Início Ciência e tecnologia USP desenvolve nanopartículas de RNA para tratar psoríase, vitiligo e câncer

USP desenvolve nanopartículas de RNA para tratar psoríase, vitiligo e câncer


Da redação

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto apresentaram, durante a FAPESP Week Londres, uma nova tecnologia baseada em nanopartículas para o tratamento de doenças de pele como psoríase, vitiligo e certos tipos de câncer. O método foi divulgado em junho e busca oferecer maior precisão terapêutica ao atuar diretamente nos genes envolvidos nessas doenças.

O projeto é conduzido pelo laboratório NanoGeneSkin e faz parte das iniciativas do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Nanotecnologia Farmacêutica, recebendo apoio da FAPESP e do CNPq. Os cientistas utilizam moléculas chamadas RNA de interferência, capazes de bloquear a produção de proteínas ligadas à inflamação e ao avanço dos quadros clínicos.

Segundo os estudos, essa abordagem consiste na identificação de genes excessivamente ativos, sobre os quais atua um RNA complementar que reduz especificamente a produção de substâncias nocivas. Com isso, a inflamação diminui de modo seletivo, sem interferir em outras funções corporais. A técnica se insere no conceito de medicina de precisão, evitando efeitos adversos comuns em tratamentos sistêmicos.

Um dos principais obstáculos enfrentados era a sensibilidade do RNA, rapidamente degradado pelo organismo, além da barreira imposta pela pele à penetração de novas terapias. Para contornar esses desafios, a equipe desenvolveu nanopartículas de cristais líquidos lipídicos, que protegem o RNA, favorecem sua absorção e permitem transportar outros medicamentos conjuntamente.

A tecnologia mostrou bons resultados em estudos com modelos animais tanto para psoríase, que leva a lesões e descamação, quanto para vitiligo, caracterizado pela perda de pigmentação. Os pesquisadores destacam que ambas as doenças apresentam genes hiperativos, tornando-as candidatas ao silenciamento por RNA e permitindo a redução relevante dos quadros inflamatórios.

Os avanços também englobam a aplicação de nanopartículas para transporte de RNA mensageiro, semelhante às vacinas contra Covid-19, visando desenvolver vacinas terapêuticas para estimular o sistema imunológico contra tumores. Após patentes concedidas e adaptações para produção em escala, os cientistas trabalham para transformar os resultados em produtos comercializáveis e já despertam interesse da indústria farmacêutica.