Da redação
Henri Kagan, professor emérito da Universidade Paris-Saclay, e Kenso Soai, professor emérito da Universidade de Ciências de Tóquio, receberam o Prêmio Nobel de Química pelo trabalho sobre efeitos não lineares e autocatálise na síntese orgânica assimétrica. Segundo a Assembleia do Nobel no Instituto Karolinska, na Suécia, ambos dividirão a premiação de 12 milhões de coroas suecas, equivalente a cerca de R$ 6,2 milhões. “Suas descobertas desempenharam um papel determinante para os químicos que projetam reações destinadas à fabricação de produtos farmacêuticos”, afirmou o comitê do Nobel. Soai declarou que este é “o dia mais incrível” de sua vida.
De acordo com a Real Academia Sueca de Ciências, todos os aminoácidos possuem duas variantes especulares, mas somente uma é encontrada nas proteínas das células. O fenômeno é conhecido como “homoquiralidade”. Os pesquisadores buscam há mais de um século entender como esse processo ocorre. O júri destacou que as descobertas de Kagan e Soai permitiram provocar reações químicas que levam à homoquiralidade.
Heiner Linke, presidente do Comitê Nobel de Química, afirmou: “Henri Kagan e Kenso Soai apresentaram uma solução para um mistério químico que remonta a mais de um século: como a homoquiralidade pode surgir espontaneamente”. O avanço inicial foi feito por Kagan em 1986, ao mostrar que é possível quebrar o equilíbrio habitual desse processo, aumentando o excesso de uma das formas. Em 1995, Soai apresentou uma reação autocatalítica que permite amplificar progressivamente o predomínio de uma das formas, processo que refinou em 2003, conseguindo produzir apenas uma delas.
Segundo o comitê do Nobel, antes dessas descobertas não se havia conseguido em laboratório a produção exclusiva de uma das variantes, com exceção dos processos observados na própria vida. Henri Kagan nasceu em 1930 em Boulogne-Billancourt, região de Paris, e é doutor pelo Collège de France. Kenso Soai nasceu em 1950 em Hiroshima e possui doutorado pela Universidade de Tóquio.



