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Pesquisa do Cetic.br indica aumento dos golpes digitais e preocupação com uso de IA


Da redação

Cerca de 45 milhões de usuários de internet com 16 anos ou mais no Brasil, o equivalente a 32% do total, relataram ter sofrido tentativas de golpe envolvendo o uso de dados pessoais, segundo a terceira edição da pesquisa “Privacidade e proteção de dados pessoais: perspectivas de indivíduos, empresas e organizações públicas no Brasil”. Outros 20% afirmaram ter sido vítimas efetivas desses crimes. O estudo, coordenado pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), vinculado ao Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), foi apresentado no 17º Seminário de Proteção à Privacidade e aos Dados Pessoais, em São Paulo.

A pesquisa, realizada em âmbito nacional com 2.500 pessoas entrevistadas online, aponta que as tentativas de golpe chegaram principalmente por aplicativos de mensagem, citados em 84% dos casos, além de ligações telefônicas (79%), sites ou aplicativos falsos (71%), SMS (71%), e-mail (69%) e redes sociais (67%). Pessoas com menor escolaridade relataram o problema com mais frequência e enfrentam impacto mais acentuado. Winston Oyadomari, coordenador da pesquisa, destacou que tais golpes geram estresse, mal-estar e riscos à cidadania digital. “O controle de e-mails usados em serviços como o Gov.br pode afetar o acesso a políticas públicas e outros serviços essenciais”, alertou.

O levantamento mostrou que 66% dos usuários de inteligência artificial generativa declaram preocupação com o uso de seus dados pessoais por empresas responsáveis pelas ferramentas. Entre os entrevistados com maior escolaridade, o índice chega a 72%. Entre os usos citados de IA generativa, destacam-se o trabalho e estudo (73%), seguido por preferências pessoais (58%), sentimentos (54%), dados de saúde (52%), fotos (50%), finanças (41%) e dados pessoais sensíveis (37%).

Entre empresas, 69% informaram armazenar dados pessoais de clientes ou usuários, sendo que a biometria lidera os tipos coletados (31%), seguida por informações de saúde (26%). A adoção de estruturas formais de governança segue estável, e a presença de áreas focadas em privacidade cresceu no setor público, especialmente em prefeituras de cidades pequenas. Nas escolas públicas, o avanço na adoção de documentos de proteção de dados e segurança da informação foi de 37% para 54% nos últimos anos, e 39% dos gestores apontaram desafios envolvendo privacidade como fator para evitar plataformas digitais.