Da redação
A cantora moçambicana Neyma, embaixadora de Boa Vontade do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), defendeu uma mudança de perspectiva sobre a infância e a juventude diante de crises climáticas e da transformação digital, segundo entrevista ao podcast ONU News em Maputo. Para Neyma, é preciso considerar crianças e jovens como agentes ativos, com voz e capacidade para integrar soluções, e não como meros espectadores sem condições de participação.
A artista relatou sua experiência ao visitar o distrito do Búzi, em Moçambique, após inundações históricas, onde presenciou a situação de uma jovem mãe em extrema vulnerabilidade. Segundo Neyma, “coloquei-me no lugar de mãe”, enfatizando que o episódio reforçou sua convicção sobre a importância da empatia e da criação de oportunidades reais para a juventude. A cantora destacou que atribuir responsabilidade e confiança aos mais novos pode contribuir para quebrar ciclos de pobreza e abandono.
Neyma ressaltou que crianças e adolescentes atualmente têm acesso a tecnologias e informações inéditas, tornando-se recursos potenciais para a solução de desafios sociais. “Hoje são quem nos ensinam a mexer na tecnologia”, afirmou, referindo-se à facilidade com que aprendem e compartilham conhecimento. A artista alertou, no entanto, que esse cenário requer atenção e vigilância dos pais e responsáveis, recomendando diálogo transparente e orientação para o uso consciente dessas ferramentas.
A trajetória de Neyma, marcada pela perda da mãe na primeira infância e por desafios até se afirmar como uma das principais vozes do ritmo marrabenta em Moçambique, é usada como referência em seu trabalho de inspiração a meninas e jovens. Ela reafirmou seu compromisso com a missão no Unicef, defendendo que sonhos podem florescer a partir de incentivos e oportunidades, mesmo em contextos adversos.




