Da redação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva editou uma medida provisória que proíbe apostas esportivas e cassinos on-line no Brasil. Conforme especialistas, a decisão visa recuperar apoio entre o eleitorado feminino e reforçar o discurso do combate ao endividamento das famílias. O anúncio ocorreu em evento em São Paulo.
Segundo Sérgio Praça, doutor em ciência política pela USP, a medida tem um forte componente político. “O Lula, para usar o verbo, está apostando que esse debate todo vai favorecê-lo”, afirma. Praça aponta ainda que a proibição pode desviar o foco de recentes desgastes para o governo, como informações envolvendo a lobista Roberta Luchsinger e o filho do presidente, além da crise no Supremo Tribunal Federal.
O cientista político Gabriel Guimarães, doutorando pelo Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, destaca o cálculo eleitoral da iniciativa. Para ele, o avanço de Flávio Bolsonaro sobre o eleitorado feminino tornou urgente a retomada desta fatia. Ele ressalta o impacto das bets no orçamento das famílias e o potencial de influência da medida entre as eleitoras.
Entre auxiliares do governo e integrantes da base aliada no Congresso Nacional, há preocupação com a reação de setores patrocinados pelas apostas, sobretudo os clubes de futebol. De acordo com Luiz Eduardo Baptista, presidente do Flamengo, o fim dos patrocínios deve gerar perda entre R$ 400 milhões e R$ 430 milhões para o clube em 2027. O governo avalia oferecer linhas de crédito e renegociação de dívidas para minimizar os efeitos.



