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PEC acaba com reeleição para o Executivo e fixa coincidência de mandatos

jorge corte realEm análise na Câmara, a Proposta de Emenda à Constituição 224/12 propõe uma série de alterações no sistema eleitoral brasileiro. O texto, do deputado Jorge Corte Real (PTB-PE), acaba com a reeleição para o Executivo – Presidência da República, governos de estado e prefeituras – e estabelece a coincidência de todos os mandatos, que passam a ter duração de cinco anos a partir de 2022.

Com a mudança, no lugar de eleições a cada dois anos, o País terá pleitos a cada cinco. Atualmente, os mandatos para todos os poderes têm duração de quatro anos, mas as eleições para os cargos executivos e legislativos – Câmara dos Deputados, assembleias legislativas e câmaras de vereadores – são realizadas com diferença de dois anos.

Senado
Ainda conforme a proposta, os mandatos de senador também serão modificados. Cada representante de estado no Senado terá mandato de apenas cinco anos. Atualmente, permanecem oito anos no cargo.

A eleição de suplentes de senador também muda. Pelo texto, serão suplentes do eleito o segundo e o terceiro candidatos com maior número de votos. Hoje, elege-se uma chapa fechada – o eleito já traz os dois suplentes.

Exceções
Para garantir a realização simultânea de eleições para todos os cargos, a proposta estabelece que, excepcionalmente, prefeitos e vereadores eleitos em 2016 terão mandatos seis anos. Da mesma forma, os integrantes do Senado escolhidos em 2018 ficarão nove anos na posição.

Corte Real argumenta que a coincidência de mandatos “quase se justifica por si mesma”. Segundo afirma, “não há motivos para o País se ver, de dois em dois anos, às voltas com eleições e com o custo para a Nação que acarretam, seja econômico, seja político”.

Ainda conforme o deputado, a prática também mostrou que a reeleição para os cargos do Executivo não beneficia a qualidade da administração pública, “mas facilita a sedimentação de oligarquias nos municípios, nos estados e até no nível federal”.

Tramitação
Inicialmente, a proposta será analisada pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania quanto à admissibilidade. Caso seja acatada, seguirá para uma comissão especial criada especialmente para sua análise.

Íntegra da proposta:

Reportagem – Maria Neves
Edição – Newton Araújo
Fonte: Agência Câmara Notícias

Perfil – Alberto Fraga

alberto fragaJoão Alberto Fraga Silva é Coronel da reserva da Polícia Militar do DF,  foi Deputado Federal por três mandatos e ocupou o cargo de Secretário de Estado de Transportes do DF. Fraga nasceu em Estância, Sergipe, em 2 de junho de 1956. Pouco tempo depois, seu pai, homem da terra, morreu deixando os oito filhos e a esposa. Aos 10 anos, Fraga mudou-se para Brasília, e foi morar com o tio José Coriolano Fraga, policial militar. Oito anos depois ingressou na PM, onde construiu uma carreira brilhante, muito respeitada entre os colegas.

Adotou Brasília como lar e aqui se casou em 1981 com a gaúcha Mirta Brasil Fraga, com quem teve três filhos. Na PM, Fraga conquistou todos os níveis da hierarquia militar, em 1996, foi provomido a coronel por merecimento.

Em 1997 Fraga tornou-se assessor parlamentar das polícias militares na Câmara dos Deputados e também presidente do clube dos oficiais da PM. A proximidade com a vida política o conduz às eleições de 1998, quando foi eleito suplente de deputado federal, com 22 mil votos. Mas logo no início assumiu uma cadeira na Câmara.

Em 2002, seria eleito com 27.939 votos e reeleito em 2006 com 95.514 votos, pelo então PFL. Durante os mandatos foi vice-líder do PMDB, em 2003, vice-líder do PFL, entre julho de 2005 e janeiro de 2007, e vice-líder do DEM.

Em 2011, foi candidato a uma vaga no senado, tendo mais de meio milhão de votos.

Como deputado, Fraga logo conquistou o respeito dos colegas da casa, por sua dedicação e combatividade. Assíduo, presente, trabalhador, foi o recordista de projetos apresentados naquela casa. Fraga participou de diversos momentos decisivos da vida nacional e nunca temeu desafios – por maiores que pudessem parecer -, como o referendo que previa o desarmamento da população civil. Com pouco apoio no começo, lutando contra titãs (o Governo federal e a mídia em peso estavam contra ele), Fraga soube mostrar com clareza o risco que o país corria, conquistou o apoio da sociedade e conseguiu o impossível: o ‘Não‘ venceu.

Conhecido pela determinação, pulso firme e personalidade forte, Fraga não é de meias palavras. Ao se lançar em uma missão não dá ouvidos a propostas ou acordos políticos, muitas vezes contrariando pessoas do mesmo grupo a que faz parte. Atualmente é presidente do Democratas – DF.

Parlamentar atuante

Deputado com um dos maiores números de proposições apresentadas na Câmara dos Federal, mais de 500, Alberto Fraga (DEMOCRATAS-DF) é conhecido por ser um político sério, coerente e de punho firme. Foi considerado também um dos deputados mais atuantes do Congresso Nacional. Desde 1999, quando assumiu o seu primeiro mandato, Fraga defendeu os interesses da população brasileira sem se curvar a acordos políticos.

O ex-deputado federal e atual presidente do Democratas-DF é reconhecido como um dos maiores especialistas em segurança pública. Coronel da reserva da Polícia Militar, advogado, pós-graduado e mestre em segurança pública, Fraga utilizou seus conhecimentos com o intuito de ajudar a reduzir os índices de violência no País.

Como a segurança está diretamente relacionada à qualidade de vida da sociedade, Fraga atuou  também nas áreas de educação, saúde, geração de emprego, moradia, entre outras. Após ter se licenciado da Câmara dos Deputados por três anos, entre 2007 e 2010, para assumir a Secretaria de Transportes do DF, Fraga também tornou-se especialista nesta área.

Foi autor de onze leis importantes, entre elas a que estabelece a presunção da paternidade no caso de recusa do suposto pai de submeter-se ao exame de DNA.  Outra lei de sua autoria tipifica como crime o ingresso e uso de celulares em presídos sem autorização legal. As detentas também foram beneficiadas com a Lei 12.121/2009, que determina que os estabelecimentos penais destinados às mulheres tenham apenas agentes feminos na segurança interna.

Já a Lei Fraga, como é conhecida, possibilita a prestação de serviços administrativos nas Polícias Militares e Corpo de Bombeiros, beneficiando, até o momento, mais de 140 mil jovens em todo o país. As crianças portadoras de necessidades especiais também foram beneficiadas com a lei 11.982/ 2009, que determina a adaptação de 5% dos brinquedos em parque de diversões público e privados.

Foi presidente nacional da Frente do “Não” no referendo de 2005 garantindo o direito da legítima defesa à população brasileira. Com pouco apoio no começo, lutando contra titãs (o Governo federal e a mídia em peso estavam contra ele), Fraga soube mostrar com clareza o risco que o país corria, conquista o apoio da sociedade e consegue o impossível: o ‘Não‘ venceu.

Fraga participou de várias missões oficiais. Em 2000, em visita à Índia, foi representante da Câmara dos Deputados visando o estreitamento das relações diplomáticas e comerciais entre o Brasil e aquela nação. Conheceu o sistema policial de vários países, como  Portugal, Espanha, França, Holanda, Itália, Bélgica, Alemanha, Grécia, Áustria, Noruega, Hungria e Inglaterra. Participou também de visita técnica a empresas de biotecnologia nos EUA.

Após ocupar a cadeira secretário de transportes do DF, Fraga retornou à tribuna para defender os interesses de Brasília e do Brasil. Na Secretaria de Transportes, Fraga desenvolveu ações com objetivo de moralizar e modernizar o sistema de transporte público do DF . A mais importante refere-se aos trabalhos previstos pelo Programa Brasília Integrada .

Durante os três mandatos usou a tribuna e a caneta com coragem e responsabilidade, tanto no Legislativo quanto Executivo, sempre em favor do povo brasileiro. Essa é a marca do ex-deputado Alberto Fraga.

Fonte: Blog do Fraga

Entrevista – ‘A internet e as eleições’

gabriel rossiGabriel Rossi e Aldo Fornazieri, estudiosos do processo eleitoral, publicaram, no dia  24 de julho, um artigo chamado “A internet e as eleições”  (O Estado de São Paulo) . Ambos descrevem o cenário político na rede e apontam para as tendências até outubro de 2010. O Já Voto! quis saber mais sobre o tema e conversou por e-mail com os dois especialistas.

Já Voto! – Vocês conseguiram aferir a quantidade e a qualidade das citações dos candidatos à Presidência da República nas redes sociais. Como foi feita essa verificação? As qualitativas, particularmente, são 100% confiáveis? E quais seriam esses números? Quais são os candidatos que possuem mais menções positivas?

GABRIEL: Para este tipo de análise, utilizamos uma ferramenta que monitora mais de 100 milhões de sites e fontes – entre blogs e comentários em fóruns, vídeos, etc., com o público que participa e se expressa no Twitter, Facebook, entre outros. É claro que a análise qualitativa depende muito da interpretação de quem analisa os comentário e acredito que é aí que está o segredo de nosso trabalho. Uma análise realizada em parceria por um estrategista de marketing na internet e um professor de Ciências Políticas de altíssimo nível será, com certeza, melhor feita do que simplesmente analisar o que é dito sem um cabedal de informações prévias que subsidiem a própria análise. Do contrário, o levantamento fica estéril. Acreditamos que sim, que são muito confiáveis uma vez que expressam números, além de levar em consideração perspectivas de marketing, perspectivas históricas, socioeconômicas, entre outras. Número de citações, análise sobre se estas citações são positivas, negativas, neutras e em quais quantidades etc. Percebemos que, por exemplo, comparando os “tags” “José Serra”, “Dilma Rousseff” e “Marina Silva” na blogosfera, num período de 30 dias (até a tarde de 14 de julho), o primeiro é responsável por 44.5% das menções, a segunda por 39.33%, e “Marina Silva”, por 16.20%.
As análises qualitativas dependeram de um trabalho especializado que fizemos para filtragem de informações. Em outras palavras, a interpretação foi primordial principalmente no que se refere ao sentimento do eleitor na web em relação ao candidato. Por exemplo, Marina Silva se beneficia, de alguma forma, do choque direto entre os militantes de José Serra e Dilma Roussef.
Embora a candidata seja menos citada em relação aos candidatos do PSDB e PT, possuindo inclusive menos cabos eleitorais, as citações que envolvem Marina Silva possuem mais menções de apoio e menos rejeição em ambientes como o Twitter, por exemplo. Podemos dizer que ela tem, como saldo, uma aparição neste ambiental que é mais positiva.

Já Voto! – Vocês constataram que o debate na rede, atualmente, passa pela desqualificação política. Poderia citar alguns exemplos? Como fazer para que a “estratégia caótica de guerra” não contamine as campanhas eleitorais até outubro?

GABRIEL: Troca de acusações mentirosas, as etiquetas básicas da internet e das comunidades deixadas de lado, além da utilização de táticas de desinformação são alguns exemplos desta estratégia que definimos como “caótica de guerra”. Para que o debate não se contamine, dependeremos muito da atuação dos especialistas em marketing e internet das campanhas. Vale lembrar também que os princípios básicos e fundamentais de marketing são os que definem marcas sólidas na web social. É preciso pensar de forma integrada. As mídias sociais são amplificadores de princípios cardinais que tornam uma marca política forte. Antes de qualquer coisa, por exemplo, marcas políticas são alicerçadas em cima de carisma e narrativa e uma idéia única e diferenciada. As mídias sociais fizeram este preceito mais verdadeiro do que nunca. Por causa disso, nossa metodologia de trabalho na internet considera diversas variáveis como: Proposta de campanha, tamanho do partido, as lideranças fortes agregadas, capilaridade, reputação, expectativa de votos, vulnerabilidade de relacionamento com diversos stakeholders, interesse geral do público-alvo pela eleição, orçamento da campanha, avaliação de carisma do candidato, votos de legenda, entre diversas outras coisas.

ALDO: Toda campanha política envolve elementos fortes de embate e de confronto. Mas diferentemente da guerra onde há o confronto físico, na campanha vale a capacidade de convencimento, principalmente em torno de duas coisas: 1) as qualidades e capacidades do candidato; 1) a excelência, viabilidade e factibilidade das propostas. O debate na Internet não pode se desvencilhar destas duas dimensões ancoradoras das campanhas. Desta forma, a mera acusação desqualificadora do adversário poderá se tornar contraproducente se o público debatedor exigir um nível minimamente razoável de qualidade. Claro que uma disputa eleitoral não pode ser concebida como um festival de gentilezas e de troca de flores entre candidatos. Ele incorpora táticas de ardis e astúcias. A Internet, pela sua dimensão e pelo aspecto de liberdade de participação que suscita, pode ser concebida também como um campo de batalha argumentativa onde os ardis e as astúcias retóricas podem ganhar enorme relevo. Tudo isto, no entanto, depende da capacidade estratégica dos comandos das campanhas. O que apontamos também é que, em boa medida, se os centros nevrálgicos das campanhas, como sites das candidaturas e dos partidos, não direcionarem positivamente o conteúdo do debate, este tende a se reproduzir de forma pobre na rede.

Já Voto! – Vocês concluíram que as posições e as propostas dos candidatos ainda não estão claras e não entraram em debate nas redes sociais. No caso das últimas eleições nos EUA e na Colômbia, havia esse tipo de manifestação, que discutia projetos. Você poderia citar exemplos do enfrentamento de idéias nesses países por meio da rede? Há chances de o debate caminhar positivamente para esse lado no Brasil?

GABRIEL: Na Colômbia, o candidato a presidente Antana Mockus (oposição) conseguiu um número muito expressivo de fãs no Facebook. Aparentemente ele teria poucas chances contra o candidato da situação, que é muito bem avaliada no país vizinho. É possível, sim, dizer que a estratégia desenhada para a internet de Mockus tenha colaborado para sua campanha, com a disseminação correta de informações e um debate mais vivo do que estamos vivenciando até o presente momento no Brasil.
Na eleição de Barack Obama, a internet talvez tenha chegado a um outro nível, num patamar mais elevado. Havia disseminação, feedback imediato, organização das pessoas que aderiram à marca ou ao candidato, intensa prospecção e um excelente método de arrecadação de fundos. A proposta da candidatura Obama vinha naturalmente com um conceito de branding sólido, que se adaptou perfeitamente à web. Obama conseguiu centralizar seu discurso em um único e poderoso conceito – o de mudança (“Change”). É sabido que marcas que deram certo costumam focar em uma única mensagem, não em duas nem em três. Esta regra também vale para o mundo digital e para a política. Além disso, permanecendo fiel à mesma idéia diferenciada desde o princípio de sua campanha, a personalidade da marca Obama ganhou credibilidade ao longo do tempo e este fortalecimento migrou para a websocial e vice-versa. Sem dúvida nenhuma, Obama era uma marca com uma visão fortíssima que enxergava a situação de uma maneira específica e encorajava as pessoas para fazer parte do mesmo sonho, investindo forças para o futuro. Tudo isso de alguma maneira foi amplificado na campanha realizada na internet.
No Brasil o debate tende a evoluir e erros serão normais, mas, independentemente disto, é pouco provável termos algo parecido com Obama nestas eleições, uma vez que o país é muito menos conectado que os EUA. Lá, houve uma aparente opção do público por uma mudança (change) inclusive no campo econômico que não sabemos se ocorrerá igualmente aqui. Por outro lado, a nova classe média que agora experimenta a internet no Brasil poderá sentir a necessidade de ser suprida com conteúdo que talvez leve à decisão por determinado candidato. O voto no Brasil é obrigatório. Isto naturalmente reduz o genuíno caráter pró-ativo da participação, que é cardinal nas redes sociais. Ao contrário dos americanos, não vivemos nenhuma ruptura sócio-econômica e nem uma crise de reputação que, sem dúvida, incentivariam um volume maior de pessoas a debater fortemente política na internet. Até por isso, é necessário traçar uma estratégia para a internet que seja ao mesmo tempo inteligente e vencedora.

ALDO: Nenhuma campanha, nenhuma marca política, nenhum projeto de marketing político tende ser vencedor se estiver dissociado daquilo que definimos como princípio de realidade. Uma campanha se insere sempre num contexto histórico e em uma conjuntura política dados. No estudo da Teoria Política aprendemos que, de modo geral, existem duas tipologias de conjunturas: a da conservação(continuidade) e a da mudança. A conjuntura na qual Obama disputou as eleições era de mudança: fracasso do governo Bush, crise econômica, subprime e crise hipotecária, desaprovação da guerra do Iraque e baixíssima avaliação do então governo. Naquela conjuntura concentram todas as atenções na palavra mudança (change) fazia todo o sentido e os estrategistas de Obama foram muito felizes e competentes na escolha.
A conjuntura das eleições presidenciais brasileiras de 2010 tem o sinal inverso daquelas últimas eleições presidenciais norte-americanas. Aqui a conjuntura é de conservação/continuidade: bom desempenho econômico, emprego em alta, melhoria nos ganhos salariais, maior presença do Brasil no mundo, fator que gera auto-estima, e presidente bem avaliado. As estratégias, as marcas e o marketing precisam partir deste princípio de realidade. Dilma é favorecida pela conjuntura. A estratégia de Serra precisa ser muito mais complexa, articulada e inteligente para lidar com a adversidade conjuntural. Marina, como pertenceu ao governo, poderia adotar uma estratégia ambivalente: de continuidade e mudança.
O que se nota é que, até o momento, apenas a campanha da Marina apresentou as Diretrizes do Programa de Governo na Internet. É também a campanha que mais procura investir no debate de propostas. A campanha de Serra abriu um processo de constituição participativa do programa na própria Internet. Até agora, a repercussão foi pequena. Tendo a acreditar que foi um método errado: o estímulo à participação precisa ocorrer a partir de algo concreto, de algum conteúdo já definido. Existe uma falsa crença democratista de que a participação, por si só, pode gerar conteúdo e excelência. Ocorre que a política, mesmo a política democrática, jamais se despirá de uma dimensão de verticalidade, de comando e direção. O dia em que isto ocorrer, a política deixará de existir. Assim, a política democrática precisa lidar, sempre, com duas chaves: direção e comando de um lado, e estímulo à participação, de outro. Acreditamos que esta regra vale também para a Internet.

Já Voto! – Segundo o artigos de vocês, terá sucesso nestas eleições quem conseguir identificar o comportamento dos jovens nas redes sociais e, claro, conseguir influenciar esse público dentro das redes. Não basta a campanha dominar e utilizar as ferramentas; saber a forma de comunicação dos jovens nesse meio é importante. Na visão de vocês, mesmo que os políticos descubram a forma de atuação dos jovens mais escolarizados, vocês apostam que eles estão dispostos a discutir política no Brasil?

GABRIEL: O jeito que falávamos e percebíamos política no passado não é necessariamente a mesma forma que o jovem conectado à internet entende o termo. Quando se fala em política, a maioria das pessoas entende a classe política, os representantes, os artigos de jornais que falam sobre o que o Congresso está discutindo ou uma nova decisão do presidente. Mas o jovem tem questões políticas muito claras que quer discutir e que perpassam por este debate maior. Por exemplo, conseguir o primeiro emprego, ter boa educação formal, estar preparado e prestar vestibular, servir o exército, gravidez indesejada, escolher uma profissão. Tudo isto também depende de políticas públicas e poderiam ser temas mais explorados pela comunicação das campanhas.
O jovem de hoje possui diversas preocupações e, talvez por isso, a política como era entendida no passado não seja uma questão primordial para muitos deles. Como despertar o interesse desses cidadãos? Por causa do fato de serem multifacetados e processarem informação na web muito mais rapidamente, esse novo eleitor constantemente filtra mensagens na velocidade da luz. Isso faz com que muitas campanhas de candidatos na internet sejam totalmente com falta de relevância, uma vez que não escutam, não entendem a linguagem dos jovens, nem suas necessidades básicas. A chave é criar um processo de escuta on-line extremamente profissional e identificar os formadores de opinião e entusiastas em cada ambiente, gerando conteúdo sempre fresco, estimulando, engajando e viabilizando a prospecção no corpo a corpo para amigos, familiares entre outros. Ou seja, identificar e depois atuar, distribuindo mensagens inteligentes, pertinentes, que façam sentido naquele contexto.

ALDO: Se olharmos o processo de construção histórica e política do Brasil, perceberemos sempre um grande déficit de participação social e de cidadania. Lutas sociais e políticas sempre ocorreram, mas foram, de modo geral, protagonizadas por pequenos grupos e reprimidas. O processo de redemocratização do final dos anos 70 e dos anos 80 e o processo constituinte, no entanto, parecem ter provocando uma maior movimentação e participação política e social. Hoje temos uma sociedade civil mais organizada e ativa. Hoje há uma luta maior por direitos. Os jovens de hoje, certamente, são diferentes dos jovens de ontem. Não se pode dizer que são melhores ou piores. São diferentes e têm outros horizontes. Mas algumas questões básicas, ligadas às necessidades da vida, permanecem mais ou menos as mesmas. A grande maioria dos jovens brasileiros é pobre. Mas tal como o Brasil está em ascensão, estes jovens também querem ascender socialmente, economicamente, em termos de consumo. Eles vêem a política e participam politicamente de modos específicos. É com esta especificidade que os políticos e os partidos precisam lidar. É preciso saber perceber sensibilidades, sentimentos e expectativas, estimular a participação e oferecer respostas para as demandas não resolvidas ou não satisfeitas. Se isto for feito, haverá uma maior participação política dos jovens. A Internet, por ser um espaço público livre, oferece também um enorme potencial de participação política e de politização dos jovens. Mas isto não acontecerá por geração espontânea.

Já Voto!  – Em que consiste a “escuta estratégica” do eleitorado em uma campanha?

GABRIEL: Muito do marketing eleitoral e de suas variações ainda é baseado em intuição ou “achismo”. Os candidatos planejam ações sem necessariamente entender verdadeiramente o comportamento do eleitorado. A maior prova de que isto aconteça é que no início deste ano, que é eleitoral, já surgiram frequentes incompatibilidades entre a mensagem e o público–alvo nas comunidades digitais. Mesmo em períodos de crise, como responder rápido e de forma eficaz sem monitoramento profissional? Questões como ranking de influenciadores, painel de tendências, análise de sentimento, dispersão, volume, alcance, entre outras tantas devem estar no dia-a-dia de qualquer candidato que almeje um trabalho sério na web. Escuta estratégica, então, é conseguir “pescar” o que é o assunto, como está sendo discutido pelos internautas, quem fala com propriedade neste ambiente e como reagir a tudo isto.

Já Voto! – Nas eleições deste ano, a propaganda política na televisão ainda será mais importante para garantir votos do que os esforços de convencimento concentrados na web?

GABRIEL: Rádio e Televisão continuam sendo muito importantes. Mas, como falamos, existe uma classe já estabelecida na internet e uma nova parcela da população que foi incluída e que está ávida por informações. Também é possível dizer que um veículo tem agora potencial de afetar o outro. O político que conseguir, por algum motivo, entender esta relação e se beneficiar dela terá boas condições de se adaptar à era da participação.

ALDO: Há que se notar ainda que não é este ou aquele meio que determina a vitória em uma eleição. A vitória, em parte, depende da eficácia do agente na utilização dos meios. Dizemos “em parte” porque, muitas vezes, uma campanha pode utilizar de forma boa a Internet, o rádio e a TV e mesmo assim não se sagrar vencedora. Isto ocorre porque existe sempre aquela determinação da realidade vinculada às conjunturas políticas, sociais e econômicas.

Já Voto! –  De que forma os políticos podem se defender de acusações infundadas que podem se proliferar nas redes?

GABRIEL: A internet potencializou o poder de resposta e a demonstração das mais variadas emoções dos eleitores. E mais: o alcance é inevitavelmente global. Isso não é necessariamente o fim do mundo. Em primeiro lugar é preciso agir de forma muito rápida. Hoje em dia, ser veloz significa ser extremamente veloz. Antes de tudo é preciso entender que só é possível lidar com esta situação se já houver um trabalho prévio de monitoramento em todos os espaços, inclusive on-line, sendo realizado. Marcas políticas mais preparadas possuem equipes ou se valem de profissionais especializados para desenvolver planos de contingência e monitorar o que acontece no mundo virtual. Monitorar, neste caso, é muito mais do que simplesmente abrir um laptop e ver o que há na internet. A palavra de ordem neste jogo é saber ouvir e aprender diariamente com o que os eleitores estão disseminando sobre você neste espaço.
É preciso também conhecer mais intimamente os influenciadores, ou seja, os internautas que deliberadamente estão discutindo sobre candidatos e partidos no ambiente web. Quem são os (micro) blogueiros que mais impactam na comunidade web? – e aí não estamos falando apenas de blogueiros/jornalistas consagrados, mas, sim, do blogueiro que consegue reverberar suas opiniões nas comunidades. É preciso analisar o tom desta conversa: é jocoso, é imparcial, é emocional etc?. Quais são as chances do candidato conseguir interagir planejadamente com este público?
Os candidatos precisam ainda, numa situação delicada, repensar seus próprios websites. Muitos deles não estão preparados para momentos de crise, são engessados, e vários foram desenvolvidos baseados num momento em que o mundo vivia uma outra realidade digital. Plataformas de feedback, ou seja, os canais no website em que o usuário pode entrar em contato com o candidato/partido, de preferência nos seus termos, ao seu estilo, precisam ser aprimorados. O eleitor quer um canal que realmente fale dos problemas dele e não apenas ‘santinhos digitais’.
Candidatos e partidos precisam reconhecer que websites passaram há muito tempo do estágio de simples cartão de visita da empresa ou, neste caso, candidatura. O canal se tornou uma ferramenta extremamente estratégica para o marketing político.
Outras sugestão é: bom senso na publicidade em meio à crise, para não parecer oportunismo.
No caso das respostas é necessário avaliar todo o cenário para entender qual a melhor maneira de produzi-las e disseminá-las. Há algumas questões que precisam ser pensadas para qualquer tipo de intervenção bem-sucedida. Por exemplo, a acusação tem fundamento? Chegou a um ponto de altíssima capilarização na web? Vale a pena responder e alertar o resto do mundo web a alguma coisa que não necessariamente é verdade ou é o caso de apenas monitorar? Tudo isso precisa ser ponderado.

Já Voto! – Em poucas palavras, como você definiria o perfil do jovem internauta no Brasil?

GABRIEL: Eles são impacientes, querem ser entretidos e apreciam a informação segmentada, importando, no final das contas, o que uma outra pessoa da mesma idade e comunidade pensa. É a teoria da aceitação social do jovem. Fatores como a possibilidade de customizar a informação, a acessibilidade, a autenticidade, a gratificação instantânea, ou seja, a necessidade imediatista de resposta precisam ser considerados.
Os jovens são muito multifacetados, isto é, fazem de tudo um pouco ao mesmo tempo, estão em diversos lugares, como as plataformas ou redes sociais (Orkut, Facebook, Twitter etc.) e o que mais de novo em folha aparecer. Talvez o jogo inteligente, no entanto, não seja apenas acompanhar estas tecnologias, mas, sim, entender o comportamento destes jovens e o uso que eles fazem destes recursos.

Gabriel Rossi e Aldo Fornazieri são, respectivamente, estrategista de marketing na internet e sócio-fundador da Gabriel Rossi Consultoria e diretor acadêmico da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo.

Fonte: O Globo

Só depende dele

agnelo_queiroz_19Acompanhando seu time de coração, o Sobradinho,  o  conselheiro Paulo Tadeu dizia ontem que a reeleição do governador Agnelo Queiroz hoje depende exclusivamente dele. Não precisa de combinação de resultados e talvez nem da equipe adversária. É que o orçamento do Distrito Federal nunca foi tão volumoso, quanto nestes dois anos. Em 2013, lembrou Paulo Tadeu, Agnelo contará com R$ 3 bilhões de recursos próprios e mais R$ 2 bilhões de aportes federais. Isso dá nada menos do que R$ 5 bilhões. Nunca antes um governador do Distrito Federal contou com tantos recursos.

Fonte: Do alto da torre

Apaziguado, PTB deve manter apoio ao Buriti

gim-argeloMesmo no Exterior, em férias, o senador Gim Argello (foto) permanece ligado na política brasiliense. Mexeu os pauzinhos e conseguiu atenuar, senão encerrar, a crise surgida nas relações entre seu PTB e o Buriti, com a demissão de seu único distrital Cristiano Araújo da Secretaria de Desenvolvimento Econômico. O PTB, de que Gim é presidente regional, conta com outros cargos no governo do Distrito Federal e permanece com áreas de influência no governo, como no BRB.

Nem volta, nem sai

Cristiano não retornará à Secretaria de Desenvolvimento Econômico, da qual foi demitido pelo governador Agnelo Queiroz após articular candidatura oposicionista à presidência da Câmara Legislativa. Mas também não deixará a base de apoio do governo na Câmara.

Fonte: Do alto da torre

Articulações no PTB DF

cristiano araujoO deputado distrital Cristiano Araújo deve se tornar, em breve, o nome mais forte do PTB no Distrito Federal. Segundo fonte da coluna, Cristiano é o nome mais cotado para assumir a presidência do partido na capital, no lugar do senador Gim Argello. Mas se engana quem pensa que Cristiano tomaria lugar de seu padrinho no partido. Nada disso! Gim estaria de saída para assumir a presidência nacional da legenda, no lugar do ex-deputado Roberto Jefferson. Com a mudança, caso se confirme, Gim e Cristiano teriam o PTB nas mãos e se fortaleceriam para as eleições de 2014.

Fonte: Coluna ONs e OFFs – Lívio di Araújo

Protesto no jantar do PT

jantar ptO jantar promovido pela Juventude do PT de Brasília para ajudar a pagar as multas aplicadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a petistas condenados pelo mensalão teve mais repercussão que convidados presentes. Dos 170 convites oferecidos, 150 foram vendidos até o final do evento. No entanto, compareceram cerca de 70 pessoas à Galeteria Gaúcha, restaurante localizado em um dos barros nobres da cidade. Não havia nenhum nome de expressão na sigla.

Com ingressos de R$ 100, R$ 200, R$ 500 e R$ 1 mil, o PT arrecadou pelo menos R$ 15 mil. O valor total, contudo, não foi informado, conforme orientação da direção nacional do partido. Do total levantado, serão retirados os custos do jantar – R$ 46 por pessoa, inclusos o buffet e bebida não alcoólica.

A iniciativa beneficia o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, o ex-tesoureiro Delúbio Soares e os deputados José Genoino (SP) e João Paulo Cunha (SP), condenados a pagar, juntos, R$ 1,8 milhão. Para um dos organizadores, Pedro Henrichs, porém, o valor não é o mais importante. A intenção era espalhar a iniciativa pelo País, ideia que já parece ter dados frutos. “O pessoal do Rio Grande do Sul vai promover um evento semelhante na segunda quinzena desse mês”, disse.

Sem tumulto. Apesar do pouco movimento, uma moradora da região que soube do jantar pelo noticiário, decidiu fazer um protesto silencioso. A advogada Marília Gabriela Ferreira de Faria, de 31 anos, chegou à porta do restaurante com um recado escrito em uma folha de papel: “Querem ajudar seus amigos? Dividam com eles parte da pena restritiva de liberdade”.

Ela classificou a iniciativa do jantar como imoral, apesar de saber que não é ilegal. “Quem ajuda bandido também está contribuindo para o crime.” O cartaz foi deixado na porta do restaurante, até que um dos militantes presentes retirou a placa.

Marthius Sávio Lobato, advogado do ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato – um dos condenados pelo STF – foi uma das presenças mais marcantes da noite. Lobato afirmou ter comparecido a convite do PT Brasília, não tendo contribuído como a arrecadação. No discurso ele ressaltou que não houve desvio de recursos públicos no mensalão. “Direito e Justiça não podem ser separados. O processo não terminou. Há batalhas a serem enfrentadas. Todos sabemos de fato o que ocorreu ao longo do processo, que demonstra que houve injustiça.” (AE)

DÉBORA ÁLVARES – Agência Estado

Celina Leão representa contra secretário de Educação

celina leaoA deputada Celina Leão (PSD) protocolou na tarde desta quita-feira (17)  representação no Ministério Público contra a política de ciclos e semestralidade apresentada pelo  secretário de educação, Denilson Bento  da Costa, a ser implantada tanto de forma imediata, quanto por adesão na Rede Pública de Ensino do Distrito Federal.

A Gestão Compartilhada era o modelo da Educação no DF até 2011. A partir de então a proposta mudou para Gestão Democrática, projeto que passou pela Câmara Legislativa e foi melhorado com emendas dos parlamentares. Agora mais uma mudança, só que desta vez arbitrária. Para Celina Leão a mudança no sistema de educação foi uma decisão unilateral. “Nem o  Conselho Escolar, nem o Sindicato dos professores nem a população, ninguém foi ouvido quanto à nova política de educação. É algo totalmente antidemocrático, que contraria o discurso do governo”, observa.

A parlamentar encaminhou ainda, um expediente ao Conselho de Educação para que se manifeste sobre as alterações na política de Educação, uma vez que sequer foi ouvido.

A Secretaria de Educação do DF apresenta uma proposta de reorganização da Educação Básica no Distrito Federal, com duas vertentes: A implantação de um sistema não seriado no Ensino Fundamental, dividido em ciclos e a organização semestral do Ensino Médio. Dentro da proposta de reorganização está o fim da reprovação no ensino fundamental, com exceção dos 3º, 5º e 9º anos, ou seja, ao final de cada ciclo.

“É uma mudança grande, que pegou todos de surpresa. Tirou a autonomia paradidática das escolas e feriu a Gestão Democrática, além de ferir a Lei Orgânica, quando deixaram de ouvir o órgão competente para tais alterações, que é o Conselho de Educação, por isso representei no MP com o pedido se sobrestamento de toda mudança abrupta na Educação do DF, até que a comunidade escolar seja ouvida e o diálogo reestabelecido”, explica a deputada Celina Leão.

Fonte: Do cafezinho

Direto do Facebook – Moises Tavares

aguas lindasENQUANTO ISSO, EM ÁGUAS LINDAS DE GOIÁS

As indicações e apadrinhamento de vereadores para contratação de cargos comissionados será tido como improbabilidade administrativa e o prefeito será responsabilizado judicialmente.

A medida jurídica pesou para os secretários: Silvério da educação e para o Dr. Willen secretário de saúde que segundo denuncia alguns contratos já foram efetivados nas referidas pastas. O professor Silvério explicou que enquanto o processo probatório segue seu curso, as escolas não podem ficar sem vigias, e, entretanto a promotora explicou que o contrato provisório é necessário, mas somente nos três meses, enquanto chamam os concursados.

Fonte: Facebook – 18/1/2013

Presidência vai gastar R$ 6,6 milhões com pesquisa de opinião em 2013

pesquisaA Presidência da República publicou na última segunda-feira (14) três editais no Diário Oficial da União para contratação de serviços de pesquisa de opinião pública. As pesquisas, juntas, vão custar R$ 6,6 milhões aos cofres públicos.

A ideia do governo é que a população possa avaliar os programas de governo e as estratégias de comunicação da presidência.

De acordo com o assessor especial de Pesquisa de Opinião da Presidência da República , Wladimir Gramacho, as pesquisas não são novidade, mas mudaram de formato desta vez.

— Este processo licitatório, iniciado em 2012, preferiu abrir três licitações em vez de uma só. Isso porque o mercado de empresas prestadoras desse serviço é segmentado. Ao realizarmos apenas uma licitação, perderíamos a participação de empresas que são especializadas em uma ou algumas das técnicas previstas, mas não em todas.

O último contrato de pesquisa de opinião foi feito em 2009, no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e acabou em 2011.

São três editais diferentes. Um para pesquisa qualitativa, no valor de até R$ 1,9 milhão por ano. Outro para pesquisa quantitativa face a face, no valor de até R$ 3,0 milhões por ano. E o último para pesquisa quantitativa telefônica, no valor de até R$ 1,7 milhão por ano.

As propostas deverão ser entregues, respectivamente, nos dias 4, 5 e 6 de março de 2013.  Segundo Gramacho, quando as pesquisas forem realizadas, os resultados serão de livre acesso e todos que quiserem poderão acessá-las no portal de comunicação da Presidência.

Fonte: R7

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