Da redação
Uma operação do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) resgatou 67 cortadores de cana em condições análogas à escravidão em uma usina de etanol em Cabo Frio (RJ), de acordo com a fiscalização. A usina pertence à Lagos Bioenergia, que afirmou que os trabalhadores eram contratados por uma empresa terceirizada.
Segundo o MTE, os trabalhadores vieram do Nordeste e de Minas Gerais, com promessa de alojamento e remuneração superior a R$ 1 por tonelada cortada. A fiscalização relatou alojamentos degradantes, infestados de insetos e roedores, sem armários, chuveiro quente ou água suficiente. Também foi identificado que a área da usina era isolada e sem acesso a transporte público.
No canavial, conforme o MTE, as jornadas variavam de 12 a 15 horas diárias, sem acesso a banheiros, material de primeiros socorros ou local adequado para refeições. O corte de cana foi paralisado, contratos rescindidos e, segundo o órgão, a usina pagou cerca de R$ 335 mil em verbas rescisórias e salários, além das passagens de volta dos trabalhadores.
Após a operação, a empresa assinou Termo de Ajuste de Conduta com o Ministério Público do Trabalho no Rio de Janeiro (MPT-RJ), comprometendo-se a não recrutar trabalhadores de outros estados e a adequar a contratação de terceirizados. Vistorias em alojamentos passam a ser obrigatórias, sujeitando a empresa a multa de R$ 30 mil por obrigação descumprida e R$ 5 mil por trabalhador prejudicado.



