Da redação
O Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou nova redução na projeção de crescimento para a economia global em 2026, alertando para o risco de recessão caso a guerra no Oriente Médio se prolongue. Segundo o relatório Perspectiva Econômica Mundial, o Produto Interno Bruto (PIB) global deve crescer 3,1% em 2026, ante previsão anterior de 3,3%. A principal razão é o impacto do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que pressiona preços de energia, cadeias produtivas e confiança dos mercados.
Para o Brasil, no entanto, a estimativa do FMI foi revisada para cima: de 1,6% para 1,9% em 2026. O fundo aponta que o país, por ser exportador líquido de energia, pode até se beneficiar no curto prazo, diferentemente de regiões como Ásia, Europa e África, mais vulneráveis ao cenário externo.
O FMI considera que a atual escalada no Golfo Pérsico representa um risco maior do que outros choques, como tarifas comerciais dos Estados Unidos. Segundo o economista-chefe Pierre-Olivier Gourinchas, se o preço do petróleo ultrapassar US$ 100 por barril até 2027, o risco de recessão global aumenta. Em um cenário mais grave, com petróleo a US$ 110 em 2026 e US$ 125 em 2027, a inflação mundial ultrapassaria 6%.
Apesar da revisão positiva, o crescimento do Brasil deve ser de 2% em 2027, ainda abaixo do estimado anteriormente, refletindo a desaceleração global e custos de insumos mais altos. O FMI destaca que reservas internacionais elevadas, menor dependência de dívida externa e câmbio flutuante devem ajudar o país a enfrentar choques.
Entre as grandes economias, os Estados Unidos devem crescer 2,3% em 2026 e a China, 4,4%. Na zona do euro, o crescimento projetado é de apenas 1,1%. O FMI reforça que a vulnerabilidade da economia global aumentou e que uma escalada do conflito pode agravar o quadro.






