Da redação
Desde o início de outubro de 2023, bombardeios e tiroteios de Israel na Faixa de Gaza já causaram a morte de mais de 100 crianças, mesmo após o anúncio de uma trégua entre Israel e Hamas, firmado em 9 de outubro, com mediação dos Estados Unidos. A informação foi divulgada nesta terça-feira (13) por James Elder, porta-voz do Unicef, segundo quem o número de vítimas corresponde a “aproximadamente uma criança morta por dia, durante um ‘cessar-fogo’”.
Elder detalhou que “desde o cessar-fogo, o Unicef registrou relatos de ao menos 60 meninos e 40 meninas mortos em Gaza”. Ele ressaltou ainda que o número real deve ser maior, já que apenas incidentes com informações detalhadas foram contabilizados. “Centenas de crianças ficaram feridas”, acrescentou.
O porta-voz também denunciou, falando de Gaza ao lado do menino Abid Al Rahman, de 9 anos, vítima de estilhaços em Khan Younis, as restrições ao acesso a suprimentos médicos, combustível e peças para reparo de sistemas de água e esgoto. Apesar disso, Elder afirmou que houve avanços, como a expansão dos serviços de saúde e abertura de 70 novos centros de distribuição de alimentos, o que contribuiu para a redução da fome.
No âmbito político, as Forças Armadas de Israel alegam que grupos palestinos violam o cessar-fogo, justificando ações militares, enquanto o Hamas acusa Israel de manter políticas de genocídio, especialmente pelo bloqueio da ajuda humanitária. No final de dezembro, o parlamento israelense aprovou uma lei que proíbe a atuação de 37 organizações humanitárias em Gaza, incluindo Médicos Sem Fronteiras (MSF) e a UNRWA. A justificativa seria a recusa dessas entidades em compartilhar dados de funcionários palestinos com o governo de Israel.
A ONU manifestou preocupação com as restrições impostas, incluindo corte de água, eletricidade e comunicações das organizações banidas. O secretário-geral António Guterres alertou que Israel pode ser levado à Corte Internacional de Justiça. O embaixador israelense na ONU, Danny Danon, acusou a organização de tentar “intimidar” Israel e encobrir supostos crimes cometidos pela UNRWA, acusação essa não comprovada, segundo investigação independente.







