012. A margem de erro para os dados referentes ao Brasil é de 2,5 pontos percentuais para mais ou para menos (a mesma da maioria dos países pesquisados). A íntegra da pesquisa pode ser acessada aqui.

Fonte: Blog do Fernando Rodrigues

PaulOOctavio distribue kits escolares a operários

PAULO-OCTAVIOAs Organizações PaulOOctavio entregam hoje (19) os primeiros kits escolares para filhos de funcionários. A entrega será feita no canteiro de obras localizado no lote D da quadra 702 do Setor de Rádio e TV Norte. Os conjuntos são compostos por materiais de largo consumo, como cadernos, canetas, lápis e borracha, entre outros. Neste ano, a distribuição vai atingir também os filhos matriculados no Ensino Médio. Desde 1990, a empresa é pioneira no ensino a operários nos canteiros de obras, já tendo alfabetizado 2 mil deles, e estende esta atuação para as famílias de seus empregados.

Depois da alfabetização, os índices de produtividade e qualidade de vida dos empregados aumentaram. “Houve redução dos acidentes por que os empregados passaram a ler avisos simples, como os que indicavam locais de perigo, conta Paulo Octavio. Em termos de segurança no trabalho, os resultados foram significativos. Em 2011, as Organizações PaulOOctavio alcançaram um recorde brasileiro, ao atingirem 120 milhões de horas-homens trabalhadas (HHTs) sem acidentes graves (mortes ou fraturas). O grupo, que emprega cerca de 4 mil trabalhadores, não registra este tipo de ocorrências desde 1995.

Fonte: Blog do Callado

Corregedor

Cabo-Patricio_fotoElzaFiuza-300x199Ex-presidente da Câmara Legislativa, o deputado Patrício disse aos colegas de bancada, imagina só, que gostaria de ser o novo corregedor, aquele que abre processos contra colegas. Deu pânico. Os demais petistas chegaram a pedir a ele que, pelo amor de Deus, que abrisse mão do projeto. Os mais veementes foram Wasny de Roure e Chico Vigilante.

Mesmo sem Patrício, a intenção da Mesa é levar para a Corregedoria um integrante da bancada policial.

Fonte: Do alto da torre

Emendas conjuntas

jaqueline-rorizEstava quase terminando a reunião da bancada do Distrito Federal no Congresso quando a deputada Jaqueline Roriz decidiu apresentar uma proposta. Sugeriu que todos os seus integrantes, deputados e senadores, façam emendas conjuntas tanto para projetos de lei quanto para medidas provisórias, além, claro, do Orçamento. Argumentou que assim conseguiriam maior força para bancar as reivindicações. Foi aplaudida pelos colegas, o que raramente acontece.

Jaqueline se entusiasmou. Engrenou uma segunda e partiu para um ataque ao Buriti que, segundo ela, “só pensa na Copa” e esquece um setor vital para a população, que é a segurança pública. “Nos primeiros 54 dias do ano”, registrou, “ocorreram cerca de 150 homicídios, quase três por dia, um absurdo”. Aí, nada de aplauso. Fez-se silêncio geral. A maioria da bancada é da base do governador Agnelo.

Fonte: Do alto da torre

Apelo a ministro pelo PDT

agnelo_queiroz_19O governador Agnelo Queiroz recorreu ao ministro do Trabalho, Brizola Neto (foto), para que promova uma reconciliação do PDT com o Palácio do Buriti. Em conversas paralelas, falou-se na possibilidade de que o partido indicasse nomes para duas secretarias, uma delas a de Educação. Pelo que contou a correligionários, Brizola Neto respondeu que não seria o melhor intermediário. Nem o senador Cristovam Buarque, nem o deputado José Antônio Reguffe e muito menos o presidente regional George Michel fazem parte de sua corrente política interna.

Paciente interlocutor dos dirigentes partidários brasilienses, o secretário do Conselho de Governo, Roberto Wagner, também conversou com George Michel. Acenou com a possibilidade de um almoço de Cristovam Buarque com o governador Agnelo Queiroz. George procurou Cristovam. O senador recusou.

Cristovam diz que não vê qualquer interesse em um encontro como esse. “O governador dirá tudo o que quiser, mas nada acontecerá”, afirma. O senador diz que sua proposta — e aquilo que realmente o interessa — seria promover uma verdadeira transformação educacional. “Mas não há mais tempo para isso”, lamenta: “teremos só mais um ano de governo pela frente”.

Aliados de Cristovam acham que existe no Buriti um sentimento de incômodo diante de uma eventual candidatura do senador ao Governo do Distrito Federal. Cristovam tem, efetivamente, mantido contatos com empresários, dirigentes partidários e sindicalistas. Sua ideia permanece a de costurar o que chama de “grande concerto”, um acordo em que categorias profissionais, líderes partidários e agentes públicos concordariam com uma agenda de governo. “Se conseguirmos isso, estou até disposto a discutir a presença na sucessão, se não, fico fora”, diz Cristovam.

Fonte: Do alto da torre

Traçando um perfil realista do eleitor médio III: atalhos cognitivos

voteInformação interpessoal e ideologia ajudam o eleitor a preencher lacunas do seu conhecimento sobre a política e o governo.

Não obstante os vários tipos de informação obtidos na vida diária, na mídia e nas eleições, perduram ainda, na mente do eleitor médio, importantes lacunas, relativamente ao seu conhecimento sobre a política e o governo. Para cobrir estas lacunas, ele recorre a atalhos cognitivos, isto é, processos mentais que permitem – sem ter que dedicar muito tempo ao acompanhamento da política – chegar a conclusões sobre como avaliar as informações, escolher entre projetos e programas e julgar candidatos.

O eleitor médio não tem todos os conhecimentos sobre a política

O atalho cognitivo é o procedimento adotado por quem não possui um interesse auto-sustentado em política, para se informar e fazer escolhas, naquelas matérias constituídas por dados e informações difíceis de obter e mais difíceis ainda de analisar e processar.

A informação interpessoal como atalho cognitivo

Grande parte dos eleitores, quando se sentem inseguros para avaliar a validade e importância de certas informações políticas, recorrem a pessoas de sua confiança para confirmá-las, e validá-las. Esta é sem dúvida, uma estratégia para economizar tempo e trabalho e resolver as incertezas. Este enfoque dado por Popkin é uma adaptação moderna da clássica teoria do Two step flow of communication, desenvolvido por Lazarsfeld e Katz, da escola da Universidade de Columbia, na década de 40.

“O fluxo de informação em dois degraus (two step flow of communication) significa que muitas pessoas recebem a sua informação de maneira indireta e que muitos deles, validam e incorporam o que leram ou ouviram, somente depois de haver trabalhado este material com outras pessoas” (Katz e Lazarsfeld – Personal Influence)

Segundo Popkin então:

“a campanha e a mídia somente enviam a mensagem inicial. Até que elas tenham sido checadas e validadas com outras pessoas, seus efeitos não se fazem sentir” (Popkin, op. Cit. Pg. 46)

A maioria das pessoas acompanha por alto o que está acontecendo – a economia vai bem ou vai mal; estamos em guerra ou não; o governo está indo bem ou mal etc – deixando para aqueles que fazem um “acompanhamento de perto” assim como aos especialistas, a tarefa de soar o sinal de alarma quando a situação é grave e perigosa. Feito o alerta, o cidadão comum sente-se motivado e é acionado para tomar conhecimento do que está acontecendo.

O papel que, historicamente, o líder de opinião (a pessoa em quem o eleitor confia) exercia no “fluxo de informação em dois degraus”, é hoje, cada vez mais ocupado pela TV e por seus comentaristas. Nela aparecem comentaristas e entrevistados que representam, pelo menos, as principais tendências políticas e que fornecem ao cidadão um “cardápio” variado de opções para a interpretação dos fatos, que substitui, em grande medida, aquela pessoa a quem o eleitor recorria pessoalmente para checar e validar notícias e informações.

Como diz Popkin:

“Exatamente como os alarmas de incêndio poupam ao cidadão do esforço e trabalho de observar se há fogo, os atalhos cognitivos poupam os eleitores de, constantemente, procurar por fatos políticos relevantes”.
A ideologia como atalho cognitivo

Para outros eleitores, a ideologia – como um construto teórico, formado por valores, princípios, pressupostos e métodos próprios – a respeito do significado, função e finalidade da política, funciona como atalho cognitivo.

Não é preciso que o indivíduo domine intelectualmente a ideologia em toda a sua complexidade. Basta que adquira uma identificação com ela, por meio de seus símbolos, idéias básicas, e, sobretudo por sua adesão à partição do mundo político entre companheiros e inimigos irreconciliáveis.

O papel do líder de opinião é hoje, cada vez mais, ocupado pela TV e seus comentaristas
Assim, a ideologia pode se expressar de forma bastante vaga como: conservadores e liberais nos EUA; socializante e privatista; esquerda e direita; reacionário e progressista; centralizador e descentralizador, entre outras polaridades. Esta é uma definição operacional de ideologia, para efeitos práticos de uma campanha eleitoral. Não é a definição cuidadosa e sofisticada do termo, praticada nos meios acadêmicos.

O que importa, na situação de uma campanha eleitoral, é que estas diferenciações, ainda que vagas e largamente inconsistentes, são suprapartidárias, possuem um núcleo dogmático bem definido, diferenciam de maneira radical companheiros, aliados e inimigos, e têm a capacidade de organizar os sentimentos. Assim, o indivíduo que “tem” uma ideologia, possui um claro posicionamento na campanha, desde antes ela começar, e independentemente do que nela venha a ocorrer. Pode não saber ainda em quem vai votar. Mas sabe, com absoluta certeza, em quem não vai votar.

A ideologia pode se identificar com um partido, mas não está necessariamente atrelada a um partido. Quem é de esquerda, vai votar num candidato de esquerda. A questão do partido torna-se, nestes casos, secundária. Nos EUA, por exemplo, um liberal do partido republicano pode votar votar num candidato democrata liberal para a Presidência, e não num candidato conservador do seu partido.

Em outras palavras, lá, a clivagem liberal-conservador é mais ampla e abrangente do que a partidária. O mesmo sucede em outros sistemas políticos, com as demais clivagens antes referidas. A ideologia funciona então, para estas pessoas, como um atalho cognitivo. O fato de que sua opção de voto já estar decidida por antecipação dispensa este eleitor de gastar tempo, fazendo o acompanhamento da campanha, e buscando informações políticas.

Já o eleitor verdadeiramente ideológico tende a possuir um grau mais elevado de interesse pela política do que possui o eleitor vagamente ideológico. Para ele, a decisão de voto é determinada por uma opção ideológica clara, explicitamente desenvolvida. Como regra, este tipo de eleitor é uma minoria dentro do eleitorado, sendo composto predominantemente por pessoas de nível educacional médio e principalmente alto.

Para o vagamente ideológico o atalho funciona mais no sentido de torná-lo imune à propaganda, e aos argumentos dos seus adversários. As informações que chegam a ele,são validadas ou não pelas personagens que compartilham a sua visão da política, e que ele respeita e admira.

Para os eleitores vagamente ideológicos a ideologia não é, portanto, uma marca de sofisticação intelectual e de nível mais elevado de consciência, mas, ao contrário, ela representa uma simplificação da visão da política, funcionando como um default value, ou, na linguagem contemporânea da informática, uma customização do processo operacional de decisão eleitoral.

Fonte: Política para Políticos

Imagem Pública

imagem publicaA construção de uma imagem, feita com disciplina e profissionalismo, leva um bom tempo.

A imagem não é, como muitos pensam, fruto só de publicidade. Ela é uma verdade, um sonho. A única coisa que ela não pode ser é uma mentira.

Uma imagem também é definida por coisas que não é.

Discrição e quase nenhuma publicidade podem também construir uma imagem. Tem políticos que aparentam não ter um planejamento de marketing definido e demonstram total discrição. Construindo uma cultura de aversão ao marketing é repetindo com exaustão, fazendo com que todos a conheçam.

Ninguém sobrevive ou constrói uma imagem positiva se não tiver uma diferença clara, consciente e doutrinada a trabalhar para não esquecer nem deixar o eleitor esquecer aquela diferença.

Exemplos de imagem pública:

Marina Silva, meio ambiente.
Alberto Fraga, segurança pública.
Reguffe, combate a corrupção e defesa da moral e da ética.
Fernando Francischini, combate as drogas e a corrupção.

Sandro Gianelli

Traçando um perfil realista do eleitor médio II

eleitorO paradoxo da democracia moderna é funcionar adequadamente com uma cidadania pouco informada e pouco participativa.

A teoria mais atualizada sobre o paradoxo da democracia moderna de funcionar adequadamente com uma cidadania pouco informada e pouco participativa foi formulada pelo cientista político americano Samuel Popkin. Ela se chama teoria da racionalidade de baixa informação.

O eleitor médio não atribui alta prioridade à política e adquire apenas informações básicas.

Não se trata, porém, de uma teoria abstrata, desconectada das preocupações da política prática. Muito ao contrário. É uma teoria que tem aplicações práticas muito claras, na medida em que esclarece como funciona a mente do eleitor médio, e seus processos mentais para orientar-se no mundo da política. A questão básica é portanto, como e porque este eleitor, que atribui baixa prioridade à política, adquire informações básicas sobre um assunto que pouco lhe interessa. Mais ainda, como este eleitor, a partir desta condição, logra alcançar aquela racionalidade de baixa informação, para decidir seu voto, que não deixa de ser racionalidade, ainda que de baixa informação.”

A vida diária

Em termos econômicos, o processo de procurar, analisar e avaliar a informação política acarreta um custo : um investimento de tempo e de energia. Por outro lado, o retorno deste investimento é pequeno, e desproporcional ao seu custo.

Por exemplo, a saúde da economia do país tem mais efeito nas vidas das pessoas do que se a mesma pessoa escolheu certo o local onde passar suas férias. Mas o tempo gasto para decidir onde passar as férias costuma levar a decisões acertadas, enquanto que o tempo dedicado a entender e acompanhar a economia nacional, não necessariamente conduz a decisões acertadas, embora exija muito mais tempo, estudo e energia.

Em outras palavras, o gasto de tempo e energia para decidir sobre matérias próximas a vida da pessoa, e cujo resultado depende apenas dela, produz uma relação muito satisfatória entre investimento e retorno (É a típica situação do consumidor individual).

Já o tempo e energia gastos para decidir sobre matérias mais remotas da vida individual (e portanto muito mais complexas) e que dependem de uma conjugação multitudinária de vontades, produz uma relação de investimento/retorno, ordinariamente muito pouco satisfatória.

Portanto, para o indivíduo racional, não há incentivos muito poderosos para levá-lo a buscar informações, acompanhar a política, analisar a conjuntura e avaliar estes elementos para uma decisão. Como então o indivíduo comum adquire informações sobre a política que lhe permita decisões racionais?

Em primeiro lugar, uma razoável quantidade de informações são adquiridas na vida diária. Não é necessário ser economista para saber se a economia está andando bem ou mal, ou razoavelmente. Os preços dos gêneros e do combustível, a facilidade/dificuldade de conseguir emprego, a taxa de inflação, a instalação de fábricas, os juros baixos/altos ao consumidor e outras informações deste mesmo nível fazem parte da vida diária das pessoas, como tal, são obtidas pelo simples ato de viver sua vida individual. Também na vida diária adquirem-se informações sobre questões de segurança. As pessoas conhecem outras que já foram assaltadas, ou vitimadas pela violência, sabem quais as regiões e bairros da cidade que são mais perigosos, os jornais e noticiosos apresentam os casos mais violentos, e assim conseguem, ao processar estas informações, uma idéia bastante clara sobre a situação da segurança pública nas suas comunidades.

O eleitor adquire informações sobre questões de segurança e saúde na vida e nos contatos

Informações sobre saúde também são adquiridas na vida diária e nos contatos interpessoais. Procedimentos preventivos, como as campanhas de vacinação, informações sobre riscos associados a certos hábitos (como o fumar, comer comidas gordurosas etc), o tipo de atendimento dado em postos públicos de saúde, em hospitais, a facilidade/dificuldade de conseguir atendimento médico, exames, e medicamentos, permitem às pessoas analisando estas informações, provindas da vida diária, formar uma idéia clara sobre as condições gerais do sistema de saúde.

O mesmo valeria para outras questões que igualmente freqüentam os programas dos candidatos, e se constituem em temas de campanha, como : educação, emprego, habitação, saneamento, trânsito, estradas e vias públicas, limpeza, etc.

Portanto, o mero fato de ser um consumidor de bens e serviços, de transitar pelas ruas da sua cidade, de estar empregado ou estar buscando um emprego, de ter filhos em escolas, já faz com que uma ampla gama de questões políticas entrem na sua vida, sem que o indivíduo tivesse que desenvolver um interesse específico pela política, e tivesse que gastar tempo e energia para buscar essas informações.

Os noticiários da mídia

Os noticiários da mídia também entram na vida das pessoas, pelo seu cotidiano abastecendo o cidadão comum de informações políticas.A maioria das pessoas assiste TV e, grande parte delas, assiste aos noticiários da TV. O mesmo vale para o rádio, e, em muito menor medida para os jornais. Nos EUA, o tempo dedicado diariamente para assistir notícias na TV, rádio e jornais é superior a 30 minutos em média.

No Brasil não temos estatística similar, embora possamos imaginar que, para os segmentos de nível médio e alto de renda e escolaridade, os resultados não deverão ser muito diferentes. A mídia, além disso, desempenha duas funções adicionais:

1 – as suas informações interagem com as informações colhidas pela experiência da vida diária, ora confirmando e conferindo-lhe uma dimensão que as pessoas não imaginavam, ora conflitando com elas;

2 – além disso, as suas informações são “linkadas” com a dimensão política. Quando noticia um crime, além da matéria sobre o crime, há entrevista com o Secretário de Estado, ou com um político, ou o próprio comentarista aproveita a oportunidade para dar-lhe uma dimensão política.

Mais que isto, para a mídia, os governos – local, estadual, nacional- são assuntos permanentes, tanto aqueles que provém do governo, como aqueles que contestam o governo. As questões públicas, tratadas pela mídia, envolvem o governo e a classe política que gravita em torno dele. Como se vê, a vida diária, com a sua ampla trama de relações interpessoais, assim como o consumo natural das notícias da mídia, igualmente diária, já oferece ao eleitor médio, uma boa dose de informações sobre questões políticas, que se constituirão na pauta das campanhas eleitorais

O consumo da mídia oferece ao eleitor médio uma boa dose de informações sobre a política

Conectando a informação com a política e o governo

O eleitor médio, então, sem ter que dedicar tempo e energia específicos para o acompanhamento da política, é capaz de retirar, informações politicamente relevantes, de sua vida diária e da mídia, à qual está exposto habitualmente, por razões de lazer e de interesse genérico em informações, e não especificamente sobre a política.

Não se trata, pois, de um eleitor sem informação, e sim de um eleitor com informações dispersas, desorganizadas, pontuais, sem a sistematicidade que o eleitor de alta informação lhes confere. Entretanto, são informações reais, relevantes para a vida dele, e são informações que dizem respeito ao mundo político. Sem alguma conexão com o mundo da política e do governo, entretanto, esta informação perde sua utilidade no processo decisório individual. Como, então, este eleitor conecta estas informações com a política e o governo?

A primeira resposta para esta questão apostava no que se chamou de pocketbook voting (o “voto do bolso”). Argumentava-se então que o indivíduo decidia seu voto em função da forma como percebia sua condição econômica pessoal. Se achava que estava bem, votava com a situação; se achava que estava indo mal, votava com a oposição.

Este tipo de explicação, entretanto, choca-se com os fatos e com os resultados das pesquisas de comportamento eleitoral. Os eleitores não decidem de forma tão simplista. O voto não reflete linearmente a condição econômica pessoal do eleitor. Ele se engaja em raciocínios que vão além deste fator e leva em conta outros aspectos que não apenas o econômico, o que invalida esta interpretação.

Em primeiro lugar, os eleitores sabem discriminar entre problemas de governo e problemas individuais. Segundo as pesquisas sobre o tema, os eleitores não atribuem ao governo a responsabilidade pela totalidade de suas vidas, seus sucessos e derrotas. Eles também consideram o impacto de fatores pessoais, familiares, sociais, e até, conforme a cultura, fatores misteriosos, como azar e sorte.

Também os eleitores reconhecem que, muitas vezes, o governo está se esforçando, está agindo certo, e mesmo assim os problemas não conseguem ser resolvidos. Mesmo eleitores que haviam ficado desempregados, não conectam automaticamente a culpa pelo seu desemprego com a ação ou omissão do governo. Não poucas vezes a responsabilidade pela situação de desemprego é assumida como pessoal. Em segundo lugar, os eleitores discriminam entre problemas de acordo com as respectivas responsabilidades dos diferentes níveis de governo.

Os eleitores também sabem diferenciar as respectivas responsabilidades dos diferentes níveis de governo, para diferentes problemas. O eleitor é capaz, portanto, de penalizar politicamente um partido, pela sua incapacidade de lidar com um problema social sério, no plano estadual, e, ao mesmo tempo apoiar este mesmo partido no plano federal, porque, aquele problema é julgado de responsabilidade do governo estadual e não federal, e inversamente.

O eleitor pode penalizar um partido, pela incapacidade de lidar com um problema sério

Em terceiro lugar, os eleitores discriminam também entre a situação atual e expectativas de médio prazo. Se o eleitor, ainda que considere que a situação atual lhe é prejudicial, possui expectativas de médio prazo de que ela vai melhorar, pode votar contra a lógica do seu “bolso”. As pessoas aceitam sacrifícios e incômodos, desde que tenham esperanças e confiança em mudanças para melhor no futuro próximo.

É importante lembrar sempre que as eleições testam também as preocupações do eleitor por progresso, segurança e benefícios públicos de médio prazo, e não apenas aquelas que supostamente produziriam benefícios diretos e imediatos. Não é demais lembrar que, com a sucessão de eleições, o eleitor fica mais experiente e pragmático. Ele passa a descrer de promessas atraentes e aparentemente fáceis de cumprir, porque “já se enganou” várias vezes.

Ele passa a valorizar mais a consistência; avanços pequenos, mas continuados; torna-se mais exigente na outorga de sua confiança aos governantes; e menos dependente de soluções mágicas e imediatas aos seus problemas, provindas de ações do governo. A situação corrente do eleitor é um parâmetro definido e importante no seu processo de raciocínio para decidir seu voto. Entretanto, entre sua situação atual e o seu voto, há, como se viu, muitas variáveis que intervêm.

É óbvio que para merecer o voto do eleitor, o candidato precisa estabelecer uma relação entre sua candidatura e a vida do eleitor. Nós prestamos a atenção naquilo que nos interessa, e ficamos impacientes e desatentos com assuntos que não nos tocam. O mesmo ocorre com o eleitorado.

O acompanhamento que o eleitor médio faz da política e das eleições, como já foi mostrado, é superficial, inconstante, e irregular. Cabe ao candidato opor à esta inconstância e superficialidade um eixo ordenador para a sua candidatura, que chamamos de foco e que permite ao eleitor identificá-lo, por sua mensagem, imagem e propostas principais.

O nexo emocional que necessariamente deve integrar o foco, desperta o interesse do eleitor, faz com que ele preste atenção no que está vendo e ouvindo, e retenha na memória a imagem e as idéias daquele que está falando sobre aquilo que lhe interessa.

Está errado, portanto, o candidato que supuser que o eleitor é um desesperado, que exige solução direta e imediata para seus problemas, e que espera da ação do governo uma melhoria instantânea para a sua vida pessoal e familiar. O eleitor médio, usando a sua racionalidade de baixa informação, é muito mais complexo e sofisticado no seu processo de decisão política do que esta “imagem de desesperado” supõe. As conexões, entre informações colhidas na vida diária, na mídia com a política e o governo, e, como veremos, também por ocasião da campanha eleitoral, são também conexões racionais, estabelecidas mediante atalhos cognitivos, bem mais diversificados do que a mera reação (positiva ou negativa), em resposta à sua condição econômica, por ocasião da eleição.

O eleitor faz conexões racionais com as informações da vida diária, mídia, política e governo

A Campanha eleitoral e a informação política

Com a campanha eleitoral, o suprimento de informações para os eleitores aumenta significativamente. Os candidatos são os mais interessados em provê-las, e o fazem de maneira constante, por seus programas de rádio, TV, e publicidade. A massa de informação disponível e dirigida aumenta, mas, o tempo e a disponibilidade, da parte do eleitor, para processá-la e interpretá-la, não cresce de forma proporcional.

Com a campanha, entretanto, surge uma informação nova: os eleitores são expostos às diferenças existentes entre os candidatos.

Isto não significa dizer que eles tomam conhecimento das posições de cada um dos candidatos e das diferenças existentes entre eles, de uma maneira precisa, completa e articulada. Perdura muita informação confusa, muita incorreção, mas, também é verdade que certos pontos de divergência ficam assentados e claramente absorvidos pelo eleitor.

As diferenças chamam mais a atenção, porque elas correspondem às contradições, conflitos, divergências entre os adversários, e o conflito sempre atrai e desperta a curiosidade. A campanha entretanto não é uma realidade única para o eleitor e para o candidato.

Existe a campanha real, isto é aquela que acontece por ação dos candidatos, mas também existe a campanha percebida pelo eleitor, que possui muitas diferenças em relação à campanha real. A campanha como é percebida combina elementos da campanha real, com outros elementos mais subjetivos, que o eleitor acrescenta à sua percepção.

Há um mecanismo, que as pesquisas de comportamento eleitoral identificaram, já na década de 60, mediante o qual o eleitor projeta suas posições políticas, valores, preconceitos no candidato que favorece, pressupondo que este atribua àquelas posições e valores a mesma importância que ele atribui.

A campanha daquele candidato, para aqueles eleitores, portanto é a campanha como é percebida: um misto de campanha real e de subjetividade do eleitor. É por esta razão que se diz, muitas vezes, que certos candidatos podem fazer e dizer o que quiserem que não são afetados, enquanto que outros, por pouco que façam ou digam, são duramente penalizados pelo eleitor.

Este mecanismo de projeção introduz necessariamente muitos erros factuais na percepção da campanha como realmente acontece no mundo dos fatos. São as divergências, os conflitos, os embates em torno de certas questões que reduzem estes erros, trazendo a campanha percebida para mais próximo da campanha real. Em conseqüência, há mais erros de percepção no início da campanha do que ao seu final; há mais erros numa campanha sem conflitos do que numa campanha com conflitos; e há menos erros de percepção entre os eleitores que se interessaram pela campanha e a acompanharam, do que há entre os que não se interessaram e não a acompanharam.

O político precisa ter sempre em mente que há várias campanha acontecendo entre os eleitores

Esta noção de que, em verdade, há mais de uma campanha acontecendo no campo da percepção dos eleitores, é de fundamental importância para o sucesso de uma candidatura. O candidato precisa conhecer qual é o conteúdo da campanha percebida, da parte dos seus eleitores potenciais, para poder comunicar-se com eles na mesma sintonia.

Não basta fazer a sua campanha real e supor que os eleitores a estão acompanhando religiosamente e a entendendo. A decisão de voto do eleitor seguirá o rumo definido pela campanha como ele a percebe e não necessariamente pela outra.

Já vimos que a existência de confrontos e divergências é um dos fatores que mais contribui, para fixar diferenças entre adversários, ensejar comparações, e despertar a atenção e curiosidade do eleitor para a disputa eleitoral.

Não apenas os conflitos, entretanto, contribuem para levar informações objetivas ao eleitor. Peças publicitárias bem produzidas podem atingi-lo não apenas em suas emoções, mas também em suas percepções. Os eleitores podem continuar ignorando fatos básicos sobre governo, administração, e propostas, mas, assim mesmo, eles colhem muitas informações da campanha eleitoral sobre: o que está em jogo na eleição, e as diferenças entre os candidatos nestas questões.

Campanhas eleitorais são importantes, principalmente porque, como vimos, grande parte dos eleitores, normalmente, não acompanha a política com regularidade, nem presta muita atenção às notícias políticas, e, não conhece muitas das coisas que um governo pode ou não pode fazer, nem o que os candidatos já fizeram no passado.

Campanhas eleitorais proporcionam ao eleitor estas informações, de forma atraente (publicidade) ou pelo conflito e debate (que fixa diferenças), enriquecendo aquela campanha percebida, aproximando-a mais da campanha real, e favorecendo desta forma uma decisão de voto mais racional.

Fonte: Política para Políticos

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