Da redação
O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sinalizou ao Kremlin que pode ampliar concessões a Vladimir Putin para negociar o fim da guerra na Ucrânia. Quatro pessoas com conhecimento do assunto em Moscou relataram à Folha que a disposição foi transmitida após a visita do negociador Kirill Dmitriev a Trump, na quinta-feira (5).
Trump estaria disposto a retomar o ultimato de Putin de 2021: perda de quatro regiões ucranianas, neutralidade de Kiev sem apoio da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e retirada de forças ofensivas da aliança do Leste Europeu, inclusive dos Estados Bálticos. Moscou também aceitaria discutir um cessar-fogo antes da paz definitiva, possivelmente na primavera europeia.
Até agora, Moscou condicionava uma trégua ao acordo final. A pausa nos combates perto da cidade sitiada de Olechki, promovida pela primeira-dama Melania Trump, é apontada como possível modelo. As conversas mediadas pelos Estados Unidos estão marcadas para terça-feira (10) e quarta-feira (11), em Abu Dhabi; a França prevê participação europeia.
Uma barreira é a inclusão da Otan: decisões da aliança exigem consenso, e Polônia, Lituânia, Alemanha, França e Reino Unido não devem aceitar a retirada proposta. Jared Kushner, genro de Trump e negociador ao lado de Steve Witkoff, publicou objetivos para um acordo de segurança entre Europa e Rússia, sem citar a Ucrânia.
Volodimir Zelenski pode ser pressionado a aceitar a perda de cerca de 20% do território ucraniano ocupado pela Rússia. Moscou deve intensificar ataques à infraestrutura energética antes do inverno europeu. Dados do Serviço Federal de Estatísticas russo, obtidos por um hacker de Belarus, apontaram ao menos 450 mil russos mortos, em sua maioria militares.




