Início Distrito Federal Detentos denunciam tortura e comida estragada no Complexo da Papuda

Detentos denunciam tortura e comida estragada no Complexo da Papuda


Da redação

Agentes e diretores do Presídio do Distrito Federal I, localizado no Complexo da Papuda, são investigados por denúncias de maus-tratos, tortura e distribuição de comida estragada a presos de segurança média na Ala A do Bloco D, entre 30 de março e 6 de abril de 2026, conforme relatos de internos.

Segundo cartas de detentos, em 30 de março, a janta teria chegado com odor ruim e o adjunto de plantão teria forçado o consumo da comida. As denúncias se repetiram em 1º de abril e, em 6 de abril, vários presos relataram mal-estar, febre e diarreia. Os internos acusam carcereiros de atrasar as refeições propositalmente para que estragassem.

Um policial penal identificado apenas como “Barbosa” teria sido chamado pelos presos, aos quais supostamente respondeu que não teriam “direito a nada” por serem “bandidos e vagabundos”. Após acionar sirenes e pedir reforço, agentes da Diretoria Penal de Operações Especiais teriam entrado usando spray de pimenta e balas de borracha.

Os detentos alegam ter sido agredidos fisicamente por agentes que invadiram as celas. Existem câmeras de segurança nas áreas, mas a Secretaria de Administração Penitenciária (Seape) não forneceu imagens. Em nota, a Seape informou que as refeições passam por rigorosa fiscalização e que um relatório interno apontou insubordinação dos presos no dia 6 de abril, além de motim e desobediência.

Segundo familiares de internos, as denúncias são recorrentes e também há queixas quanto à proibição da “cobal” — alimento levado por familiares — e à restrição de tempo de visitas. A Secretaria de Saúde informou ter realizado 9,5 mil atendimentos preventivos a presos nos primeiros quatro meses de 2026, sem divulgar dados sobre urgências.

O DF possui população carcerária superior a 28,2 mil pessoas para 14,6 mil vagas, índice de 1,9 preso por vaga. Em 24 de março, policiais penais teriam realizado paralisação por melhores salários, mesmo sendo proibidos de greve, conforme relato de agentes. A denúncia foi encaminhada à Comissão de Direitos Humanos da CLDF, que cobra apuração rigorosa.