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O país suspenso. Poder, desgaste e expectativa no Brasil que caminha em 2026. Artigo de Paulo Baía


Da redação

O artigo de Paulo Baía, sociólogo e professor da UFRJ, publicado em 14 de janeiro de 2026 pela Agenda do Poder, analisa os resultados da pesquisa Genial Quaest divulgada na mesma data. Segundo Baía, o levantamento mostra um Brasil dividido entre a memória dos avanços passados e o desejo de mudanças, com a sociedade oscilando entre a proteção do conhecido e a insatisfação com o presente.

A pesquisa revela que, apesar do desgaste, o presidente Lula lidera todos os cenários eleitorais testados e venceria se a eleição fosse hoje. Lula mantém forte apoio entre os mais pobres, beneficiários de políticas sociais e eleitores do Nordeste. No entanto, enfrenta alta desaprovação e avaliações negativas, principalmente comparadas a seus mandatos anteriores, o que indica frustração generalizada com seu governo, especialmente entre jovens, evangélicos, eleitores de renda média e alta e pessoas com ensino médio e superior.

O texto destaca que o governo Lula administra sob tensão permanente, pressionado por um país impaciente com promessas de longo prazo e por uma sociedade que cobra mais resultados imediatos. Mesmo assim, Lula permanece competitivo devido à ausência de alternativa consensual e à sua identificação com a experiência democrática recente do país.

Baía chama atenção para o desempenho relevante de Flávio Bolsonaro, que entrou oficialmente na disputa em dezembro de 2025. Com apoio consistente, ele se apresenta como uma alternativa competitiva, beneficiando-se da base ideologicamente engajada do bolsonarismo, mas sem o nível de rejeição do pai. O conservadorismo menos agressivo de Flávio tem encontrado eco em parcelas da sociedade cansadas tanto do conflito quanto do atual governo.

A pesquisa indica que o clima informacional é desfavorável a Lula, com predominância de notícias negativas. Baía conclui que, caso o cenário atual se mantenha até outubro, Lula tende a vencer, mas sob forte pressão e margens apertadas. A eleição de 2026, segundo ele, será marcada por conflito simbólico, polarização intensa e exigirá reconstrução política, sem espaço para celebrações fáceis.