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Mais da metade dos funcionários da TCB trabalha em outros órgãos no DF

Maior parte dos 387 servidores cedidos está na Secretaria de Mobilidade. Empresa opera 33 ônibus em 14 linhas e atende 18 mil passageiros por dia.

A maioria dos servidores cedidos têm cargos na Secretaria de Mobilidade, no Centro de Assistência Judiciária do DF, no Na Hora e no DFTrans. Sete trabalham na Presidência da República e um na vice-Presidência, um é funcionário na prefeitura do Novo Gama (GO), três batem ponto no Tribunal Regional Federal do DF, sete no Tribunal Regional Eleitoral e 54 no Tribunal de Justiça.

O GDF informou que o remanejamento se deve à “necessidade de pessoal nas mais diversas áreas do governo”. Também afirmou que a situação é “fruto de um longo processo de redução das atividades da TCB”.

A empresa tem 103 motoristas, 92 cobradores e 46 funcionários que fazem a manutenção e operação dos ônibus. Ela opera com 33 veículos em 14 linhas na área central de Brasília e áreas rurais de Planaltina e Paranoá, atendendo 18 mil pessoas por dia.

Reflexos
Para o motorista Darlei Alves, esse desfalque na TCB torna complicadas as condições de trabalho. “Tem uma sobrecarga na empresa. A gente não pode tirar um abono porque falta gente”, disse. “Era melhor a TCB entregar as linhas para o governo e liberar a gente para outras companhias.”

O presidente da TCB, Jean Marcel Fernandes, estima que a situação só deve melhorar com a volta de pelo menos 50 funcionários, principalmente cobradores e técnicos na manutenção dos ônibus. Segundo ele, a empresa enfrenta “necessidade tanto administrativa quanto operacional”.

Cartaz afixado em frente a garagem da TCB (Foto: Isabella Calzolari/G1)Cartaz afixado em frente a garagem da TCB
(Foto: Isabella Calzolari/G1)

A falta de efetivo tem reflexos no funcionamento, de acordo com Fernandes. “Os trabalhadores têm que fazer mais horas extras. E colocamos em circulação menos ônibus do que poderíamos ter”, afirmou. “Poderia ter mais ônibus circulando na linha 108 [que atende a Esplanada dos Ministérios]. Nas áreas rurais, temos uma demanda muito grande.”

Fernandes cita um plano de demissão voluntária, assinado por 81 funcionários. “São pessoas que manifestaram o desejo de parar de trabalhar, mas que eu não posso liberar porque senão eu paro a operação”, lamentou. “É difícil até para montar escala de trabalho.”

Diretor do Sindicato dos Rodoviários, Saul Araújo questiona a demanda da TCB por mais funcionários. “Vai botar onde?”, indagou. Na opinião dele, outras empresas têm mais necessidade. “Hoje a TCB está só com 33 ônibus e 14 linhas em operação. Ela quer recuperar outras linhas?”, referindo-se à menor importância da companhia na frota de mais de 3 mil ônibus no DF.

Greve
No dia 20 passado, os rodoviários da empresa encerraram uma greve de uma semana.  Os trabalhadores pediam 20% de reajuste nos salários, 50% sobre o tíquete-alimentação, extensão do plano de saúde aos familiares e reconhecimento dos direitos de herdeiros em caso de morte.

O diretor-presidente da TCB, Jean Marcel Fernandes, afirmou aos rodoviários que não tinha condições de conceder o aumento porque o GDF já havia estourado o limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal.

Fonte: G1