Início Brasil MPF investiga registros de poupança de escravizados no acervo da Caixa

MPF investiga registros de poupança de escravizados no acervo da Caixa

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Da redação

O Ministério Público Federal (MPF) investiga registros históricos da Caixa Econômica Federal que podem reunir dados sobre valores poupados por pessoas escravizadas no século 19, supostamente utilizados para a compra de alforria. Até agora, o órgão já identificou 158 cadernetas de poupança abertas por escravizados no acervo do banco.

O MPF determinou que a Caixa forneça detalhes sobre os registros financeiros, incluindo equipe envolvida na apuração, metodologia a ser empregada e quantidade de livros de conta corrente disponíveis. Esses documentos trazem anotações de depósitos, saques realizados por ex-escravizados e também a remuneração de juros de 6% a cada seis meses.

A Caixa declarou que tem colaborado com o MPF do Rio de Janeiro, apresentando dentro do prazo todas as informações requisitadas. Segundo nota oficial, o processo de guarda, conservação e pesquisa do acervo histórico é contínuo e realizado por equipes multidisciplinares ligadas à Caixa Cultural.

Pesquisadores vêm trabalhando para organizar e tornar acessíveis esses documentos. A historiadora Keila Grinberg destacou que a tarefa envolve separar, conferir, catalogar, analisar e disponibilizar o conjunto de materiais históricos. Conforme a especialista, a meta é digitalizar o acervo e criar ferramentas de busca abertas ao público e estudiosos.

Os especialistas ressaltam que ainda não existem estimativas sobre o total de cadernetas de poupança abertas antes da abolição da escravidão, em 1888, nem sobre o destino desses recursos. Para Itan Cruz Ramos, da Universidade Federal da Bahia, a pesquisa contribui para enfrentar o silêncio histórico e revolver a dificuldade em localizar informações relacionadas à escravidão e à luta por direitos da população negra.

O tema vem ganhando relevância em razão do crescente interesse em temas ligados à memória e reparação histórica. Os documentos pertencem ao acervo histórico da Caixa, fundado em 1861, e abrangem registros anteriores à abolição formal da escravatura, proporcionando novas perspectivas para pesquisadores e o público em geral.