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Serra começa a definir seu futuro político na próxima terça-feira

jose-serraO presidente do PSDB, deputado federal Sérgio Guerra, estará em São Paulo na terça-feira (22) para se reunir com José Serra.

Embora Guerra afirme que a prioridade do partido agora seja a reestruturação da sigla, a conversa com Serra dará início a negociação do futuro político do candidato derrotado à Prefeitura de São Paulo.

Serra, segundo aliados, já aceitou a ideia de que a vaga para disputar o Planalto em 2014 ficará, pelo menos até segunda ordem, com o senador Aécio Neves (MG). Ainda assim, as conversas com a cúpula tucana serão fundamentais para determinar qual espaço que o ex-governador terá na máquina partidária, ditando assim o tamanho do holofote que lhe será reservado no ano eleitoral.

O time de Serra o queria na presidência do partido, mas outras alas preferem vê-lo no Instituto Teotônio Vilela. Na esfera eleitoral, caso Aécio fique mesmo com a cabeça da chapa presidencial, a saída natural para Serra seria o Senado.

A conversa com Guerra servirá de ensaio para o encontro que Serra terá com o próprio Aécio. Nesse caso, a conversa está marcada para o fim do mês, após o senador mineiro voltar das férias.

Fonte: Poder on line

Lições da campanha Obama’2012

obama vitoriaA reeleição do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, reafirmou algumas importantes lições ao marketing político. Muito mais do que o tão propalado uso da internet e das mídias sociais em sua primeira campanha presidencial em 2008, especialmente divulgado por oportunistas “expert’s de plantão” que a cada véspera de eleições no Brasil tentam vendê-la como a “grande revolução da vez”. A campanha de 2012 veio confirmar uma das premissas básicas do marketing: a segmentação. Tão básica que, na maioria das vezes, é esquecida nas campanhas publicitárias vendidas como marketing, e compradas por candidatos que erroneamente não distinguem o que é uma coisa e o que é outra.

Muito além da simples divisão do eleitorado em classificações como sexo, idade e região, para se ter uma segmentação sólida é necessário haver o maior número possível de informação acerca do eleitor, suas características, gostos, necessidades e costumes. Em comunicação política, mais do que quantidade, o que vale é a qualidade da mensagem. Foi esse o fator diferencial da vitoriosa campanha à reeleição de Obama, ao utilizar de forma inédita no marketing político o cruzamento de dados de uma enorme base unificada chamada de Big Data.

O sistema de análise de dados, gerando informações em alta velocidade em busca de tendências, cenários, motivações e reações, permitiu alcançar cifras recordes de arrecadação, definir e direcionar com precisão os meios nos quais se investiu em propaganda, especialmente nos estados onde a vitória de Obama era mais incerta, possibilitando a personalização e a segmentação das ações e mensagens. Essa capacidade de obtenção e processamento de informações sobre os eleitores foi decisiva ao desenvolver uma campanha nacional como uma eleição local, em que os interesses individuais eram conhecidos e abordados.

Depois dessa eleição, é possível afirmar que nunca mais uma campanha presidencial americana será igual. Os eleitores mudaram, e a equipe de campanha de Obama teve a exata noção. Por isso o resultado que, a princípio alguns agentes da mídia tentaram passar como “apertado”, não se concretizou. A considerável diferença (61,7% Obama, 38,3% Romney) demonstra claramente que os Republicanos, partido de oposição a Obama, não modificaram seu modo de fazer política, nem de fazer campanha. Assim como diversos políticos brasileiros. Talvez também por isso é que muitos, após longos anos de mandatos, hoje estão fora da cadeira que por tanto tempo ocuparam. Partidos e políticos devem entender e fazer parte dessa nova dinâmica, ou ficarão pelo caminho.

Dessa forma, a reeleição de Barack Obama serve como base de por onde caminhará o marketing político nos próximos anos. Em vez de intuições amadoras daqueles que enchem o peito para dizer que acompanham eleições há décadas e se guiam por instintos, a campanha de Obama baseou-se na precisão fundamentada em estatística, informação e estratégia, o caminho da vitória.

Por Leandro Grôppo

Fonte: Strattegy Comunicação & Marketing Político

Ano político ainda não começou

cldfO governo voltou de férias. Os deputados distritais ainda não. O recesso termina oficialmente em 1º de fevereiro. Trabalho mesmo, efetivamente, só no dia 18 do próximo mês. A razão é que o Carnaval começa mais cedo este ano, no dia 8, sexta-feira. Até lá, a preguiça impera na política.

Somente com o retorno dos distritais é que a política dá as caras. A nova Mesa Diretora da Câmara Legislativa promete melhorar a imagem da Casa. E honrar compromissos. O relacionamento com o Executivo também tende a melhorar. Mantendo-se a independência entre os poderes, é claro.

No Palácio do Buriti o ano começou com mudanças. Sai o secretário de Transparência, Carlos Higino. Ele era um dos melhores quadros do governo. E teve participação importante em momentos de crises, como no depoimento do governador Agnelo Queiroz na CPI do Cachoeira. Foi Higino um dos responsáveis pela preparação de Agnelo antes de enfrentar o Congresso.

Quem chega é o ex-presidente do PT, Raimundo Junior. Ele assumiu essa semana a chefia de gabinete do governador, cargo que tem status de secretário de Estado. Raimundo Júnior foi coordenador da campanha de Agnelo. Só não assumiu uma função do Buriti porque questões jurídicas o impediram, como a Lei da Ficha Limpa.

O novo chefe de gabinete de Agnelo resolveu as pendências na justiça e estava lotado como assessor especial da governadoria desde o ano passado. Sua nomeação atende ao grupo Construindo um Novo Brasil, facção criada em 2012 dentro do PT do Distrito Federal e que vem ocupando cada vez mais espaços no GDF.

Quem perde é a tendência Articulação, que vê seu poder diminuir a cada dia. É uma briga interna que só traz problemas ao governo. A mais pura autofagia petista. Agnelo ainda irá fazer mudanças na administração. Terá a chance de acalmar os descontentes.

Fora do PT, pouca coisa acontece. As oposições ao governo tentam se articular. Vez ou outra se fala da movimentação do ex-governador Joaquim Roriz. Ele estaria preparando o retorno a política, caso a justiça eleitoral assim o permita. O nome Roriz ainda causa calafrios nas hostes petistas. Sabe que um embate com o ex-governador é um páreo duro.

Joaquim Roriz não deve ser candidato. Vai apoiar alguém para disputar com o PT de Agnelo. O nome preferido é o da filha, a deputada Liliane Roriz (PSD). Seria uma candidatura que não se pode desprezar.

Caso haja acordos e alianças, e Liliane vier a ser vice na chapa do senador Rodrigo Rollemberg (PSB), não se deve estranhar a presença de Roriz com o socialista. Em 2010 Rollemberg e Roriz ensaiaram uma aliança. A Caixa de Pandora e a crise política os afastaram e Rollemberg caiu no colo de Agnelo. 2014 será diferente.

Quando o ano político começar de fato, será bem intenso. Balões de ensaios, negociações e arranjos das mais diferentes formas serão projetados. Agnelo larga na frente porque tem a caneta na mão. Quem quer chegar ao Buriti tem que fazer acordos.

Sozinho, sem apoio ou grupo político não tem candidatura que se sustente. Hoje uma dezena de candidatos ao cargo de governador age dessa forma. Agnelo aposta na desarmonia da oposição para atrair o máximo de aliados possíveis. Mas isso só quando 2013 começar.

Fonte: Blog do Callado

A decisão de concorrer II

candidato com a familiaAo decidir-se pela carreira política tenha certeza de que sua vida irá mudar, e muito.

Concorrer numa eleição, mergulhar na carreira política e na vida pública, é, pois, uma decisão que vai mudar a vida de muitas pessoas, a começar pela sua e de sua família. Não é pois, uma decisão que se toma por insistência de outros, por ambição ou mesmo por surtos de vaidade e otimismo. Ao contrário, é uma decisão que supõe madura reflexão e profunda, sincera e impiedosa auto-análise sobre sua real disposição para aceitar todas as implicações dela decorrentes.

Para se candidatar é preciso acertar o alvo na hora certa

Esta advertência vale principalmente para quem se inicia na carreira política, mas é também um exercício de reflexão pessoal válido, para quem nela já se encontra, e está prestes a enfrentar uma nova eleição. É prudente, antes de formalizar a sua decisão de concorrer, fazer-se a si mesmo algumas perguntas preliminares e respondê-las com sinceridade e realismo.

As perguntas que você deve responder antes de se candidatar:

1. Será que eu quero mesmo aquele cargo/função?

As funções públicas são diferenciadas. Elas exigem, para seu bom desempenho, temperamentos e habilidades também diferenciados. Talvez seja mais fácil para você se eleger como vereador. Mas será que você deseja ser vereador? Há pessoas com talentos, experiências e habilidades de natureza executiva, que jamais conseguem se adaptar ao mundo legislativo. Por outro lado o inverso também é igualmente verdadeiro. O indivíduo que se elegeu para uma função que colide com seu temperamento e vocação, não a desempenhará bem, seu desinteresse ficará manifesto. A vida política exige muito de quem a serve. O entusiasmo e a satisfação pessoal com o cargo, são indispensáveis para uma carreira de sucesso.

2. Será que eu sei, com clareza, o que eu quero fazer com o cargo?

A pergunta pode parecer banal, mas não é. Os cargos públicos detêm poder, mas este poder está delimitado por “competências próprias”. É dentro da competência específica do cargo que você ocupa, que o exercício do poder se realiza. O que você pretende fazer, quando estiver investido nos poderes do cargo, é o seu principal argumento para ser eleito. Sua campanha vai colocar no centro da comunicação e publicidade, aqueles projetos com os quais você se compromete. Estes projetos, é óbvio, devem situar-se dentro da esfera de competência do cargo em disputa, sob pena de sua candidatura não ser levada a sério. Além disso, o seu argumento eleitoral é, em última análise, o anúncio do que você pretende fazer se eleito.

Por isso, tente responder a pergunta: – Porque você é candidato? Faça isso enunciando em 25 palavras, da forma mais persuasiva possível, porque as pessoas devem votar em você, e não em seus adversários. Se não conseguir, esqueça, você não tem argumento eleitoral.

Tornou-se histórico o episódio (1980) em que Ted Kennedy, perguntado na célebre entrevista com Roger Mudd da CBS, porque queria ser presidente, “enrolou-se” de tal forma para responder, que ficou evidente para todos sua vontade de ser presidente e sua absoluta falta de clareza sobre o que faria, caso viesse a ser eleito. Não deu outra. Sua pré-candidatura morreu naquela entrevista.
3. Vou dispor do tempo necessário para a função?

Cargos políticos costumam ser extremamente absorventes no que diz respeito ao tempo

Cargos políticos, principalmente eletivos, são mal remunerados. Muitas pessoas ao entrar na política têm prejuízos financeiros. O cargo público proíbe o exercício de algumas atividades remuneradas e permite o de outras. Estão proibidas aquelas que podem levar o titular do mandato ou função a conflito de interesses, ou à eventual situação em que poderia extrair benefícios privados de sua função pública. Aquelas atividades que não colidem com o interesse público estão pois liberadas. Desta forma, o Ministro Gilberto Gil, da Cultura, continua trabalhando como artista, um ministro médico pode clinicar, um secretário de estado pode ser professor numa Universidade, por exemplo.

Em tese funciona assim. Na prática não é tão simples. Salvo casos excepcionais, a idéia de que é possível acumular a função política com atividade profissional privada, sem prejuízo maior para nenhuma, é uma ingenuidade. Poucas atividades são tão absorventes de tempo quanto a política. O político, aquele que faz da política a sua atividade principal, é um profissional da carreira pública. Ele vive sempre numa condição de déficit de tempo.

Está sempre apressado, usualmente atrasado, está sempre “devendo” uma visita, um tempo livre para analisar as matérias sobre as quais vai decidir, uma viagem um telefonema, um encontro, uma reunião… Sem falar na preparação para a próxima eleição, e o ano eleitoral, totalmente ocupado em função da eleição.

Entrando na política com esta visão ingênua da possibilidade de combinar as duas atividades, muito breve você terá que optar por ser ou um mau político, ou um mau profissional. Em geral, o apelo da política vence.

4. Será este o momento certo?

Para ter sucesso na política é preciso combinar a pessoa certa, para a função certa, no momento certo. Saber o momento certo, perceber o “sorriso da oportunidade”, é um sinal de sensibilidade política e de sabedoria.

Há momentos em que é preferível saltar aquela eleição e esperar outra. Há outros em que é preciso ousar e correr os riscos porque as oportunidades são superiores a eles. Os fatores que podem interferir na definição do momento certo são tão variados que não é possível enunciá-los aqui. Podem ser de ordem pessoal, partidária, podem decorrer dos sentimentos da opinião pública, assim como de outras razões. Cabe a você sentir o seu tempo, avaliá-lo e decidir. O momento certo não é garantia de vitória, mas de boa possibilidade.

Na próxima edição, vamos apresentar mais perguntas que o candidato deve responder para si mesmo, antes de decidir-se a concorrer.

Fonte: Política para Políticos

Guarda Janio recorre ao TSE para posse como Deputado Distrital

guarda janioEu creio na justiça de deus e confio na sensibilização do coração dos ministros do TSE! dois desembargadores do tribunal regional do distrito federal me deram posse imediata ao cargo de deputado distrital nas eleições de 2010, mas o posicionamento dos magistrados aguarda decisão final dos sete ministros do Tribunal Superior Eleitoral.

Fui injustiçado até agora! Sou filho de uma família humilde e por três vezes concorri ao cargo de Deputado Distrital nas Eleições de 2002, 2006 e 2010, sendo que obtive, respectivamente nesses pleitos, 3.310 votos, 6.441 votos e, na última eleição, 13.735 votos.

Fui injustiçado, pois nunca me deram espaço para trabalhar pela população.

No entanto, mesmo sem apoio, a comunidade felizmente reconhece todo o trabalho comunitário que desempenhei por todos esses anos. Quero ser o diferencial dentro da categoria Policial Militar, pois sempre fui um trampolim para as outras pessoas oportunistas em virtude do bom coração que tenho. Muitos já me enganaram com promessas falsas, mas uma coisa é certa, nunca desistirei, porque sirvo um Deus da vitória e aguardo a decisão eleitoral confiante.

Não entendo como o julgamento deste caso perdura por mais de 2 (dois) anos e não haja, até então, uma resposta definitiva. A Lei é clara ao dispor que a prática do abuso do poder econômico e da compra de votos ensejam, por consequência, a nulidade dos votos obtidos e a cassação do diploma/mandato.

Se os votos não podem ser considerados válidos para o candidato que praticou os ilícitos eleitorais, por óbvio não podem beneficiar outro candidato do mesmo partido, pois são os mesmos votos e continuam viciados!

A Lei é bem clara e neste caso deveria haver a perda imediata do mandato ocupado ilicitamente. Ademais, ainda existe a agravante de parlamentar ter exercido o cargo de Deputado Distrital durante 1 (um) ano, por força de liminar, mas posteriormente ter tido o mandato cassado.

Diante de tantas injustiças eleitorais ocorridas nesses anos, as quais foram noticiadas na televisão e nos demais meios de comunicações, não consigo entender a situação atual que vivemos no Brasil. Creio em uma reviravolta em 2013 e um milagre de Deus neste caso. Acredito em uma decisão final do TSE neste mês de fevereiro, pois não agüento mais esta angústia que estou vivendo. O Dr. Jackson Di Domenico está nesta causa e me estendeu a mão por acreditar que a legislação eleitoral irá fazer justiça neste país, seja pela vontade do povo, seja pela vontade de Deus!

Por Guarda Janio

Vai ao Plenário fim de coligação em eleições proporcionais

Reforma politicaDiscussão em primeiro turno da PEC 40/11, uma das propostas mais polêmicas da Reforma Política. De autoria do senador José Sarney, a PEC altera o art. 17 da Constituição Federal, para permitir coligações eleitorais apenas nas eleições majoritárias (para presidente da República, governador e prefeito).

O texto mantém a determinação constitucional vigente que assegura autonomia dos partidos para estruturação e organização interna, prevendo em seus estatutos normas de fidelidade e organização partidária. Também mantém a não obrigatoriedade de vinculação entre as candidaturas em âmbito nacional, estadual, distrital e municipal.

O objetivo da proposta seria evitar as “uniões passageiras ou por mera conveniência” estabelecidas no período eleitoral para as eleições proporcionais, geralmente sem qualquer afinidade entre os partidos coligados no que diz respeito ao programa de governo ou à ideologia.

Essas coligações efêmeras, justifica o autor, têm por objetivo, geralmente, aumentar o tempo de propaganda eleitoral no rádio e na televisão de partidos maiores e viabilizar a conquista de um número maior de cadeiras nas Casas Legislativas por partidos menores, ou ainda permitir que esses partidos menores alcancem o quociente eleitoral.

A PEC 40/11 teve como relator na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) o senador Valdir Raupp (PMDB-RO). Tramita em conjunto com a PEC 29/2007, do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), considerada prejudicada pelo relator.

Ao tratar do mérito da proposta, Valdir Raupp observou que a medida contribuirá para o fortalecimento dos partidos políticos e para a transparência na representação política, já que, com o fim das coligações nas eleições proporcionais, o voto dado no candidato de um determinado partido não poderá contribuir para a eleição de candidato de outra agremiação.

À PEC 40/11 foram oferecidas três emendas do senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE), todas com a finalidade de criar a chamada Federação dos Partidos. De acordo com essa proposta – rejeitada pelo relator, que entendeu que ela ia de encontro ao espírito da PEC –, dois ou mais partidos poderiam se reunir em uma federação, e, após a sua constituição e respectivo registro perante o Tribunal Superior Eleitoral (STF), atuar como se fossem uma única agremiação partidária, devendo permanecer a ela filiados, no mínimo, por três anos, observada a fidelidade partidária quanto ao desligamento de seus integrantes com mandato eletivo.

Quociente eleitoral

Durante a tramitação das PECs na CCJ, o senador Inácio Arruda (PCdoB-CE) apresentou voto em separado pela rejeição das propostas. Ele argumentou que proibir as coligações é restringir o direito de livre associação, garantido pela Constituição aos partidos políticos.

De acordo com Inácio Arruda, sem as coligações, não apenas os partidos pequenos, mas também os médios e até mesmo alguns dos grandes teriam dificuldades para atingir o quociente eleitoral em muitos estados. Segundo ele, em dez das 27 unidades federativas, esse percentual nas eleições para a Câmara dos Deputados chega a 12,5% dos votos válidos; em outras nove, fica entre 5,5% e 11%.

Assim, levando em consideração os votos obtidos nas últimas eleições, o senador afirmou em seu parecer que, sem coligação nas eleições proporcionais, no estado de Roraima, apenas um partido teria atingido o quociente eleitoral no último pleito. Em mais seis estados e no Distrito Federal, somente dois partidos.

O voto do senador foi derrubado em votação nominal na comissão, por 14 votos a 3.

Discussão e votação

A PEC do fim das coligações nas eleições proporcionais deverá ser votada definitivamente em Plenário no dia 21 de março, em sessão exclusiva para tratar de matérias da Reforma Política, conforme acordo feito pelos senadores.

Antes disso, a proposta deverá passar por cinco sessões de discussão, a partir da próxima terça-feira, votação em primeiro turno e três sessões de discussão em segundo turno. O processo poderá ser adiado caso a matéria receba emendas de Plenário, que precisarão ser analisadas pela CCJ.

A PEC será considerada aprovada se obtiver, em ambos os turnos, três quintos dos votos dos membros do Senado. Nesse caso, ela será enviada à Câmara dos Deputados.

Fonte: Políticos Brasileiros

PEC acaba com reeleição para o Executivo e fixa coincidência de mandatos

jorge corte realEm análise na Câmara, a Proposta de Emenda à Constituição 224/12 propõe uma série de alterações no sistema eleitoral brasileiro. O texto, do deputado Jorge Corte Real (PTB-PE), acaba com a reeleição para o Executivo – Presidência da República, governos de estado e prefeituras – e estabelece a coincidência de todos os mandatos, que passam a ter duração de cinco anos a partir de 2022.

Com a mudança, no lugar de eleições a cada dois anos, o País terá pleitos a cada cinco. Atualmente, os mandatos para todos os poderes têm duração de quatro anos, mas as eleições para os cargos executivos e legislativos – Câmara dos Deputados, assembleias legislativas e câmaras de vereadores – são realizadas com diferença de dois anos.

Senado
Ainda conforme a proposta, os mandatos de senador também serão modificados. Cada representante de estado no Senado terá mandato de apenas cinco anos. Atualmente, permanecem oito anos no cargo.

A eleição de suplentes de senador também muda. Pelo texto, serão suplentes do eleito o segundo e o terceiro candidatos com maior número de votos. Hoje, elege-se uma chapa fechada – o eleito já traz os dois suplentes.

Exceções
Para garantir a realização simultânea de eleições para todos os cargos, a proposta estabelece que, excepcionalmente, prefeitos e vereadores eleitos em 2016 terão mandatos seis anos. Da mesma forma, os integrantes do Senado escolhidos em 2018 ficarão nove anos na posição.

Corte Real argumenta que a coincidência de mandatos “quase se justifica por si mesma”. Segundo afirma, “não há motivos para o País se ver, de dois em dois anos, às voltas com eleições e com o custo para a Nação que acarretam, seja econômico, seja político”.

Ainda conforme o deputado, a prática também mostrou que a reeleição para os cargos do Executivo não beneficia a qualidade da administração pública, “mas facilita a sedimentação de oligarquias nos municípios, nos estados e até no nível federal”.

Tramitação
Inicialmente, a proposta será analisada pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania quanto à admissibilidade. Caso seja acatada, seguirá para uma comissão especial criada especialmente para sua análise.

Íntegra da proposta:

Reportagem – Maria Neves
Edição – Newton Araújo
Fonte: Agência Câmara Notícias

Perfil – Alberto Fraga

alberto fragaJoão Alberto Fraga Silva é Coronel da reserva da Polícia Militar do DF,  foi Deputado Federal por três mandatos e ocupou o cargo de Secretário de Estado de Transportes do DF. Fraga nasceu em Estância, Sergipe, em 2 de junho de 1956. Pouco tempo depois, seu pai, homem da terra, morreu deixando os oito filhos e a esposa. Aos 10 anos, Fraga mudou-se para Brasília, e foi morar com o tio José Coriolano Fraga, policial militar. Oito anos depois ingressou na PM, onde construiu uma carreira brilhante, muito respeitada entre os colegas.

Adotou Brasília como lar e aqui se casou em 1981 com a gaúcha Mirta Brasil Fraga, com quem teve três filhos. Na PM, Fraga conquistou todos os níveis da hierarquia militar, em 1996, foi provomido a coronel por merecimento.

Em 1997 Fraga tornou-se assessor parlamentar das polícias militares na Câmara dos Deputados e também presidente do clube dos oficiais da PM. A proximidade com a vida política o conduz às eleições de 1998, quando foi eleito suplente de deputado federal, com 22 mil votos. Mas logo no início assumiu uma cadeira na Câmara.

Em 2002, seria eleito com 27.939 votos e reeleito em 2006 com 95.514 votos, pelo então PFL. Durante os mandatos foi vice-líder do PMDB, em 2003, vice-líder do PFL, entre julho de 2005 e janeiro de 2007, e vice-líder do DEM.

Em 2011, foi candidato a uma vaga no senado, tendo mais de meio milhão de votos.

Como deputado, Fraga logo conquistou o respeito dos colegas da casa, por sua dedicação e combatividade. Assíduo, presente, trabalhador, foi o recordista de projetos apresentados naquela casa. Fraga participou de diversos momentos decisivos da vida nacional e nunca temeu desafios – por maiores que pudessem parecer -, como o referendo que previa o desarmamento da população civil. Com pouco apoio no começo, lutando contra titãs (o Governo federal e a mídia em peso estavam contra ele), Fraga soube mostrar com clareza o risco que o país corria, conquistou o apoio da sociedade e conseguiu o impossível: o ‘Não‘ venceu.

Conhecido pela determinação, pulso firme e personalidade forte, Fraga não é de meias palavras. Ao se lançar em uma missão não dá ouvidos a propostas ou acordos políticos, muitas vezes contrariando pessoas do mesmo grupo a que faz parte. Atualmente é presidente do Democratas – DF.

Parlamentar atuante

Deputado com um dos maiores números de proposições apresentadas na Câmara dos Federal, mais de 500, Alberto Fraga (DEMOCRATAS-DF) é conhecido por ser um político sério, coerente e de punho firme. Foi considerado também um dos deputados mais atuantes do Congresso Nacional. Desde 1999, quando assumiu o seu primeiro mandato, Fraga defendeu os interesses da população brasileira sem se curvar a acordos políticos.

O ex-deputado federal e atual presidente do Democratas-DF é reconhecido como um dos maiores especialistas em segurança pública. Coronel da reserva da Polícia Militar, advogado, pós-graduado e mestre em segurança pública, Fraga utilizou seus conhecimentos com o intuito de ajudar a reduzir os índices de violência no País.

Como a segurança está diretamente relacionada à qualidade de vida da sociedade, Fraga atuou  também nas áreas de educação, saúde, geração de emprego, moradia, entre outras. Após ter se licenciado da Câmara dos Deputados por três anos, entre 2007 e 2010, para assumir a Secretaria de Transportes do DF, Fraga também tornou-se especialista nesta área.

Foi autor de onze leis importantes, entre elas a que estabelece a presunção da paternidade no caso de recusa do suposto pai de submeter-se ao exame de DNA.  Outra lei de sua autoria tipifica como crime o ingresso e uso de celulares em presídos sem autorização legal. As detentas também foram beneficiadas com a Lei 12.121/2009, que determina que os estabelecimentos penais destinados às mulheres tenham apenas agentes feminos na segurança interna.

Já a Lei Fraga, como é conhecida, possibilita a prestação de serviços administrativos nas Polícias Militares e Corpo de Bombeiros, beneficiando, até o momento, mais de 140 mil jovens em todo o país. As crianças portadoras de necessidades especiais também foram beneficiadas com a lei 11.982/ 2009, que determina a adaptação de 5% dos brinquedos em parque de diversões público e privados.

Foi presidente nacional da Frente do “Não” no referendo de 2005 garantindo o direito da legítima defesa à população brasileira. Com pouco apoio no começo, lutando contra titãs (o Governo federal e a mídia em peso estavam contra ele), Fraga soube mostrar com clareza o risco que o país corria, conquista o apoio da sociedade e consegue o impossível: o ‘Não‘ venceu.

Fraga participou de várias missões oficiais. Em 2000, em visita à Índia, foi representante da Câmara dos Deputados visando o estreitamento das relações diplomáticas e comerciais entre o Brasil e aquela nação. Conheceu o sistema policial de vários países, como  Portugal, Espanha, França, Holanda, Itália, Bélgica, Alemanha, Grécia, Áustria, Noruega, Hungria e Inglaterra. Participou também de visita técnica a empresas de biotecnologia nos EUA.

Após ocupar a cadeira secretário de transportes do DF, Fraga retornou à tribuna para defender os interesses de Brasília e do Brasil. Na Secretaria de Transportes, Fraga desenvolveu ações com objetivo de moralizar e modernizar o sistema de transporte público do DF . A mais importante refere-se aos trabalhos previstos pelo Programa Brasília Integrada .

Durante os três mandatos usou a tribuna e a caneta com coragem e responsabilidade, tanto no Legislativo quanto Executivo, sempre em favor do povo brasileiro. Essa é a marca do ex-deputado Alberto Fraga.

Fonte: Blog do Fraga

Entrevista – ‘A internet e as eleições’

gabriel rossiGabriel Rossi e Aldo Fornazieri, estudiosos do processo eleitoral, publicaram, no dia  24 de julho, um artigo chamado “A internet e as eleições”  (O Estado de São Paulo) . Ambos descrevem o cenário político na rede e apontam para as tendências até outubro de 2010. O Já Voto! quis saber mais sobre o tema e conversou por e-mail com os dois especialistas.

Já Voto! – Vocês conseguiram aferir a quantidade e a qualidade das citações dos candidatos à Presidência da República nas redes sociais. Como foi feita essa verificação? As qualitativas, particularmente, são 100% confiáveis? E quais seriam esses números? Quais são os candidatos que possuem mais menções positivas?

GABRIEL: Para este tipo de análise, utilizamos uma ferramenta que monitora mais de 100 milhões de sites e fontes – entre blogs e comentários em fóruns, vídeos, etc., com o público que participa e se expressa no Twitter, Facebook, entre outros. É claro que a análise qualitativa depende muito da interpretação de quem analisa os comentário e acredito que é aí que está o segredo de nosso trabalho. Uma análise realizada em parceria por um estrategista de marketing na internet e um professor de Ciências Políticas de altíssimo nível será, com certeza, melhor feita do que simplesmente analisar o que é dito sem um cabedal de informações prévias que subsidiem a própria análise. Do contrário, o levantamento fica estéril. Acreditamos que sim, que são muito confiáveis uma vez que expressam números, além de levar em consideração perspectivas de marketing, perspectivas históricas, socioeconômicas, entre outras. Número de citações, análise sobre se estas citações são positivas, negativas, neutras e em quais quantidades etc. Percebemos que, por exemplo, comparando os “tags” “José Serra”, “Dilma Rousseff” e “Marina Silva” na blogosfera, num período de 30 dias (até a tarde de 14 de julho), o primeiro é responsável por 44.5% das menções, a segunda por 39.33%, e “Marina Silva”, por 16.20%.
As análises qualitativas dependeram de um trabalho especializado que fizemos para filtragem de informações. Em outras palavras, a interpretação foi primordial principalmente no que se refere ao sentimento do eleitor na web em relação ao candidato. Por exemplo, Marina Silva se beneficia, de alguma forma, do choque direto entre os militantes de José Serra e Dilma Roussef.
Embora a candidata seja menos citada em relação aos candidatos do PSDB e PT, possuindo inclusive menos cabos eleitorais, as citações que envolvem Marina Silva possuem mais menções de apoio e menos rejeição em ambientes como o Twitter, por exemplo. Podemos dizer que ela tem, como saldo, uma aparição neste ambiental que é mais positiva.

Já Voto! – Vocês constataram que o debate na rede, atualmente, passa pela desqualificação política. Poderia citar alguns exemplos? Como fazer para que a “estratégia caótica de guerra” não contamine as campanhas eleitorais até outubro?

GABRIEL: Troca de acusações mentirosas, as etiquetas básicas da internet e das comunidades deixadas de lado, além da utilização de táticas de desinformação são alguns exemplos desta estratégia que definimos como “caótica de guerra”. Para que o debate não se contamine, dependeremos muito da atuação dos especialistas em marketing e internet das campanhas. Vale lembrar também que os princípios básicos e fundamentais de marketing são os que definem marcas sólidas na web social. É preciso pensar de forma integrada. As mídias sociais são amplificadores de princípios cardinais que tornam uma marca política forte. Antes de qualquer coisa, por exemplo, marcas políticas são alicerçadas em cima de carisma e narrativa e uma idéia única e diferenciada. As mídias sociais fizeram este preceito mais verdadeiro do que nunca. Por causa disso, nossa metodologia de trabalho na internet considera diversas variáveis como: Proposta de campanha, tamanho do partido, as lideranças fortes agregadas, capilaridade, reputação, expectativa de votos, vulnerabilidade de relacionamento com diversos stakeholders, interesse geral do público-alvo pela eleição, orçamento da campanha, avaliação de carisma do candidato, votos de legenda, entre diversas outras coisas.

ALDO: Toda campanha política envolve elementos fortes de embate e de confronto. Mas diferentemente da guerra onde há o confronto físico, na campanha vale a capacidade de convencimento, principalmente em torno de duas coisas: 1) as qualidades e capacidades do candidato; 1) a excelência, viabilidade e factibilidade das propostas. O debate na Internet não pode se desvencilhar destas duas dimensões ancoradoras das campanhas. Desta forma, a mera acusação desqualificadora do adversário poderá se tornar contraproducente se o público debatedor exigir um nível minimamente razoável de qualidade. Claro que uma disputa eleitoral não pode ser concebida como um festival de gentilezas e de troca de flores entre candidatos. Ele incorpora táticas de ardis e astúcias. A Internet, pela sua dimensão e pelo aspecto de liberdade de participação que suscita, pode ser concebida também como um campo de batalha argumentativa onde os ardis e as astúcias retóricas podem ganhar enorme relevo. Tudo isto, no entanto, depende da capacidade estratégica dos comandos das campanhas. O que apontamos também é que, em boa medida, se os centros nevrálgicos das campanhas, como sites das candidaturas e dos partidos, não direcionarem positivamente o conteúdo do debate, este tende a se reproduzir de forma pobre na rede.

Já Voto! – Vocês concluíram que as posições e as propostas dos candidatos ainda não estão claras e não entraram em debate nas redes sociais. No caso das últimas eleições nos EUA e na Colômbia, havia esse tipo de manifestação, que discutia projetos. Você poderia citar exemplos do enfrentamento de idéias nesses países por meio da rede? Há chances de o debate caminhar positivamente para esse lado no Brasil?

GABRIEL: Na Colômbia, o candidato a presidente Antana Mockus (oposição) conseguiu um número muito expressivo de fãs no Facebook. Aparentemente ele teria poucas chances contra o candidato da situação, que é muito bem avaliada no país vizinho. É possível, sim, dizer que a estratégia desenhada para a internet de Mockus tenha colaborado para sua campanha, com a disseminação correta de informações e um debate mais vivo do que estamos vivenciando até o presente momento no Brasil.
Na eleição de Barack Obama, a internet talvez tenha chegado a um outro nível, num patamar mais elevado. Havia disseminação, feedback imediato, organização das pessoas que aderiram à marca ou ao candidato, intensa prospecção e um excelente método de arrecadação de fundos. A proposta da candidatura Obama vinha naturalmente com um conceito de branding sólido, que se adaptou perfeitamente à web. Obama conseguiu centralizar seu discurso em um único e poderoso conceito – o de mudança (“Change”). É sabido que marcas que deram certo costumam focar em uma única mensagem, não em duas nem em três. Esta regra também vale para o mundo digital e para a política. Além disso, permanecendo fiel à mesma idéia diferenciada desde o princípio de sua campanha, a personalidade da marca Obama ganhou credibilidade ao longo do tempo e este fortalecimento migrou para a websocial e vice-versa. Sem dúvida nenhuma, Obama era uma marca com uma visão fortíssima que enxergava a situação de uma maneira específica e encorajava as pessoas para fazer parte do mesmo sonho, investindo forças para o futuro. Tudo isso de alguma maneira foi amplificado na campanha realizada na internet.
No Brasil o debate tende a evoluir e erros serão normais, mas, independentemente disto, é pouco provável termos algo parecido com Obama nestas eleições, uma vez que o país é muito menos conectado que os EUA. Lá, houve uma aparente opção do público por uma mudança (change) inclusive no campo econômico que não sabemos se ocorrerá igualmente aqui. Por outro lado, a nova classe média que agora experimenta a internet no Brasil poderá sentir a necessidade de ser suprida com conteúdo que talvez leve à decisão por determinado candidato. O voto no Brasil é obrigatório. Isto naturalmente reduz o genuíno caráter pró-ativo da participação, que é cardinal nas redes sociais. Ao contrário dos americanos, não vivemos nenhuma ruptura sócio-econômica e nem uma crise de reputação que, sem dúvida, incentivariam um volume maior de pessoas a debater fortemente política na internet. Até por isso, é necessário traçar uma estratégia para a internet que seja ao mesmo tempo inteligente e vencedora.

ALDO: Nenhuma campanha, nenhuma marca política, nenhum projeto de marketing político tende ser vencedor se estiver dissociado daquilo que definimos como princípio de realidade. Uma campanha se insere sempre num contexto histórico e em uma conjuntura política dados. No estudo da Teoria Política aprendemos que, de modo geral, existem duas tipologias de conjunturas: a da conservação(continuidade) e a da mudança. A conjuntura na qual Obama disputou as eleições era de mudança: fracasso do governo Bush, crise econômica, subprime e crise hipotecária, desaprovação da guerra do Iraque e baixíssima avaliação do então governo. Naquela conjuntura concentram todas as atenções na palavra mudança (change) fazia todo o sentido e os estrategistas de Obama foram muito felizes e competentes na escolha.
A conjuntura das eleições presidenciais brasileiras de 2010 tem o sinal inverso daquelas últimas eleições presidenciais norte-americanas. Aqui a conjuntura é de conservação/continuidade: bom desempenho econômico, emprego em alta, melhoria nos ganhos salariais, maior presença do Brasil no mundo, fator que gera auto-estima, e presidente bem avaliado. As estratégias, as marcas e o marketing precisam partir deste princípio de realidade. Dilma é favorecida pela conjuntura. A estratégia de Serra precisa ser muito mais complexa, articulada e inteligente para lidar com a adversidade conjuntural. Marina, como pertenceu ao governo, poderia adotar uma estratégia ambivalente: de continuidade e mudança.
O que se nota é que, até o momento, apenas a campanha da Marina apresentou as Diretrizes do Programa de Governo na Internet. É também a campanha que mais procura investir no debate de propostas. A campanha de Serra abriu um processo de constituição participativa do programa na própria Internet. Até agora, a repercussão foi pequena. Tendo a acreditar que foi um método errado: o estímulo à participação precisa ocorrer a partir de algo concreto, de algum conteúdo já definido. Existe uma falsa crença democratista de que a participação, por si só, pode gerar conteúdo e excelência. Ocorre que a política, mesmo a política democrática, jamais se despirá de uma dimensão de verticalidade, de comando e direção. O dia em que isto ocorrer, a política deixará de existir. Assim, a política democrática precisa lidar, sempre, com duas chaves: direção e comando de um lado, e estímulo à participação, de outro. Acreditamos que esta regra vale também para a Internet.

Já Voto! – Segundo o artigos de vocês, terá sucesso nestas eleições quem conseguir identificar o comportamento dos jovens nas redes sociais e, claro, conseguir influenciar esse público dentro das redes. Não basta a campanha dominar e utilizar as ferramentas; saber a forma de comunicação dos jovens nesse meio é importante. Na visão de vocês, mesmo que os políticos descubram a forma de atuação dos jovens mais escolarizados, vocês apostam que eles estão dispostos a discutir política no Brasil?

GABRIEL: O jeito que falávamos e percebíamos política no passado não é necessariamente a mesma forma que o jovem conectado à internet entende o termo. Quando se fala em política, a maioria das pessoas entende a classe política, os representantes, os artigos de jornais que falam sobre o que o Congresso está discutindo ou uma nova decisão do presidente. Mas o jovem tem questões políticas muito claras que quer discutir e que perpassam por este debate maior. Por exemplo, conseguir o primeiro emprego, ter boa educação formal, estar preparado e prestar vestibular, servir o exército, gravidez indesejada, escolher uma profissão. Tudo isto também depende de políticas públicas e poderiam ser temas mais explorados pela comunicação das campanhas.
O jovem de hoje possui diversas preocupações e, talvez por isso, a política como era entendida no passado não seja uma questão primordial para muitos deles. Como despertar o interesse desses cidadãos? Por causa do fato de serem multifacetados e processarem informação na web muito mais rapidamente, esse novo eleitor constantemente filtra mensagens na velocidade da luz. Isso faz com que muitas campanhas de candidatos na internet sejam totalmente com falta de relevância, uma vez que não escutam, não entendem a linguagem dos jovens, nem suas necessidades básicas. A chave é criar um processo de escuta on-line extremamente profissional e identificar os formadores de opinião e entusiastas em cada ambiente, gerando conteúdo sempre fresco, estimulando, engajando e viabilizando a prospecção no corpo a corpo para amigos, familiares entre outros. Ou seja, identificar e depois atuar, distribuindo mensagens inteligentes, pertinentes, que façam sentido naquele contexto.

ALDO: Se olharmos o processo de construção histórica e política do Brasil, perceberemos sempre um grande déficit de participação social e de cidadania. Lutas sociais e políticas sempre ocorreram, mas foram, de modo geral, protagonizadas por pequenos grupos e reprimidas. O processo de redemocratização do final dos anos 70 e dos anos 80 e o processo constituinte, no entanto, parecem ter provocando uma maior movimentação e participação política e social. Hoje temos uma sociedade civil mais organizada e ativa. Hoje há uma luta maior por direitos. Os jovens de hoje, certamente, são diferentes dos jovens de ontem. Não se pode dizer que são melhores ou piores. São diferentes e têm outros horizontes. Mas algumas questões básicas, ligadas às necessidades da vida, permanecem mais ou menos as mesmas. A grande maioria dos jovens brasileiros é pobre. Mas tal como o Brasil está em ascensão, estes jovens também querem ascender socialmente, economicamente, em termos de consumo. Eles vêem a política e participam politicamente de modos específicos. É com esta especificidade que os políticos e os partidos precisam lidar. É preciso saber perceber sensibilidades, sentimentos e expectativas, estimular a participação e oferecer respostas para as demandas não resolvidas ou não satisfeitas. Se isto for feito, haverá uma maior participação política dos jovens. A Internet, por ser um espaço público livre, oferece também um enorme potencial de participação política e de politização dos jovens. Mas isto não acontecerá por geração espontânea.

Já Voto!  – Em que consiste a “escuta estratégica” do eleitorado em uma campanha?

GABRIEL: Muito do marketing eleitoral e de suas variações ainda é baseado em intuição ou “achismo”. Os candidatos planejam ações sem necessariamente entender verdadeiramente o comportamento do eleitorado. A maior prova de que isto aconteça é que no início deste ano, que é eleitoral, já surgiram frequentes incompatibilidades entre a mensagem e o público–alvo nas comunidades digitais. Mesmo em períodos de crise, como responder rápido e de forma eficaz sem monitoramento profissional? Questões como ranking de influenciadores, painel de tendências, análise de sentimento, dispersão, volume, alcance, entre outras tantas devem estar no dia-a-dia de qualquer candidato que almeje um trabalho sério na web. Escuta estratégica, então, é conseguir “pescar” o que é o assunto, como está sendo discutido pelos internautas, quem fala com propriedade neste ambiente e como reagir a tudo isto.

Já Voto! – Nas eleições deste ano, a propaganda política na televisão ainda será mais importante para garantir votos do que os esforços de convencimento concentrados na web?

GABRIEL: Rádio e Televisão continuam sendo muito importantes. Mas, como falamos, existe uma classe já estabelecida na internet e uma nova parcela da população que foi incluída e que está ávida por informações. Também é possível dizer que um veículo tem agora potencial de afetar o outro. O político que conseguir, por algum motivo, entender esta relação e se beneficiar dela terá boas condições de se adaptar à era da participação.

ALDO: Há que se notar ainda que não é este ou aquele meio que determina a vitória em uma eleição. A vitória, em parte, depende da eficácia do agente na utilização dos meios. Dizemos “em parte” porque, muitas vezes, uma campanha pode utilizar de forma boa a Internet, o rádio e a TV e mesmo assim não se sagrar vencedora. Isto ocorre porque existe sempre aquela determinação da realidade vinculada às conjunturas políticas, sociais e econômicas.

Já Voto! –  De que forma os políticos podem se defender de acusações infundadas que podem se proliferar nas redes?

GABRIEL: A internet potencializou o poder de resposta e a demonstração das mais variadas emoções dos eleitores. E mais: o alcance é inevitavelmente global. Isso não é necessariamente o fim do mundo. Em primeiro lugar é preciso agir de forma muito rápida. Hoje em dia, ser veloz significa ser extremamente veloz. Antes de tudo é preciso entender que só é possível lidar com esta situação se já houver um trabalho prévio de monitoramento em todos os espaços, inclusive on-line, sendo realizado. Marcas políticas mais preparadas possuem equipes ou se valem de profissionais especializados para desenvolver planos de contingência e monitorar o que acontece no mundo virtual. Monitorar, neste caso, é muito mais do que simplesmente abrir um laptop e ver o que há na internet. A palavra de ordem neste jogo é saber ouvir e aprender diariamente com o que os eleitores estão disseminando sobre você neste espaço.
É preciso também conhecer mais intimamente os influenciadores, ou seja, os internautas que deliberadamente estão discutindo sobre candidatos e partidos no ambiente web. Quem são os (micro) blogueiros que mais impactam na comunidade web? – e aí não estamos falando apenas de blogueiros/jornalistas consagrados, mas, sim, do blogueiro que consegue reverberar suas opiniões nas comunidades. É preciso analisar o tom desta conversa: é jocoso, é imparcial, é emocional etc?. Quais são as chances do candidato conseguir interagir planejadamente com este público?
Os candidatos precisam ainda, numa situação delicada, repensar seus próprios websites. Muitos deles não estão preparados para momentos de crise, são engessados, e vários foram desenvolvidos baseados num momento em que o mundo vivia uma outra realidade digital. Plataformas de feedback, ou seja, os canais no website em que o usuário pode entrar em contato com o candidato/partido, de preferência nos seus termos, ao seu estilo, precisam ser aprimorados. O eleitor quer um canal que realmente fale dos problemas dele e não apenas ‘santinhos digitais’.
Candidatos e partidos precisam reconhecer que websites passaram há muito tempo do estágio de simples cartão de visita da empresa ou, neste caso, candidatura. O canal se tornou uma ferramenta extremamente estratégica para o marketing político.
Outras sugestão é: bom senso na publicidade em meio à crise, para não parecer oportunismo.
No caso das respostas é necessário avaliar todo o cenário para entender qual a melhor maneira de produzi-las e disseminá-las. Há algumas questões que precisam ser pensadas para qualquer tipo de intervenção bem-sucedida. Por exemplo, a acusação tem fundamento? Chegou a um ponto de altíssima capilarização na web? Vale a pena responder e alertar o resto do mundo web a alguma coisa que não necessariamente é verdade ou é o caso de apenas monitorar? Tudo isso precisa ser ponderado.

Já Voto! – Em poucas palavras, como você definiria o perfil do jovem internauta no Brasil?

GABRIEL: Eles são impacientes, querem ser entretidos e apreciam a informação segmentada, importando, no final das contas, o que uma outra pessoa da mesma idade e comunidade pensa. É a teoria da aceitação social do jovem. Fatores como a possibilidade de customizar a informação, a acessibilidade, a autenticidade, a gratificação instantânea, ou seja, a necessidade imediatista de resposta precisam ser considerados.
Os jovens são muito multifacetados, isto é, fazem de tudo um pouco ao mesmo tempo, estão em diversos lugares, como as plataformas ou redes sociais (Orkut, Facebook, Twitter etc.) e o que mais de novo em folha aparecer. Talvez o jogo inteligente, no entanto, não seja apenas acompanhar estas tecnologias, mas, sim, entender o comportamento destes jovens e o uso que eles fazem destes recursos.

Gabriel Rossi e Aldo Fornazieri são, respectivamente, estrategista de marketing na internet e sócio-fundador da Gabriel Rossi Consultoria e diretor acadêmico da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo.

Fonte: O Globo

Só depende dele

agnelo_queiroz_19Acompanhando seu time de coração, o Sobradinho,  o  conselheiro Paulo Tadeu dizia ontem que a reeleição do governador Agnelo Queiroz hoje depende exclusivamente dele. Não precisa de combinação de resultados e talvez nem da equipe adversária. É que o orçamento do Distrito Federal nunca foi tão volumoso, quanto nestes dois anos. Em 2013, lembrou Paulo Tadeu, Agnelo contará com R$ 3 bilhões de recursos próprios e mais R$ 2 bilhões de aportes federais. Isso dá nada menos do que R$ 5 bilhões. Nunca antes um governador do Distrito Federal contou com tantos recursos.

Fonte: Do alto da torre

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