Da redação
Países ameaçados pela elevação do nível do mar aprovaram uma declaração política sobre o tema durante a Semana de Alto Nível da Assembleia Geral das Nações Unidas. Cabo Verde copresidiu a cúpula de líderes, com participação do primeiro-ministro e ministro das Finanças, Francisco Carvalho, que destacou o impacto cotidiano do avanço dos oceanos.
De acordo com Carvalho, áreas agrícolas próximas à costa se tornaram improdutivas devido à salinização da água, tornando desolador o cenário para diversas famílias. Além das dificuldades na agricultura, praias tradicionais estão desaparecendo e o abastecimento de água potável enfrenta desafios por conta do aumento da intrusão salina e secas mais intensas. Cerca de 90% da água potável consumida em Cabo Verde é proveniente de dessalinização, processo caro devido ao alto consumo energético.
O chefe do governo afirmou que o país busca incluir energia renovável no processo de dessalinização, além de adotar estratégias como perfuração de poços, construção de barragens e instalação de cisternas. Segundo ele, medidas como o uso responsável da água estão sendo implementadas de forma “equilibrada e bem gerida”. Dados das Nações Unidas mostram que o estresse hídrico saltou de 7% em 2001 para 60% em 2023 em Cabo Verde, demonstrando a gravidade da crise.
Carvalho considerou a declaração política um avanço, mas ressaltou a necessidade de mais recursos. Ele elogiou a parceria com Portugal, envolvendo a troca de dívidas para investimentos ambientais, e afirmou que pretende repetir a estratégia com outros países. O líder cabo-verdiano também defendeu a valorização da língua portuguesa nas Nações Unidas e anunciou que filhos de emigrantes cabo-verdianos, mesmo sem nacionalidade, estão isentos de taxas de visita ao país.



