Início Brasil Câmera corporal flagrou PM do RJ furtando celular na megaoperação da Penha

Câmera corporal flagrou PM do RJ furtando celular na megaoperação da Penha


Da redação

Durante a megaoperação policial mais letal da história do Brasil, realizada em outubro de 2023 na Penha, zona norte do Rio de Janeiro, o Ministério Público denunciou que uma moradora teve o celular furtado por um policial militar. O segundo-sargento Vilson dos Santos Martins, apontado como autor do furto, está preso preventivamente na unidade prisional da PM e é alvo de processo administrativo. Segundo a corporação, outros três policiais também foram denunciados por crimes durante a ação: os segundos-sargentos Diogo da Silva Souza e Renato Vinícius Maia, e o terceiro-sargento Eduardo Oliveira Coutinho.

A Justiça tornou réus os quatro policiais, que respondem na Justiça Militar pelos crimes de roubo qualificado, violação de domicílio qualificada e constrangimento ilegal. As imagens das câmeras corporais foram fundamentais para a denúncia, mostrando, segundo o MP, que os policiais arrombaram residências com alicate e subtraíram o celular de uma moradora enquanto reviravam sua casa.

A Operação Contenção resultou em 122 mortos — cinco policiais e 117 suspeitos, segundo o governo — e prendeu apenas quatro dos 51 alvos de mandado. O principal alvo, Edgar Alves de Andrade, “Doca” ou “Urso”, apontado como chefe do Comando Vermelho, continua foragido. O secretário de Segurança, Victor César dos Santos, afirmou ao UOL que a prioridade do governo é “asfixiar o crime”.

Moradores da região relataram abusos policiais, como invasão de residências, disparos contra casas e até a morte de um cachorro. A Corregedoria da PM já havia preso cinco policiais por suspeita de crimes durante a operação, incluindo furto de um fuzil para revenda a criminosos, confirmados por câmeras corporais — usadas por apenas 23% dos PMs na ação.

Em defesa, o governo do Rio afirmou ao STF que a operação foi “legítima, necessária e absolutamente imprescindível” e alegou que houve “avanços concretos”, além de retomada de áreas dominadas pelo Comando Vermelho. No entanto, no dia seguinte, traficantes já haviam retornado aos pontos de venda de drogas.