Da redação
A declaração do ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, de que a chamada “taxa das blusinhas” causou “forte desgaste” ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e deveria ser revogada, gerou reação negativa nos Ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O comentário foi feito nesta quinta-feira (16), durante um café da manhã com jornalistas no Palácio do Planalto.
Guimarães manifestou sua posição dois dias após Lula afirmar que considera a taxação “desnecessária”. “Quando essa matéria foi votada eu achava que ela não deveria ser aprovada. Foi um dos elementos mais fortes de desgaste do governo. Se o governo decidir revogar, eu acho uma boa. Essa é minha opinião quando eu for consultado”, declarou o ministro.
A cobrança garantiu R$ 5 bilhões aos cofres públicos em 2025 e arrecadou R$ 425 milhões apenas em janeiro de 2026, um aumento de 25% em relação ao mesmo período do ano anterior. No primeiro mês deste ano, foram registradas 15,3 milhões de remessas internacionais, frente a 11,4 milhões em janeiro de 2025, indicando que o imposto não reduziu o consumo.
Técnicos da Fazenda argumentam que o tributo é importante para o cumprimento da meta fiscal e corrige uma distorção provocada pela importação de produtos chineses abaixo do valor de mercado. No MDIC, a medida é vista como positiva para a indústria têxtil, que enfrenta concorrência predatória de produtos asiáticos.
Entre auxiliares de Dario Durigan e Márcio Elias Rosa, a opinião é que Guimarães deveria ter debatido o assunto internamente antes de expor colegas do governo. Técnicos da equipe econômica alertam que a revogação do imposto deve gerar reação negativa no setor privado, mas admitem que, em ano eleitoral, argumentos técnicos podem ser deixados em segundo plano devido à campanha pela reeleição de Lula.














